quinta-feira, 24 de março de 2016

Review nº1: Ms Marvel-Nada Normal

Por:Hds




Título: Ms. Marvel-Nada Normal
Autores: G. Willow Wilson (roteiros) e Adrian Alphona (desenhos)
Preço: R$18.90 (capa cartão) e R$26,90 (capa dura)

Este review cobre apenas o primeiro arco de cinco partes encadernado.


Kamala Khan é uma adolescente muçulmana que tem problemas para conviver com a cultura de sua família e parentes. Motivada por atritos com seus pais, Kamala resolve fugir para uma festa dos seus amigos de escola quando é pega pela "névoa terrígena" que libera poderes latentes. Daí em diante vemos a jovem enfrentar as dificuldades de entender e conviver com seus dons.


Ms Marvel já começa iludindo os leitores pela sua capa, temos uma figura de uma garota com expressões sérias , quase adultas (embora aquele sinal no rosto a deixe mais com cara de baranga). Nela, a garota aparece com roupas de uma adolescente normal e também cheia de adereços de sua cultura nativa. Muitos leitores jovens devem ter pensado; "Putz! Que foda!". Mas a verdade é que; esta capa que foi feita propositalmente para causar impacto deixando uma impressão "legal" entre crianças e adolescentes, não passa de uma cópia de uma capa do desenhista Gary Frank para Supergirl nº1 de 1996. Vejam abaixo:






Garota com expressão fechada, enquadramento da boca para baixo, roupas descoladas e adereços (skate, gargantilha, pulseira e anel)? Confere!


Sem perder tempo somos jogados numa cena típica de "choque de culturas". Debaixo de piadinhas bestas Kamala admira um hambúrguer, mostrando que apesar de ser proibida de comer carne ela é apenas uma garota normal.






Somos então apresentados ao inútil núcleo de amigos burros e irritantes da personagem, agindo como figurantes de um seriado babaca de tv americano. Cheios de comentários banais e moldados em arquétipos baratos, os amigos da protagonista são totalmente dispensáveis para o desenrolar da história. Só estão lá para encher linguiça. Destaque para Zoe, a amiga/troll de Kamala. Ela é o mais fiel retrato de uma patricinha insuportável. Grosseira e cínica, ela faz o papel da americana loira-burra que menospreza hábitos estrangeiros por considerá-los "exóticos". Apesar disso Kamala a admira, num claro exemplo de de adolescente sem auto-estima, mas com "grande potencial para a bondade e tolerância".


Aliás, a própria Kamala não passa de mais um tijolo na construção do biotipo irritante do herói acanhado e hesitante. Até quando vamos ver personagens fracos e vacilantes em filmes, livros, séries, jogos e demais peças de entretenimento? Será que alguém ainda aguenta ver mais um Charlie Brown, Peter Parker, Shinji Ikari (Evangelion) ou qualquer outro notório perdedor depressivo? Tipos assim além de chatos são inverossímeis.

As cenas entre familiares servem somente para mostrar como seus pais são obtusos e tacanhos. Para situar o leitor dentro de um ambiente familiar previsivelmente problemático. O pai de Kamala (Abu) é imbecilmente punitivo e injusto. A mãe dela (Ammi) é um tábua sem opinião e somente concorda com tudo que o marido decide, reclamando e proibindo. Seu irmão (Aamir) é um vagabundo que se esconde atras de uma postura viciada de religioso extremamente dedicado para não ter que trabalhar. O problema aqui não são as personalidades defeituosas da família da heroína. Defeitos de personalidade, se bem trabalhados, tornam os personagens até mais interessantes. Desde que sejam vistos realmente como defeitos e sejam colocados dentro de um contexto aceitável. Em Ms. Marvel, a família de Kamala está lá para nos inserir no mundinho dos pitorescos costumes da cultura muçulmana e fazer uma falsa exposição dos seus problemas.

Outra presença constante é sua amiga Nakia, que serve como um papagaio no ombro de K.Khan balbuciando regras e dogmas da cultura/religião de seu povo, para servir de contraponto óbvio as suas escapadas. Nakia seria igual a uma beata rabugenta ou uma religiosa carola sempre criticando e reprovando tudo que sua jovem amiga faz.





Na sequência da festa vemos que os garotos e garotas são sempre superficiais e construídos de maneira preguiçosa. Adolescentes não são exatamente criaturas mentalmente prodigiosas, mas todos abaixo da família de Kamala são propositalmente estúpidos para passar a ideia de: "eles são idiotas e descuidados porque são ocidentais". Após a expansão da "névoa terrígena" (me sinto um idiota tendo que digitar isso..), não fica explicado o porquê de somente Kamala ter manifestado poderes.

No terceiro número a escritora apela para o já completamente batido esquema de "temor pela revelação da identidade secreta". Isso é tão sem criatividade como são as mortes nos quadrinhos. Mais à frente, um pouco do exemplo de como a religião islâmica pode ser gentil e graciosa com as mulheres; Kamala e Nakia vão a uma mesquita onde nem sequer podem entrar pela mesma porta que os homens. Também não podem se sentar ao lado deles para assistir um culto. Ajoelhadas na mesquita, ouvem todo tipo de baboseiras que nenhum jovem no mundo ocidental perderia tempo ouvindo: castidade, o "perigo" do álcool e das "tentações" do mundo moderno. Kamala como uma boa heroína, sempre contestadora, perturba a calma do ambiente com seus questionamentos inconvenientes. Quanta ousadia da nossa heroína, heim?





Na escola, a Ms Marvel de última hora, passa por incríveis "confusões e trapalhadas" para esconder sua identidade. Quando vai em busca de ajuda e conselhos de seu amigo Bruno acaba presenciando um assalto forjado e é baleada. Nesse momento você até poderia imaginar que a revista seguiria um caminho mais sério, mas acho que nem o leitor mais inocente seria tão tapado a ponto de acreditar nisso. Até porque Ms. Marvel é um quadrinho "teen" com humor em boas doses, o  que não significa que esse humor seja bem feito ou engraçado...




Após uma sequência de lições de moral do tipo: "seja você mesmo" descobrirmos que Bruno tem sentimentos por Kamala. O roteiro está lotado de furos e situações mal-explicadas. Por que fazer um drama com o tiro levado pela protagonista se a situação seria resolvida de forma tão escapista? Por que se dar ao trabalho de esconder a identidade para se transformar na frente de policiais? Por que sua família vive em Nova Jersey? Somente para falar mal do modo de vida americano, usar palavreado estrangeiro e citar trechos pinçados do Corão? Tirando isso ainda temos truques de antecipações narrativas velhos como fazer com que Kamala "sonhe" em ser igual a uma super-heroína e poucas páginas depois ela realmente se tornar uma. Bem conveniente, não acham?

A ultima história (ainda bem!) coloca a nossa heroína de nariz côncavo no resgate de Vick (irmão de Bruno) que foi aprisionado por uma gangue liderada por uma figura misteriosa: o inventor. Depois de fracassar na primeira tentativa, Bruno ajuda Kamala a se preparar para invadir o covil do inimigo e resgatar de vez Vick. O arco de cinco edições termina com um vilão sendo apresentado, mas não qualquer vilão e sim um com cabeça de calopsita (?!?).

Ler Ms. Marvel do número 1 ao 5 foi o suficiente para me deixar irritado. Essa revista levou diversos prêmios, incluindo o Angoulême (prêmio de melhor série). Como justificar isso? É bem simples, existe uma onda de favorecimento da cultura islâmica nos estados unidos atualmente. Ela se infiltrou nas redações de jornais, nas tvs, na internet e também nos quadrinhos. Propõe a ideia falsa de que os costumes islâmicos são ordeiros e pacíficos.

A roteirista do título é G. Willow Wilson, uma americana convertida no islamismo que não possui uma carreira pregressa nos quadrinhos. Ela somente foi convocada para escrever Ms. Marvel por entender sobre o islamismo o suficiente para entregá-lo de maneira convincente para o público de quadrinhos ocidental.

Antes de escrever este review li outros textos analisando a revista e notei opiniões como: "Ms. Marvel não é panfletária", Ms, Marvel é um quadrinho corajoso" ou Ms. Marvel é importante para derrubar os mitos sobre os muçulmanos". Em primeira instância, a afirmação de que ela não é panfletária é mesmo verdadeira. Pois Ms. Marvel não é só panfletária, é bem pior que isso!

Pare para pensar um pouco, se você quisesse fazer uma história para influenciar crianças e adolescentes como faria isso? Fácil, ao invés de empurrar goela abaixo sua agenda ideológica evidente, você teria muito mais êxito lançando um quadrinho superficial, apresentando uma heroína que de cara já se mostra deslocada, não do seu bairro ou da sua classe na escola, mas do próprio país onde vive. De cara mostrando um personagem como uma vítima oprimida pela falta de compreensão da maioria. Colocá-la para fazer piadinhas e ironias com as repressões aberrativas da sua cultura para fazer parecer que está sendo contestativa. Recitar passagens "leves" do Corão, dando a falsa noção de "religião de paz".

Ms. Marvel não é um quadrinho corajoso, é insidioso e come pelas beiradas. É mais pretensioso e perversivo do que se pensa. Justamente por ser abobalhado e inocente vai atingir um número maior de leitores fazendo com que uma geração de crianças cresçam acreditando que a maior parte da cultura e religião islâmica são admiráveis, algo bem longe da verdade! A autora da revista quer nos acomodar numa realidade que não deveria ser transposta sem a responsabilidade de conhecimento prévio de história e política para antecipar discursos e ideologias nocivas. E se sabemos que nenhum leitor jovem precisa ter essa noção prévia para gostar de super-heróis, fica mais claro ainda que assuntos como esses não deveriam constar em produtos de entretenimento. São colocados ali para manipular ideias, mesmo que sejam de crianças e adolescentes desavisados. O lugar desse encadernado de Ms. Marvel é na lata do lixo.

ROTEIROS:Tramas banais, sem criatividade. Histórias apinhadas de clichês. Situações de conflitos e subversão"teen" baseadas na velha fórmula batida de ocultar a identidade. Narrativa escapista e rasa. O clichê de: "não consigo controlar meus poderes". Estereótipo cansativo do herói tímido e inexperiente.
DIÁLOGOS: Superficiais e não ajudam a avançar na história. Repletos de ironias e piadas ruins sobre super-heroísmo. Forçado e cheios de referências inúteis aos costumes de fora dos EUA. Potencializam o caráter irritante de certos personagens.
DESENHOS: Os traços de Adrian Alphona são toscos, preguiçosos e pouco detalhados (repare nos rostos feitos com traços e pontos). Disfarçados com uma boa pintura e sombreamento digital. Figuras deformadas e desproporcionais (repare em alguns figurantes).
ACABAMENTO: A Panini lançou a edição em dois tipos: uma em capa cartão e outra em capa dura com poucas histórias e papel do miolo em LWC. Nada incomum, edição no padrão típico dos encadernados da editora.
CUSTO-BENEFÍCIO: Existem dezenas de histórias sendo publicadas no Brasil que visam o nicho infanto-juvenil com qualidade real e preço acessível. A maioria delas são os mangás da própria Panini e da JBC (fora os milhares de super-heróis nas bancas...), sendo assim, comprar esse volume é um desperdício notável de dinheiro.

EXCELENTE    
ÓTIMO                
BOM                    
MEDIANO         
REGULAR
FRACO
RUIM 
PÉSSIMO


2 comentários:

  1. Que resenha péssima viu, e serio leia como critico e não como fanboy pq isso e ridículo.

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  2. eu li revista até o primeiro arco, que foi de unde tirei a base para escrever o review. Analisei o quadrinho em vários tópicos e apresentei os motivos para considerá-lo tão ruim. Entendo que ele foi feito para um público mais novo (crianças e adolescentes) e isso não é problema algum. Mas realmente não vejo motivo para retirar uma palavra do que disse. A autora G.Wilson escondeu uma mensagem dentro do quadrinho que considero desonesta e nociva para o público alvo. Obrigado pelo comentário e seja bem vindo(a) ao blog.

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