quarta-feira, 20 de julho de 2016

Aviso aos leitores: Tenham cuidado com a "Matemática da Panini"!


Por: Hds

O que fazer em tempos de pouco dinheiro e muitas revistas? Fácil, menos impulso e mais planejamento!

Já chamei a atenção para o fato de que estamos atravessando uma fase terrível em textos anteriores. A economia está péssima, e mesmo que você deteste este assunto, acaba sendo afetado por ele de qualquer maneira. 

Por isso, a atitude mais natural para um leitor que se preocupa com seu dinheiro, é ter cuidado e não sair levando qualquer quadrinho em qualquer condição proposta pelas editoras.

Já ouvi se falar bastante na "matemática Panini" para explicar porque o leitor vai levar menos e pagar mais. Afinal de contas, toda vez que ela vem com alguma conversa sobre "revolução editorial", os nossos pobres salários acabam pagando o pato! Sendo assim, vamos dar uma olhada de perto nos preços que andam sendo cobrados pelos volumes encadernados e avaliar se estamos mesmo saindo na vantagem.

Este texto tem a clara intenção de instigar o consumidor de hq's brasileiro a tomar medidas simples, na necessidade de avaliar cuidadosamente o custo/benefício em suas compras. Vou tomar como exemplo somente algumas revistas da Panini, mas é evidente que o raciocínio é válido para todas as editoras!

Um bom exemplo de discrepância está no preço de capa da série Invisíveis. O primeiro volume teve 236 páginas, o segundo teve 208. 28 páginas à menos pelo mesmo preço de R$25,90, o que já daria para incluir mais uma história, visto que o padrão de uma edição americana é de 22 a 24 páginas. Lembrando que, mesmo quando a Panini lança um volume com mais de 200 páginas, ela costuma não inclui extras em todos eles.

Com os volumes 4, 6 e 7, ocorre uma coisa curiosa: todos eles custaram R$23,90, mas houve um decréscimo respectivamente de 188, 164 e 148 páginas! Ou seja, os leitores pagaram o mesmo preço para que o segundo volume perdesse 24 páginas e o terceiro 40! Espertinha heim, dona Panini?

Falar de um título como Miracleman pela Panini é chutar cachorro morto, mas vamos analisar este caso. Da edição 2 até a 15 a revista custou R$7,50. Teve 52 páginas, o que daria uma média de duas histórias por edição. Mas a editora encheu a revista de extras inúteis na tentativa de justificar o preço. Você pode até dizer: "Ah!, mas o papel é off-set, melhor que o pisa brite". É mesmo? Então vamos comparar com outra edição como a Espetacular Homem-Aranha, que custa R$8,70, mas tem 68 páginas e vem com papel LWC. E diferente de Miracleman, que veio cheia de lixo fazendo peso na revista ao invés de histórias, Espetacular Homem-Aranha tem três histórias e papel de qualidade. Na prática, você paga R$1,20 à mais para ter o miolo da edição ocupado com histórias (que é o que interessa) e não artes originais dispensáveis e historinhas velhas e abobalhadas!

Outro detalhe que venho notando é a diferença de preços de uma edição mensal e dos encadernados da Vertigo, DC e Marvel. Existe uma desvantagem notória, que a maioria dos leitores deixam passar despercebida. Pegue uma edição de 148 páginas como a Sombra do Batman, que tem papel pisa brite e é vendida por R$17,20. E compare com o Batman de Gene Colan (com 1 mês de diferença) que possui apenas 140 páginas. Paga-se R$6,70 à mais, por duas histórias à menos! O papel do Batman de Gene Colan ainda nem é melhor que o LWC, sendo ele o off-set.

Agora pense você que é defensor do execrável formato "mix": você pagaria R$23,90 numa revista mensal do Batman? Algumas encadernações da Panini estão dando a ideia de que o leitor tem a vantagem de ler uma fase longa, esperando menos para ler várias histórias e pagando somente pelo que querem ler, mas na prática está é pagando mais caro. ABRAM O OLHO!

Muitas das vantagens em comprar essas encadernações vão se perder, pois, com revistas como Astro City- Heróis Locais, já atingimos a marca dos R$28,90 (dentro do formato capa cartão e papel LWC). Daqui a pouco vamos pagar acima dos R$30,00 por um simples encadernado. Se tivermos mais séries longas como Fábulas, não vai ter bolso que aguente.

Não é preciso ser muito esperto para perceber que para cada tipo de revista, existe um equivalente que prova, através do preço ou da qualidade do acabamento, que as editoras brasileiras não seguem um padrão lógico. A único traço em comum que podemos observar é a malandragem usada para arrancar mais dinheiro do leitor. E notem que eu nem citei os livros de luxo! Esses aí são um verdadeiro atestado de insanidade mental e irresponsabilidade com o próprio dinheiro. Querem um conselho velho e confiável? Em tempos de dificuldade, a melhor arma para não ser feito de idiota é: pesquisa e muita cautela!












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