quarta-feira, 2 de setembro de 2015

 A Revista Juiz Dredd Magazine é Finalmente Cancelada, e Já Vai Tarde!

Por:Hds.


Mais sorte para você da próxima vez. E que essa "próxima vez" seja num encadernado!


Acabo de ler no site Terra Zero a notícia de que a revista do Juiz Dredd vai ser cancelada no número 24.Juiz Dredd Magazine foi anunciada pela Mythos em abril de 2013.E logo no início festejavam a presença de autores como;Alan Moore,Dave Gibbons,Brian Bolland,Pat Mills,Dan Abnett,John Wagner,Carlos Esquerra entre outros.

Como de costume a mídia em geral noticiou o lançamento da nova revista com a costumeira profundidade de uma sessão de fofocas entre lavadeiras.Muitos elogios rasgados e a  puxação de saco costumeira com a qual vários dos auto-proclamados “jornalistas de quadrinhos” recebem algum trabalho posto em bancas por seus compadres do mercado nacional.

Mas já naquela época eu percebi que ter uma nova edição com material da 2000AD publicada pela Mythos não seria lá motivo pra comemorar tanto assim.Quem conhece a editora sabe que ela é famosa por enfiar a faca(ou seria um cutelo?)nos leitores com preços descaradamente altos e qualidade muitas vezes nem tão altas assim.Pelo jeito o tempo que o co-fundador Hélcio de Carvalho passou trabalhando na Abril não serviu para lhe ensinar qualquer noção de mercado,pois parece que a sua editora não sabe o que é produzir uma edição que não pese no bolso.Excetuando as linhas da Bonelli tudo é estupidamente caro.

Em maio de 2013 temos então a primeira edição que daria início a uma série mensal.De cara dá pra perceber que houve um risco em escolher o formato magazine.Por que diabo lançar um título encabeçado por um personagem desconhecido dessa nova geração nesse padrão,se o formato 17x26cm já estava devidamente estabelecido e seguro nas bancas?É sempre assim,se a Mythos puder decidir por um formato para se publicar conteúdo especial,com certeza vai escolher o mais extravagante.

Temos na edição um total de seis histórias,o que poderia logo impressionar e fazer com que o título caísse no gosto dos aventureiros que comprassem.Isso se,somando todas elas não chegássemos ao risível número de 68 páginas apenas!E é claro,embaladas em um “convidativo” precinho de R$10,90.Para esculachar de vez,temos uma capa que faz questão de expor o nome de Alan Moore(que só pode ter sido gravado à ferro em brasa no layout básico das capas,sendo que o nome do autor consta em TODAS elas até o atual número 23!)

Isso acabou se revelando uma isca fajuta pra pegar os trouxas que esperavam por histórias canônicas do “mago das tramas infalíveis”.Os mesmos compradores que viram na presença de Moore uma oportunidade de ler ótimas aventuras,foram os que deram com a cara na parede.Pois tiveram que se contentar apenas com historinhas curtas e esquisitas liberadas em migalhas.Isso deveria bastar para esses leitores saudosistas aprenderem de vez que o velho modo de fazer revistas mix é o suficiente para demolir qualquer expectativa de sucesso.Mesmo que seja de uma linha com conteúdo tão bom como foi a 2000AD.E incluir séries novas como Nikolai Dante,Área Cinzenta,Áquila e Distorções Temporais não ajudou em nada.

No texto escrito por Leandro Damasceno,ele começa dizendo que a duração da revista foi  “criminosamente” curta e que ela serviu de alternativa aos super-heróis.Certo,certo.Eu não preciso repetir o porquê dela ter durado tão pouco,mas vamos deixar bem claro que esse argumento besta de “opção aos heróis” é pura conversa fiada de quem tenta parecer culto cuspindo no mercado mainstream de HQs.O mesmo mercado que nos rendeu durante toda a vida mais de 90% do que foi publicado de bom até hoje.Afinal de contas você conhece alguma criança que começou a ler quadrinhos com Luther Arkwright?

Depois citam os nomes de séries novas e consagradas que seriam bem melhores aproveitadas se tivessem suas histórias lançadas em encadernados.E também de histórias  de Moore que não foram reeditadas nem na Europa.Se é assim deveriam ter lançado um título com material do escritor em volumes reunindo todo aquele que saiu pela 2000AD.E não espalhar contos de oito páginas ao longo das mensais.

O Editor de JDM,Pedro Bouça,contou ao site 2000ADBrasil;”o formato mix está irremediavelmente superado”.Quem nos dera!É só notar quantidade dele nas bancas para notar o contrário,e saber que toda vez que a Panini,por exemplo,quiser por pra rodar mais uma de suas “revoluções editoriais” haverá uma profusão de títulos mix em que só na matemática torta e conveniente da editora o leitor pagará menos por mais páginas.

O que se lê a seguir é uma sequência de piadas involuntárias.Bouça mostra sua irritação dizendo que; “quando eu precisava que divulgassem a revista ninguém mexia um dedo”.E Damasceno continua,fazendo um Mea Culpa pelo fato do Terra Zero não ter feito eco aos discursos sobre a importância da revista,que sofria o risco de ser extinta.Falando ainda,que é preciso dar apoio a quem milita em ajuda aos leitores que tentam evitar o fim da revista.

Vamos ver se eu entendi bem.A Mythos adquire os direitos de materiais da 2000AD e resolve publicar em uma edição cara,com poucas páginas e com histórias escolhidas por ela,e não pelo leitor,e ainda vem botar a culpa nos próprios consumidores pelo fato deles não “militarem” em causa da Juiz Dredd Magazine.Quem disse que nós temos que pagar pela imbecilidade das editoras?Quem disse que elas tem o direito de escolher por nós o formato e o conteúdo das HQS lançadas no país?

Peguem o exemplo de J.Kendall que quase foi cancelada,mas se recuperou graças a uma campanha feita pela própria Mythos.Então alguém poderia perguntar o porquê disso não ter sido feito com a revista do Juiz.É bem simples,J.Kendall não custava caro e só publica histórias da personagem.

Nunca ficou bem claro se as licenças pagas em quadrinhos americanos e europeus são caras e o quanto elas custam.Mas o sujeito que vai até a banca comprar não tem nada a ver com isso e nem tem que se preocupar se a editora que publica lançou uma tiragem mais baixa para evitar prejuízo.Se ela não pode arcar com a despesa de lançar a revista de modo acessível então não lance!

Nota-se que no final da notícia é adiantado aos leitores que sairá o encadernado Juiz Dredd Nas Garras Do Juiz Da Morte.Mas espere aí, isso não desmente completamente a viabilidade do formato mix defendida anteriormente pela editora? Ou seja,a Mythos como qualquer outra editora dá voltas para acabar admitindo a culpa por um problema que ela mesma faz sempre questão de criar.

Fontes:Zero Hora, Guia dos Quadrinhos e HQManiacs.






2 comentários:

  1. Gostei do ton da sua conversa, a babação jornalistica generalizada tbm me enche a paciencia e me faz perder tempo. Quanto ao formato da Juiz Dredd, eu até que gostava, confesso que comprei varias mas na li. Agora voltando a elas, depois de um tempo afastado dos qusdrinhos, descobri pelo sue artigo que a revista tinha sido cancelada.

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  2. Obrigado pelo comentário rodrigo, seja bem vindo ao blog. eu não sei se você percebeu,mas é inacreditável como os produtores de conteúdo de sites, blogs e canais do you tube fazem vista grossa para as cagadas da editora mythos! seus quadrinhos são escassos, desgraçadamente caros e prejudicados por decisões editoriais das mais imbecis. juiz dredd foi a tentativa da mythos de empurrar um mix (odeio esse formato) goela abaixo dos leitores, para depois lançar encadernados com suas séries principais. ela só esqueceu que quem compra quadrinhos no brasil são caras como eu ou você e não os donos de bancos! No mais, fique à vontade para visitar este espaço quando quiser.

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