sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Comentários à entrevista de J. P. Martins ao podcast do Universo HQ


Por: hds.



O dicionário define tradução como a transposição ou versão de uma palavra, frase, enunciado ou texto para outra língua. A palavra, seja falada ou escrita, deveria reunir qualidades que tornassem a tradução a mais fiel possível ao original. E sua função primordial seria tornar compreensível uma informação derivada de outro idioma.

Mas é claro que no meio disso tudo acabamos descobrindo que nada nela é tão simples como mostra o conceito. E isso acontece pelo fato mais óbvio: traduções são feitas por pessoas.

Especificamente no mercado de quadrinhos, a tradução tem um papel importante que vai do mais puro brilhantismo, até a mais profunda estupidez.

Deixo desde agora uma recomendação, o ótimo texto do site JBOX: O Grande Guia da Tradução.

Desde que os quadrinhos começaram a ser publicados em massa no Brasil, atravessamos todos os obstáculos que surgiram dentro do "simples" ato de ler adaptações. Em primeiro lugar, quase que a totalidade de revistas lidas no país é traduzida. Somente uma pequena parcela de consumidores preferem ou podem ler no original. Mesmo que isso esteja diminuindo aos poucos.

Dito isso, não é difícil imaginar o quanto os leitores de quadrinhos estão à mercê do trabalho dessa categoria: os tradutores.

Como as HQ's sempre foram consideradas infanto/juvenis dentro da cultura popular, a noção mais básica de que ela deveria ser traduzida de maneira fiel, no início, era passível de risadas. Afinal, por que se dedicar tanto num material feito para crianças?

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Como mostra a abertura do desenho do Thor da década de 60, o herói já foi chamado de "Barra Limpa". Seria alcoolismo? Uso de drogas pesadas? Nada tão sério. É somente a lendária preguiça brasileira mesmo. Os americanos tem o Tio Sam, nós temos o traste do Macunaíma! Sabe como é: culturas diferentes...


Da década de 60, quando os heróis da Marvel invadiram as bancas nacionais, até hoje, vimos toda sorte de alterações que beiram o humor involuntário. Formatos de publicação que, por si só, forçavam a adaptação à deturpação completa. incompetência. desleixo e descaso com o consumidor. Seja ele criança ou adulto. A mais evidente preguiça. E uma conveniência cínica amparada no velho "jeitinho brasileiro" de entregar um resultado ordinário.

Na definição, "Katzenjammer" significaria: depressão, fossa ou ressaca. Mas na tradução americana ficou "The Captain and the Kids". No Brasil saiu como "Os Sobrinhos do Capitão" e "O Capitão e os Meninos". Max und Moritz teve a ridícula adaptação para: "Juca e Chico".  

Devido ao convite do Tradutor João Paulo Martins para participar do 21º podcast do site UniversoHQ, tive a oportunidade perfeita de trazer este assunto à devida importância que ele merece.

Participam deste podcast: Sidney Gusman, Samir Naliato, Marcelo Naranjo, Sérgio Codespoti e, é claro, Jotapê Martins.

Um detalhe: algumas vozes em falas dos membros do site são difíceis de serem distinguidas. Sendo assim, vou transcrever suas opiniões de maneira integrada no texto. E antes de começar a ler este texto, naturalmente, sugiro que ouça o Confins do Universo nº21- Traduz pra Mim? até o fim para se inteirar da forma adequada. Agora vamos ao que interessa:

Sidney Gusman inicia o podcast contando o caso da alteração do nome do Batman feita pela editora O Globo de Roberto Marinho. Quando o magnata adquiriu os direitos do personagem para a revista Biriba Mensal (aqui Sidney deve ter feito uma confusão. Pois eu não encontrei nada relativo à uma revista chamada "Biriba Mirim"), a  editora Ebal já publicava um título como o nome Batman. Como os direitos da Detective Comics já estavam com a Ebal, a solução precária foi chamar o herói de "Morcego Negro".

Isso não deixa dúvidas de que a aurora das traduções de quadrinhos no país foi marcada por falta de profissionalismo e gambiarras toscas desse tipo. Daqueles tempos em diante teríamos décadas de atropelos pela frente...

Após Gusman citar vários nomes bizarros que foram usados em lugar dos originais, o próprio J. P Martins fala das traduções dementes de nomes de figuras como: Wolverine (que seria chamado de "Carcaju"!?! É, o importante é ter saúde. Física, porque mental esse sujeito já não tem faz tempo...).
O Yellow Jacket seria o "Zangão". Um nome ruim que soaria mal demais. Dare Devil, o popular Demolidor, atenderia pelo nome de "Desafiador". Nesse caso a tradução ideal deveria ter sido escolhida logo de início. Desafiador poderia colar (e teria mais a ver com a interpretação do original), mas poderia ter sido pior. Acredite. E temos também a tacanha versão imaginada pelo Jotapê do nome do Dead Man (DC Comics) para nossa terrinha sofrida: "Desmorto". Sério? O cara é tradutor e só conseguiu pensar num nome bosta desse?

João Paulo Martins

Jotapê começou a traduzir em 1979. Na época, foi até a Editora Abril e se ofereceu para traduzir duas histórias porque, segundo ele mesmo, se achava melhor do que qualquer um no mercado na época. Que ironia heim? Justo o cara que se tornaria o mais criticado tradutor do mercado.

Apesar de saber que Jotapê acredita nas groselhas que ele mesmo diz, Sidney Gusman tenta amenizar dizendo que ele é um sujeito "polêmico". Jura? E eu aqui pensando todo esse tempo que ele não passava de um arrogante e cabeça-dura.

Mesmo entrando na editora depois de Hélcio de Carvalho e antes de Dorival Lopes (ambos editores), Jotapê era o mais jovem da redação. Tinha apenas 19 anos.

O primeiro trabalho na Abril foram duas histórias do Capitão América, cujo título havia estreado em junho de 1979. Quando o tradutor fala que entendia mais de hq's do que Hélcio de Carvalho acaba atraindo risadas da equipe do UniversoHQ. Pela sua total cara-de-pau e ego inflado.

Continuou contando como aprendeu a ler em inglês comprando quadrinhos importados na Livraria Siciliano. O mais curioso nesse caso é notar que mesmo tendo aprendido sobre adaptações com os próprios quadrinhos, Jotapê ainda se orgulha de deturpar as mesmas hq's que admirava na juventude.

Hélcio de Carvalho

Hélcio traduzia naquele período também. E mesmo tendo mais experiência, colocou um moleque de dezenove anos que nunca havia visto na vida para fazer o trabalho de um profissional. Hélcio era outro que pouco se importava para a qualidade que as versões teriam no país. Por isso a dupla chegou à conclusão de que as tosqueiras que faziam eram ideais.

Após receber um teste, o novato J. P Martins "descobriu que não era o melhor tradutor do Brasil". E continua não sendo até hoje...

O convidado do podcast lembra das dificuldades em produzir uma revista com recursos precários pré-computação e internet. Fala do Copydesk e de como o texto passava por várias mãos até ir para a gráfica. Evitando que se cometessem erros. Ressaltando que hoje a quantidade de falhas nas publicações é bem maior. Embora isso não tenha a ver com adaptação, é a mais pura verdade. Mesmo os volumes de luxo estão infestados de erros.

Afirma que lançar histórias fechadas era melhor para o leitor, porque se adequavam ao formato magazine (ou Mix). E que a Marvel dificultava por causa da continuidade. Certo. Quer dizer que a continuidade atrapalhava? Ou será que era o fato dele mesmo e do Hélcio terem decidido atrasar a cronologia, fodendo com qualquer chance dos leitores brasileiros consumirem em tempo real as fases atuais?

O que acontecia na verdade era que, os editores, sempre que topavam com alguma cronologia, jogavam tudo no lixo e tocavam o foda-se. Assim poderiam continuar sendo incompetentes e facilitar seu trabalho porco! A prova disso é que já haviam exemplos de séries contínuas tanto nas hq's de heróis como em tiras de jornal e etc.

A auto-adulação cínica do tradutor não tem limites e (prepare seu estômago!) ele tem a pachorra de dizer que: " o compromisso com a cronologia foi inventado por ele e pelo Hélcio". Uma puta mentira escrota! Eles a evitaram o quanto puderam! E quando não deu mais para segurar, ainda adotaram-na com ANOS de atraso em relação ao original! E finaliza ressaltando que os dois mandavam na Marvel que ia às bancas de '79 a '83, e que ainda tinha poder sobre ela entre '84 e '92. Foi por isso mesmo que deu na merda que deu!

A primeira edição da Marvel pela Abril foi Capitão América

Segundo relatos do tradutor, a editora encomendou além do título do Capitão, Heróis da Tv. Mas exigiu que fossem editadas somente tramas fechadas. O tema do texto é sobre tradução. Mas é claro que não são só tradutores os responsáveis pelo estrago causado. Na verdade, a maior parte da notória falta de qualidade das transposições feitas no país são normas tacanhas estipuladas pelos donos de editoras, visando o corte de gastos.

Tanto é verdade, que Jotapê deixa evidente que gostaria que as revistas tivessem saído dentro da continuidade. Mas, segundo ele, teria que lançar as fases ruins. Pegando o que foi produzido de bom em décadas anteriores, eles trariam o que de melhor havia. Sei... E depois espremer tudo em revistinhas minúsculas, fatiadas e com um texto medonho reescrito por essa mesma turminha de tratantes? Que bela preocupação com a qualidade não é mesmo?

Ele confirma que poderia ter escolhido somente material de 1979 e ter editado dentro da ordem. Mas no fim das contas deu errado do mesmo jeito! Pois mesmo que a Abril não pudesse prever que sua linha de hq's iria aumentar (pelo fato de ter somente duas revistas) os editores acabaram usando isso como desculpa para embaralhar a sequência de histórias. Tenta usar o tamanho das duas hq's (56 e 84 pag.) para colar a ideia de que foi melhor assim porque não havia espaço. Mas é claro que teria sido vantagem ler as histórias atualizadas em formato 17x26cm. Mesmo que não lêssemos todas.  O que seria ideal pra você, ler Batman num título próprio grande e com material novo. Ou ler o herói emendado com outros nada a ver numa porcaria de revistinha encolhida? Sendo assim, se eles tivessem procurado organizar a linha do tempo na hora em que ela se expandiu, não teria complicado tudo na década seguinte. Década esta que traria o melhor dos quadrinhos até então. Quando todas as fases boas da Marvel e as Graphic Novels da DC saíram, tudo estava uma puta zona e não deu mais pra consertar.

A cegueira editorial da redação da Abril fez com que Batman-Ano Um e o Monstro do Pântano fossem publicadas na primeira versão em formatinho. Isso fez um estrago terrível aos trabalhos de Frank Miller e Alan Moore.

Discorrendo sobre as diferenças do formatinho da Abril em vista do "formato americano" (expressão essa que, se não foi criada pela editora, foi bastante popularizada. Pois a empresa iludia os leitores iniciantes, como foi o meu caso, fazendo-os pensar que as medidas 17x26cm se tratavam de algo "luxuoso"). O sujeito que deveria usar óleo de peroba na cara ao invés de loção pós-barba esclarece que o formatinho não era uma diminuição do original americano. Agora eu pergunto a qualquer pessoa que já tenha posto as mãos nos dois: que porra de diferença isso fez??? O formatinho da Abril acabou saindo uma meia-sola nojenta e deplorável do mesmo jeito! E ainda tem gente doente que defende isso! Sendo que, quando a Marvel estrou no Brasil em 1940 com o personagem Namor, a revista Gibi nº 142 da editora O Globo tinha 100 páginas e media 21x28cm. Antes da Abril, as editoras RGE e Bloch também haviam se arriscado com um formato inferior. Curiosamente, atravessaram períodos de dificuldades financeiras. Por que será?

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A capa de Homem-Aranha nº1 da RGE traz uma frase que soa ridícula. Mas sabe por que ela está entre aspas? Porque pertence, na verdade, ao escritor Walter Scott.


Sidney Gusman emenda ressaltando que havia a figura do "decorado" (ou dec) que não eram nada mais do que desenhistas que completavam a arte original à mão. Além desse, haviam vários outros funcionários dentro da redação que faziam modificações para tornar o formatinho possível. Um deles era o "montador". Isso era algo perceptível até para os leitores jovens. Que mesmo sem entender do processo de edição, percebiam os "retoques" mal-feitos de artistas que trabalhavam exclusivamente na editora nessa função. Como é fácil perceber, a Abril e seus editores preferiu fazer o caminho mais difícil e menos vantajoso. Para os consumidores...

Então temos editores e demais funcionários da Abril se queixando até hoje das agruras que passaram para levar essas hq's às bancas. Sendo que todas elas só existiram porque os mesmos optaram por encolher histórias. Ao invés de reproduzi-las do original.

Quando perguntado sobre as modificações. Sobre os remendos de quadros, reinscrições de textos, cortes de inúmeras páginas, decepar sequências inteiras e até a total supressão de personagens. O ex-editor da Abril manda uma frase de dar ânsia de vômito: "eu acredito que todo esse trabalho que eu vou falar agora é tradução de quadrinhos". Referindo-se às atrocidades que fazia na editora. Isso não é tradução seu bosta! É adulteração!

Compare o tamanho de um formatinho da Abril com a original americana e a versão da Panini. Uma com 13,5x20cm e o outro com 17x26cm.

Como exemplo de que não era só na Abril que se avacalhava com revistas, Jotapê lembra que a RGE e a EBAL fizeram coisas semelhantes. Quer dizer que se uma editora faz merda a outra está autorizada a fazer igual? Sérgio Codespoti embarca na óbvia ideia de que não dava pra lançar tudo que a Marvel tinha naquele período. Isso é mais do que evidente! Mas o que foi lançado deveria ter saído em formato original. Porque já havia sido feito antes e porque era melhor para o que viria depois. O mesmo Codespoti comprava hq's importadas, assim como Jotapê. É, tentar convencer os outros a ler lixo miniaturizado é bom quando não é VOCÊ que tem de ficar restrito a isso! Segundo Martins, "a Marvel também não estava nem se lixando" pra qualidade de suas revistas fora dos EUA. Irresponsabilidade da editora que deixava seus produtos sujeitos às decisões de tipos como esses.

Martins continua falando que aquilo que era feito não atrapalhava o entendimento do leitor. Como não? Se era fácil pra qualquer criança ou adolescente pegar edições de editoras anteriores à Abril e perceber que havia algo faltando. Pior ficava pra quem tinha acesso aos importados! É verdade que o malabarismo que essas pessoas faziam enganava os leitores. Mas não é aí que está fonte do problema?

Além do mais, a conversa de que a redação fazia um trabalho tão bem feito que não era notado é pura balela! Durante todo tempo a editora entupia os editoriais da revistas de textos explicativos. Na tentativa de desembaraçar a confusão que eles mesmo criaram. Tanto isso é verdade que se você pegar uma edição qualquer dos formatinhos, a maioria das cartas nas seções eram sobre dúvidas dos leitores à respeito da cronologia. As cartinhas eram escolhidas à dedo para desaguar dúvidas que ela precisava sanar com mais urgência.

E o que dizer então de personagens que foram simplesmente apagados?

Na histórica cagada da Abril, Noturno, Tempestade, Wolverine, Vampira e a Capitã Marvel sumiram. E Thor entrou onde não estava. Em Zero Hora, "apenas" dois heróis saíram da capa: um atrás da capa do Superman, que não consigo identificar. E o Starman da fase de James Robinson, que a Abril não teve interesse em lançar no Brasil.

Do ponto de vista do tradutor, o fato dos leitores não saberem de nada era uma vantagem e não um problema. Pra gente como Jotapê devia ser uma maravilha! Afinal, é bem mais fácil vender revistas para um público cego e burro. Mantê-los assim era essencial para o sucesso daqueles quadrinhos.

Mais uma vez Sidney Gusman conta como eram suas brigas constantes com seu amigo de longa data. Jotapê ironiza reforçando que ele é que estava certo de qualquer modo. Ele sabe que fazia atrocidades com aquelas histórias, mais prefere manter o cinismo para não ter que admitir. Sidney e os outros dão risadas fingindo que o "jota" fala isso porque na verdade não passa de um brincalhão.

O que ele faz de verdade é passar a falsa impressão de que dilapidava os originais por causa das circunstâncias. Mas nem ele, nem seus colegas tinham apreço (como não tem até hoje) por quem pagava seus salários. O consumidor sempre entregava o valor de capa inteiro, mas recebia em troca histórias picotadas.

Ainda sobre as Guarras Secretas, o tradutor fala que ficou contra a ideia da Marvel em trazer a saga simultaneamente com a Abril, somente por causa da linha de brinquedos da Gulliver. Tanto Marvel quanto a Abril ferraram com os leitores. Pois se uma queria adiantar e a outra queria atrasar, não importava. O motivo era o mesmo: conveniência.

O ex-funcionário da editora prossegue usando o exemplo dos filmes. O leitor conhece as hq's e quando vai ao cinema está tudo mudado. Besteira! O leitor infantil se diverte de qualquer jeito vendo filmes de heróis. E os mais experientes já esperam que ele não seja exatamente igual. Reclamam, mas veem do qualquer maneira. Se não por que eles renderiam bilhões como rendem hoje em dia? Samir Naliato aproveita para expor a contradição em relação aos textos informativos. Já que a própria Abril fez uso deles na Morte do Super-Homem. Mas a mula empacada do Jotapê insiste em dizer todos (menos ele, claro!) estavam errados. O mais triste nisso tudo é notar que nem a Marvel nem a DC procuraram consertar as marmeladas que a Abril aprontou durante quase duas décadas com seus heróis. Deixando que ela fizesse o que bem entendia.

As coleções da Marvel pela Gulliver foram amplamente anunciadas em comerciais nas revistas Abril.

Para o tradutor, o preço dos formatinhos justificava tudo. Mas de que adiantava pagar mais barato para ler menos? Além disso haviam quadrinhos na mesma faixa de preços que eram vendidos completos. As minisséries em "formato americano" eram vendidas em várias edições finas. Obviamente para ganhar mais dinheiro.

Durante a conversa, Jotapê mostra sua mentalidade antiquada, pensando que seria melhor se tudo fosse traduzido. Como o idioma falado aqui é o Português, o nome dos heróis  e seus nomes pessoais também deveriam ser acomodados na nossa língua. Como se fôssemos retardados e não pudéssemos assimilar nada vindo de fora! Tente adaptar um mangá como Lobo Solitário e convencer alguém de que ele se passa numa cultura que fala português. Essa ideia é imbecil e insustentável!

Mais uma vez subestima o povo, dizendo que o inglês que se fala no Brasil é ruim e que pouca gente fala os nomes dos personagens corretamente. Então vamos tratar todos como débeis mentais e desistir de aprender qualquer língua agora? Não seja escroto!

A Abril só veio publicar O Cavaleiro das Trevas DEZ ANOS depois da primeira edição! E quando lançou, foi em quatro volumes para sugar mais dinheiro dos leitores que tentavam fugir do mercado especulativo da época.

Também não podemos esquecer das citações aos inúmeros Jotapês que apareciam nas revistas. Qualquer figura secundária masculina poderia se tornar homônimo do tradutor esnobe. Essa tradição, todo mundo que lia Marvel e DC conhece. Será que o J. P Martins se achava tão dono dessas histórias que precisava assiná-las?  A comparação que faz de si mesmo com Alfred Hitchcock dá uma noção da falta de humildade da criatura. Ele só não fala que Hitchcock criava suas histórias.  Ele não vivia de estragar as dos outros.

Entre diversos comentários, fala que gosta da tradução "Lobesbo" para; "Wolverine" que foi usada na Espanha. E que, se fosse por ele, o personagem Morpheus (Dream) de Sandman seria chamado de "Devaneio". Devaneio é o que esse palhaço tem dentro da cabeça.

Enquanto a entrevista avança com os presentes fazendo chacota da teimosia do tradutor, alguns relembram nomes esquisitos adotados em versões das editoras. Jotapê aproveita a concordância de Samir Naliato para mandar esta pérola: "o tradutor também é criador". Conversa fiada de babacas sem profissionalismo! O tradutor é um adaptador de obras! Ele não cria nada e só realiza algo digno quando compreende seu papel.

O exemplo de From Hell é válido, mas é exceção. Não deve ser aproveitado para corroborar absurdos de traduções. E pra ter um vago conceito do distúrbio mental desse cidadão, vamos rir com a opção ao nome "amante" escolhida por Jotapê para a Silk Spectre da série Watchmen: ela seria a "teúda e manteúda" do Dr Manhattan!!!!!.......!?! Puta merda!

Quando a Abril resolveu reeditar Watchmen foi mais "boazinha" com os leitores. Ela não só demorou DEZ ANOS para ser relançada, como saiu em "suaves" 12 edições. E por incrível que pareça, a tradução do Jotapê não foi pior que a do malfadado Estúdio Criarte.

Como não precisava se reportar a nenhum superior, Jotapê confirma que era o editor que tomava conta da Marvel sem nenhuma restrição. E a esta altura, tendo frisado que ficou por mais de uma década definindo os rumos da editora americana no país, ele é questionado se cortar quadrinhos não seria uma "ingerência". Jotapê manda uma resposta típica de sua total truculência: "sim, mas pergunte se eu ligo?". E seguiu dizendo que: "quadrinhos são uma arte puta". Como ele fala em causa própria está coberto de razão! Na mão de incapazes como J. P. qualquer arte vira uma puta!

Pretende validar seu descaramento com um argumento mais desfalcado que sua cabeça careca: "isso é porque os quadrinhos surgiram por causa de dinheiro". Até uma criança conseguiria refutar uma asneira dessas! Qual é indústria de divertimento que não surgiu para render dinheiro aos seus investidores? Você acha que uma conglomerado como a Disney teria chegado longe se fosse uma organização filantrópica? Quanto à besteira de teimar que hq's não devem ser levadas à sério, tome o exemplo do cinema. Logicamente foi feito pata divertir. Mas não é tratado como produto de baixa cultura, de nicho. Pelo contrário, é largamente respeitado no mundo todo!

Pra arrematar, confessa que se orgulha de ter cortado 120 páginas de minissérie Terra X na Mythos. Você acha que uma cavalgadura como essa ainda tem jeito?

Próximo do final do podcast Sidney Gusman explica que quando uma revista vendia abaixo de 35.000 era cancelada na Abril. E hoje em dia quadrinhos de super-heróis não chegam a vender nem isso.

Ao final, Jotapê fala bastante sobre o processo de edição de quadrinhos nos tempos da Abril. Mas a maior parte são divagações chatas que interessam mais a quem atua na área.

Durante muito tempo, essas ainda vão ser as únicas opções de quem conhece a verdadeira qualidade das traduções no mundinho das edições feitas no Brasil pelas editoras.

Depois de escutar o episódio do podcast ou ler este texto, os leitores neste país só podem ter uma conclusão: a de que se tivemos que tolerar a destruição indiferente das traduções feitas no Brasil desde o início do mercado, é por culpa de tipos detestáveis como J. P. Martins.

Não é a faixa etária dos consumidores de uma obra que deve determinar se ela vai ser bem transposta para outra língua ou não. Filmes e livros tem um acabamento mais decente. Por que com os quadrinhos temos essa esculhambação? Se você paga por algo feito para entreter, seja criança ou velho, deve receber em troca um material bem refinado. Regionalismos e condescendência com o público produzirá mais uma geração de ignorantes. Quer auxiliar o consumidor? Coloque informações anexadas ao produto. E não tente perverter traços de uma cultura na intenção bajulatória de agradar preguiçosos. Gírias e maneirismos linguísticos são patéticos e deixam aquilo que se quer adaptar medíocre e datado.

Não bastasse toda a falta de vergonha que vemos, da última década até hoje o volume de quadrinhos em bancas e livrarias mais que dobrou. E qual foi o resultado disso? Editoras desesperadas contratando qualquer zé ruela oportunista que se achasse tradutor na ânsia de atender à demanda. Nunca se pagou tão caro por transposições tão porcas. São calhamaços de luxo com dezenas de erros grosseiros de gramática e concordância.

O que a maioria desses "profissionais" não fazem questão de reforçar é que: pra traduzir bem, é necessário QUERER traduzir bem! A despeito do que os próprios incompetentes desse ramo declaram, a tradução NÃO DEVE servir como extensão da personalidade ou um fragmento do seu ego pretensioso! Afinal, trata-se de um trabalho! Se a demanda de trabalho é grande, a organização e o cuidado devem vir em primeiro lugar. Nesse setor editorial: pressa + trabalho é = a DESASTRE!

Poucos leitores sabem disso, mas o tradutor em casos variados e dependendo da editora pra qual trabalhou, recebe direitos (royalties) pelo serviço. Não sei exatamente como funcionam as regras, mas é por esse motivo que vemos um tradutor da Panini defecando num texto que você até já havia lido melhor em outras versões. Um exemplo: o texto que os amantes do selo Vertigo leram na Tudo em Quadrinhos (editora extinta) não pode ser usado em possíveis encadernados de outras editoras. É por essa razão que temos a impressão de que os tradutores nunca chegam à consenso nenhum sobre nomes de personagens. Porque um evita traduzir no rastro do outro! O tradutor no Brasil age como aqueles animais que urinam em cima de algo para "demarcar" aquilo que lhes pertence. Sendo assim, sempre tem de mudar. Mesmo que saibam que o resultado vai ficar um belo estrume!

Os tradutores, bem como todos os profissionais de entretenimento precisam aprender a ter respeito pelo consumidor. Precisam aceitar que tapinhas nas costas dos amiguinhos em panelinhas só fazem bem a eles e não ao público. E quem compra quadrinhos, revistas, livros, filmes, jogos ou demais artigos. Deve aprender a tirar sua bunda mole e covarde da cadeira e exigir qualidade no que consome! O mercado de lazer e diversão nunca cresceu tanto como nos dias atuais. Mas junto desse crescimento, deve vir acompanhado o profissionalismo, a estrutura e principalmente respeito a quem financia tudo isso...

Essas foram as minhas opiniões sobre a entrevista de J. P Martins. Vou aproveitar a despedida para deixar um link do post: Briggs: um parasita, para quem gosta do tema. O post é do blog Kamen Raider (Oraider.blog).


Fontes: UniversoHQ, Guia dos Qudrinhos, Wikipédia, Kamen Raider e Jbox. 



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