quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Como a Marvel está empenhada em subverter o conceito de Super-heróis para influenciar seus leitores.


Por: Hds


A Toda "Nova", Toda "Diferente" e Toda Esculhambada Marvel!

Eu tenho a nítida impressão de que a pior coisa que aconteceu na indústria americana de quadrinhos nas últimas décadas, foi o aumento da inserção de temas políticos/sociais nas histórias de super-heróis. Eles já existiam há muito tempo e estavam presentes de uma ou outra maneira, de forma que não adianta dizer que se trata de algo inédito. O problema é que estes assuntos estão encontrando nos quadrinhos o meio propício para embutir noções tendenciosas na cabeça dos leitores, seja qual for a faixa etária. Assuntos do tipo ganharam força nos quadrinhos alternativos de autores como Robert Crumb nos anos 60. E  agora, esses tópicos voltaram com força nos títulos da Marvel e DC e ameaçam fragmentar mitologia desses personagens, configurando-se numa verdadeira doença no mercado americano.

Na atual fase da Marvel: a Marvel Now!, o Gavião Arqueiro (Clint Barton ) foi responsável pela morte de um dos vingadores originais dentro de Guerra Civil 2. Julgado e considerado pelos próprios heróis um traidor, Clint foi aclamado pela opinião pública, que (convenientemente) o recebeu como um herói por ter supostamente evitado uma tragédia.

O gavião decide, assim, formar sua equipe de vingadores, chamados de Occupy Avengers.

A Marvel achou que cairia bem colocar o nome de um movimento de protesto como título dos Vingadores.

A nova série é roteirizada por David Walker e desenhada por Carlos Pacheco e Gabriel Walta. Ela não terá heróis superpoderosos, como afirmou o roteirista. Walker ressalta em sua revista que o gavião está passando por uma crise de consciência e vai atravessar o país ajudando pessoas carentes e excluídas.

Ao longo de décadas, os heróis se envolveram em todo tipo de luta por justiça, igualdade e defesa de inocentes. Mas às vezes, essas lutas não retratavam os problemas das pessoas em geral, e sim o direcionamento político que os autores queriam "sugerir" aos leitores.

A luta por igualdade do Falcão está ligada à história do Capitão América.

Na década de 70, já vimos o Falcão viajar pelos EUA com Steve Rogers tentando resolver os problemas do cidadãos comuns. O herói do gueto passava mais tempo no Harlem, um bairro pobre de Nova York, do que combatendo ameaças ao lado de outros personagens. Daquela época pra cá, fomos apresentados  ao quadrinho que eu considero o divisor de águas entre os quadrinhos "engajados" que é: The Authority.

Eles são sexys, descolados e não se importam em derrubar a sua cidade na sua cabeça para provar que estão certos!

Quando foi lançada, Authority foi como uma bomba jogada no meio do pacífico e relativamente previsível mercado de hq's americano. Tudo que você puder imaginar sobre ativismo e ideologias estão lá: minorias, ecologia, religião retratada de forma pejorativa, ações violentas, desobediência aos órgãos governamentais, invasão à territórios de outros países, entre outras "demandas" do grupo.

A equipe do escritor Warren Ellis passa por cima de governos e atropela fronteiras internacionais. Estraçalham cidades, matando milhares de civis por onde passam. Matam seus oponentes de maneira despreocupada, pondo em prática uma espécie de "banditismo socialmente aceitável" para impor suas regras de maneira arrogante, agindo como verdadeiros terroristas superpoderosos. Ou seja, agem como uma força da paz e da ordem, mas não passam de justiceiros, de assassinos cínicos e ignorantes. Apesar da qualidade técnica da série, não dá pra esconder seus valores duvidosos.

Mas é claro que, entre os leitores deslumbrados e analfabetos políticos, Authority vai soar como a coisa mais à "frente do seu tempo", "genial" e "bacana" do mundo. Aliás, não só entre os leitores, mas entre artistas da esfera editorial. Como o sempre militante escritor Grant Morrison, que não somente rasgou seda para a revista na época em que saiu, mas também escreveu o prefácio da encadernação do primeiro volume, antecipando que ela: "ditaria o futuro dos heróis" a partir dali.

O "Capitão Hydra", o sonho molhado da Marvel de ter um Steve Rogers assumidamente contrário aos Estados Unidos.

Essa é a real causa pela qual já assistimos ao Superman rejeitar sua cidadania americana. O porquê de termos um capitão envelhecido e retratado como dono de "valores ultrapassados". Ex-Machina, com o herói-prefeito Mitchell Hundred despejando sermões políticos. Ou mesmo a nova equipe dos Champions da All New-All Different Marvel, um grupelho de quinta categoria, liderado por um Ciclope adolescente e com integrantes do naipe do Hulk engomadinho; Amadeus Cho. Nova (aparentando ser uma versão jovem). Kamala Khan, a heroína mais ordinária e supervalorizada dos últimos tempos! E ainda Viv, a filha (!?) do Visão.

A ideia transmitida aqui está visível para quem quiser: a Marvel quer convencer seus leitores de que o super-heroísmo, em seu aspecto mais tradicional e consagrado, está fadado a desaparecer. Que está inválido, caduco, antiquado e desconexo da atual realidade. Uma bela mentira escrota! Vendida aos leitores numa edição com capa de luxo envernizada!

A Marvel quer convencer você a pagar caro para ler histórias de equipes lotadas de heróis medíocres.

Debaixo do pretexto da moda de que: "estes são outros tempos", tanto consumidores mais velhos, como os novatos da editora, estão sendo surpreendidos com quadrinhos que fogem do padrão de entretenimento para entregar histórias protagonizadas por figuras infames e abarrotadas de doutrinações auto-corretivas.

Um dos editores da Marvel, Tom Brevoort já havia dito que os heróis deveriam ser mais como "ativistas". O escritor de Occupy Avengers afirmou que o líder da equipe vai representar os "oprimidos e rejeitados", lutando contra as desigualdades. Para isso, os heróis não vão enfrentar vilões poderosos como o Doutor Destino, ou algo do tipo. Mas vão atacar empresários e magnatas da indústria, que "roubam" os menos privilegiados. Quer dizer, David Walker quer ver seus super-heróis bancando os justiceiros sociais e não derrotando super-vilões.

Nem levando bofetadas o Gavião Arqueiro vai acordar e perceber que está perdendo tempo com banalidades!

Na fase do Gavião Arqueiro escrita por Matt Fraction, Clint Barton não se ocupava de nada muito relevante. Preferia dispensar seus esforços em cuidar de um cachorro e fazer churrasco com moradores do seu prédio. Algo patético para um vingador! Mas a revista foi tratada como uma pérola lá fora e aqui no Brasil.

Walker ainda citou que, a exemplo da clássica passagem de Neal Adams e Dennis O'neil com a dupla lanterna/arqueiro verde, Clint vai "cair na estrada" e encarar os REAIS problemas da América. O que esse palhaço não vai dizer é que quadrinhos de super-heróis NÃO FORAM FEITOS PARA REPRESENTAR A REALIDADE! Nenhum leitor começou acompanhar as aventuras do Quarteto Fantástico para vê-los bancando os assistentes sociais, e sim para aproveitar uma aventura com ficção e embates monumentais!

Com o mapa dos EUA na mão, os Vingadores estão prontos para se tornar heróis "pé-na-estrada". E para a se tornar um pé-no-saco também 

D. Walker lembrou que no universo Marvel existem mafiosos como Wilson Fisk (Rei do Crime) e que os heróis deviam perseguir criminosos como ele que causam danos diretamente às vidas dessas vítimas. Imagine que tédio seria ver alguém como o Doutor Estranho lutando com empresários e políticos corruptos? A "grande sacada" de Walker em formar uma equipe de integrantes sem poderes, por si só, já é bocejante.

A verdade sobre a crescente onda de "comprometimento social" por parte da Marvel e das demais editoras é que esses donos de editoras, editores, escritores e desenhistas sabem que o consumidor de quadrinhos estão numa faixa etária mais alta. Mesmo com os filmes atraindo mais leitores infantis e juvenis, o público hoje, é majoritariamente adulto. E por isso, suscetível à influências de discursos considerados adultos.

Mandem esse time de reservas para o chuveiro e tragam os titulares, por favor!

A Marvel Comics quer, da maneira mais venenosa e desonesta, incutir culpa na mente dos leitores. Fazer com que se sintam envergonhados por lerem histórias de super-heróis que "somente" batalham com vilões movidos por ambições egoístas, representadas através de personagens alegórico/idílicos. Mas isso é parte da essência dos quadrinhos de super-heróis. O que essa gente perturbada quer é fazer com que o fã se sinta diminuído por gostar de vivenciar as proezas escapistas de seus ícones de infância. Querem que o leitor se curve diante de sua histeria perversa, que não admite que alguém pense em diversão, enquanto todos esses horrores e injustiças assolam o mundo! Ou seja, querem transferir suas neuroses para você!

A falsa preocupação com minorias, que dependeriam de "representatividade" e espaço nas páginas de seus títulos, garantidos à base de cotas. O uso de termos-armadilhas como: "Socialmente Conscientes". A rastejante e mesquinha atitude de fazer com que crianças e jovens duvidem da utilidade de seus personagens preferidos, questionando se eles não deveriam ser mais como agentes comunitários. A covardia de escritores e artistas em "surfar" na onda de fiscalização politicamente-correta, da qual muitos dos artistas da chamada "invasão britânica" como: Alan Moore, Peter Milligan, Warren Ellis, Grant Morrison entre outros foram pioneiros. E o pior de tudo isso: a constante degradação e corrosão do conceito de Super-heroísmo, infligido como necessário para se "revisar" a função dos heróis nos dias de hoje.

É importante que não deixemos que essa tendência hedionda mascarada de "visão de futuro" acabe com a liberdade nos quadrinhos. Histórias em quadrinhos desde sempre foram feitas para estimular a imaginação, antecipar noções de coragem, benevolência e lealdade, incentivar o hábito de leitura e, principalmente divertir.

Você, leitor de super-heróis, não deve aceitar, por quaisquer motivos que seja, sentir-se impedido de admirar seus campeões preferidos. Ser acuado por uma intimidação tacanha e repressiva, que intenta incutir culpa em quem somente busca se entreter. Tenha em mente a ideia de que esses personagens são e sempre serão a mais acessível e poderosa orientação moral que uma criança pode ter na sua infância. E não meras peças de manipulação de um proselitismo hipócrita.

Exija da editora que mantenha os personagens íntegros e conservando suas melhores características. Reclame em redes sociais e nos e-mails das editoras. Boicote revistas que promovam alterações ardilosas nos heróis, com a evidente finalidade de corromper suas biografias. É preciso mostrar que a
riqueza desses personagens, adquirida ao longo de muitas décadas de trabalho de artistas talentosos, não dependem de transições culturais forçosamente impostas a essas figuras. Vida longa aos Heróis Marvel!!! A despeito do desprezo que a própria editora anda mostrando por eles...



Pra que eles estejam sempre prontos para combater o mal, você vai ter que lutar por eles!!!





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