sexta-feira, 14 de agosto de 2015

A Falta de Objetivo e Seriedade dos Vlogueiros e Blogueiros de Quadrinhos.


Por:Hds



Não considero a insatisfação humana um sentimento ruim.Se você tem alguma admiração pela capacidade intelectual das pessoas,deve ter percebido que as mais variadas figuras de destaque na história mundial foram pessoas inquietas e atentas a detalhes que passavam despercebidos pela grande maioria das pessoas.

Dentro e fora do mundo do entretenimento,existem milhões de criações que foram feitas partindo da simples ideia de que “isto aqui poderia ficar melhor se fosse feito assim...”. A maioria das pessoas realmente possuem uma tolerância absurda ao processo de repetição e eu fico impressionado com a predisposição delas ao aceitar isso. A explicação mais cabível para esse fato não pode ser outra se não preguiça e acomodação.

A internet serviu de via rápida e eficiente para uma propagação de bilhões de sites, blogs, canais de vídeo e redes sociais. E boa parte deles acabaram fazendo com que você descobrisse que a rede mundial é maravilhosa para se consumir conteúdo direcionado para o público ávido por diversão, e também que, para tirar proveito dele você terá que atravessar um maremoto de porcarias que inundam os sites de busca. E é claro que com os quadrinhos não seria diferente.

Tendo por base a minha própria experiência em buscar informação sobre hqs na internet, posso dizer que foi exatamente o sentimento de total insatisfação que me fez criar este blog. Pois tive de perambular exaustivamente por um deserto de atraso mental, empolgação infantil, senso de humor tosco e falta de noção mínima de como se deve transmitir informação para um público de nicho como o dos leitores de quadrinhos.

As Crianças que tanto gostam de Quadrinhos.

Começamos a gostar de quadrinhos bem cedo, crescemos com eles e aprendemos que nem só de super-heróis, tiras e turma da mônica são feitas as boas histórias. Mas por que quando olhamos de perto as pessoas que leem e produzem conteúdo vemos que a mentalidade delas evolui tão pouco?Alguém me explique por que o entusiasmo burro e o desinteresse por uma informação mais profissional e crítica são quase uma regra entre os donos de blogs, sites e vlogs?

Se você lê um post qualquer, ele provavelmente vai falar de algum evento cretino de uma grande editora que pretende reformular todos os personagens somente para torná-los mais apelativos e mal-escritos do que já estão. Só que o sujeito que o escreveu vai estar ocupado demais babando em cima das fotos de divulgação para prestar atenção em detalhes desagradáveis e opinar de forma sensata sobre os mesmos.

Vlogs e PodCasts são geralmente usados como um tipo de “palco de apresentação de palhaços”, onde temos que aguentar gente sem graça tomando o seu tempo com piadinhas babacas e cheias de referências que somente fans de hqs vão entender. Às vezes temos uma troca de xingamentos bestas dignos de uma sala de aula de quinta série. E adivinhe se no meio disso tudo sobra espaço para pesquisa, informação cuidadosamente coletada ou mesmo um conteúdo bem elaborado? É claro que não. Eu tenho uma teoria de que o povo brasileiro sofra de um tipo de auto-ilusão coletiva em que acredita ser o país com a população mais engraçada da face da terra, quando na verdade passa bem longe disso. De que outra forma explicar o porquê de tanta gente desesperada para chamar a atenção para si próprio ao invés de concentrá-la no conteúdo do trabalho?

A Falta de Postura e Originalidade

Eu não sei em que tábua sagrada está escrito que se alguém falar de algo que gosta, seja lá de que mídia ela venha, deva fazer isso de forma forçadamente alegrinha e com um entusiasmo ingênuo que beira a demência. Não estou dizendo que o texto deva parecer um obituário sem senso de humor. Quero dizer que se essa turma que gosta de jogos, hq´s, séries e filmes fizessem algo mais centrado, no mínimo, sairiam na frente de 80% da mesmice que encontramos por aí. Parcerias com outros sites é bem vinda quando não altera a qualidade do original. E não adianta ficar mendigando visitas ou fazendo piadinhas sobre como seria bom ser bancado por um patrocinador e ganhar presentinhos. Isso não soa engraçado, é só vulgar e merecedor de pena.

Os temas são um assunto crucial. O ideal é abordar de tudo um pouco, pois matérias e vídeos feitos só pra mostrar o último (de vários) teasers daquele filme que vai sair somente em 2018 pode parecer bombástico. Mas é bom lembrar que ele provavelmente será postado em outros trocentos lugares. Pensar que o veículo no qual você divulga informação é seu, e afinal de contas o seu gosto é que prevalece e dane-se os outros, vai transformar-lo num ermitão orgulhoso da própria imbecilidade. Se você tem alguma intenção de soar original deve pesquisar bastante antes de sair replicando notas do Bleeding Cool, CBR,Newsarama e oferecer uma opinião séria, independente de acabar fazendo algumas inimizades.

Matérias e Vídeos não são Trabalhos de Conclusão de Curso

Alguma vez você já leu um review ou matéria que parecia um catálogo de lista telefônica ou manual de instruções de tão chato que era? Exatamente o oposto do besteirol engraçadinho existe também. A impressão que tenho é a de que sempre vai haver idiotas que acham que quadrinhos podem “divertir educando”. Sinto muito dizer para esses coxinhas estúpidos, mas as crianças e jovens leem revistas justamente pra fugir, como o diabo foge da cruz, da mazela bocejante que são os livros didáticos. Sendo assim, professores e pais enjoados e comportadinhos: deixem elas em paz!

É bem comum ver indivíduos rastejantes por reconhecimento, tentando dar um “ar acadêmico” a uma abordagem nos comics pelo qual ninguém pediu. Escrevendo duzentas linhas de texto completamente pedantes e tentando discorrer sobre aspectos sociológicos e políticos descartáveis a um meio de entretenimento leve e agradável como esse. Tudo isso com o simples intuito de reforçar o desbotado e retrógrado pensamento de: “por favor, levem minhas revistinhas a sério. Elas na verdade são obras de arte sem o devido mérito concedido pelas pessoas!!!”. Prefiro me alegrar pelo fato dos quadrinhos serem ótimos do jeito que são, sendo “somente para entreter” e não tentar puxar o saco de ignorantes pra me sentir aceito por uma maioria de acerebrados.

Entendam de uma vez: Menos é Mais

Na pressa de corresponder aos seus parceiros de mídia muitos blogueiros entulham com banners, links, imagens, pop ups, comerciais e filminhos a página inicial. Geralmente isso torna a navegação tão agradável e límpida quanto mergulhar num aterro sanitário! Instintivamente prefiro visitar sites com visuais práticos e simples, sem que fiquem brotando caixas e telas que atrapalham e tentam empurrar produtos para os quais não dou a mínima atenção. Isso vale pra todos eles, inclusive os mais acessados.

Do mesmo jeito que retirei essa ideia do “menos é mais “ de uma das citações de Steve Jobs que me lembro, também posso lembrar da teoria da “dispersão após os dez primeiros minutos” da qual muitos vlogueiros parecem não ter conhecimento. Tornar um vídeo de análise ou notícia interessante depende da mistura certa de tempo e informação apresentadas.

Achar que reunir leitores em comum tagarelando sobre o que acham sobre um herói ser mais forte que o outro não torna um debate bom de ser visto. Vídeos curtos demais passam a visão de que o sujeito ali não tem nada mais completo para transmitir. Criar quadros variados e repletos de curiosidades ajuda a fisgar e manter a preferência do espectador. O segredo, na verdade, não é segredo. É embasamento e esforço mesmo!

Deixei o ponto mais visceral para o fim; a opinião. Se qualquer que seja o Youtuber quiser se destacar entre os milhares que existem recomendo demonstrar uma capacidade refinada de notar detalhes dentro desse mercado. Uma intuição para pinçar temas populares e não acabar se tornado esnobe. Ligar a câmera e sair falando sobre o que gosta nisso ou naquilo já não vai atrair nem uma mosca pro seu canal sem que seja mostrado um bom domínio do assunto. Canais com tipinhos deslumbrados e dando chiliquinhos entusiasmados (alguns fazendo papel de retardados) multiplicam-se aos montes por aí.

Resenhas, Análises e Reviews são mais importantes do que todo mundo pensa.

Se acima demonstrei a cultura de desleixo com que os quadrinhos são tratados exatamente por quem mais declara seu amor incondicional pelos mesmos, pegue agora esse desleixo e multiplique por dez.

O hábito em comum que todo leitor de hq´s tem, sem medir o seu grau de envolvimento, é o de ter que tirar o seu dinheiro do bolso para comprá-los. Então por que em toda a internet só o que vejo são irresponsáveis usando critérios absurdamente vazios e tendenciosos para indicar alguma compra? É justamente nessa hora que uma relevante e cuidadosa avaliação se faz necessária, afinal é o seu salário ou mesada que pode estar indo ralo abaixo!

Vamos considerar que a maioria dos colecionadores assistem e leem exclusivamente em sites campeões de acessos. Eles vão dar de cara com aqueles exatos bananas que indicam um quadrinho esquisito iraniano impresso em papel tipo papelão e tinta de caneta esferográfica com desenhos pavorosos, que provavelmente recebeu o Eisner de hq mais chorona e emotiva sobre a condição humana. A propósito, alguém ainda acha o Troféu Eisner infalível?

A qualidade das resenhas no brasil ainda pode ser mais deplorável se levarmos em conta a burrice e fanatismo por certas figuras famosas (Alan Moore é Alan Moore e merece notas altas somente pelo nome, certo?) ou histórias enxaguadas em babação e elogios nada tímidos (quem se lembra da santíssima trindade; Watchmen, Sandman e Cavaleiro das Trevas? Revistas velhas suspensas em altar por fans chatos e intransigentes).

Adeptos da máxima “cale a boca e leve meu dinheiro” geralmente me dão embrulho no estômago. Dispensável dizer que ganhar reais nesse país é uma tarefa cada vez mais difícil com o valor da moeda submersa em inflação, mas parece que esse fato nunca será o suficiente para pôr juízo na cabeça dos bobalhões da comunidade quadrinhística. Encadernações estourando os recordes de custo. Detalhes cuidadosamente colocados, como capa dura e extras inúteis. Truques fajutos induzindo o leitor a ter um escândalo caso não consiga garfar a sua edição especial de luxo por “humildes “ R$69,90, R$89,90 ou R$120,00 reais.

O consenso da massa de consumidores nunca vai tornar tudo isso mais aceitável. A linguagem de fã incondicional se tornou banal e insuficiente para comunicar dentro da rede mundial. Pelo jeito já passamos realmente da hora de superar a nossa mentalidade de criança com trocados sobrando no bolso e começar a assumir uma responsabilidade melhor sobre nosso tão amado hobby.

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