quarta-feira, 9 de março de 2016

Vamos analisar o que aconteceu no  43º Festival Angoulême?


Por:Hds.

Este texto é um comentário sobre o boicote à 43º edição do Festival Angoulême noticiado no site Universo HQ através de uma postagens recorrentes sobre o fato ocorrido.

O Festival Angoulême existe desde 1974 e premia quadrinhos de dentro e fora da Europa há 42 anos.
Desde o ano de sua estréia a premiação nunca enfrentou problemas iguais aos que enfrenta hoje, independente de quem tenha escolhido ou das obras agraciadas. Na 43º edição dezenas de artistas, editoras e profissionais ligados ao evento decidiram boicotá-lo. Por que isso aconteceu? E por que somente agora?

Em primeiro lugar é preciso entender que atualmente todos os meios de arte e informação estão sendo alvos de uma onda de "limpeza" onde profissionais assumem posturas inflamadas e revoltosas. Acusando, reclamando, exigindo (sempre sem autoridade alguma para isso) e armando escândalos vexatórios em busca de apoio popular e atenção dos meios de comunicação. Tendo dito isso, fica claro que a intensão deste texto é expor as ideias por trás destes "manifestos corretivos" que andam se tornando cada vez mais constantes e tendem somente a se espalhar.

Tudo começou quando Riad Sattouf (O Árabe do Futuro) postou em 5 de janeiro uma declaração se dizendo "feliz por ser indicado,mas triste por não haver nenhuma mulher" entre os 30 artistas da lista de indicados. Disse ainda que preferia ceder sua vaga para artistas como; Rumiko Takahashi, Julie DoucesAnouk RicardMarjanie Satrapi ou Catherine Meurisse.

Riad Sattouf viu "problemas" no Festival Angoulême que nem as mulheres conseguiram enxergar.
Em primeiro lugar, por que Sattouf se diz feliz e depois triste pelo fato? Se ele não concorda com a lista de premiados e ficou ofendido pela falta de presenças femininas, então não deveria ficar feliz em momento algum. Ao menos seria coerente com sua própria atitude, por mais hipócrita que ela seja. Outro detalhe é que o autor desrespeita o prêmio ao falar que preferia "ceder" seu lugar às mulheres, pois a escolha foi feita pela organização do evento. Se eles julgaram que Riad merecia receber um prêmio, no mínimo é uma completa falta de vergonha e educação entregar sua vaga para outro artista. Tirando isso, temos o detalhe mais ridículo de tudo: se nem as mulheres indicadas anteriormente se manifestaram sobre a ausência feminina no evento, por que Riad (um homem) resolveu dar fazer carinha feia e dispensar a premiação?

É certo que em épocas de policiamento politicamente correto em alta,acender uma fagulha de um protesto fútil e alarmista como esse não é nada difícil. O que incomoda nessa história é ter que ver um marmanjo se portando como uma feminista histérica.

A ideia de Sattouf foi seguida por vários outros indicados como: Milo Manara, Daniel Clowes, Charles Burns e Chris Ware. É bastante curioso ver alguém como Milo Manara apoiando um papelão como esse, sendo que algum dia essa caça às bruxas vai acabar se voltando contra ele mesmo quando alguma artista decidir que seus quadrinhos eróticos são "ofensivos às mulheres".

O escritor e desenhista Joann Sfar (O Gato do Rabino) disse que "nunca se sentiu representado pelo festival por milhares de razões" e chamou-a de "feudal e improdutiva". Certo. Agora vamos deixar uma coisa bem clara para essa gente birrenta: premiações de quadrinhos não foram feitas para "representar" ninguém! Se qualquer artista se sente chateado por não fazer parte de uma lista ou não ter recebido o devido reconhecimento deste ou daquele evento ignore e vá cuidar de sua vida. E não fique se lamuriando querendo forçá-los a premiá-lo! Isso é mimado, covarde e digno de pena!

A repercussão do boicote foi tão grande que a ministra da cultura da frança, Fleur Pellerin, disse que; "A cultura tem que ser exemplar em termos de paridade e no respeito à diversidade e não é isso que foi visto. É surpreendente, mesmo que as mulheres estejam em minoria entre os quadrinhistas, que numa lista de 30 nomes não conseguiram achar uma mulher para homenagear. É uma situação anormal".

Por mais complacente que a ministra esteja dos injustiçados no festival (os ministros na frança não devem ter lá muita coisa para fazer...), a verdade é que não é ela quem decide pelo evento sobre quem ou em que quantidade deve-se receber homenagens e sim os responsáveis pelo Angoulême. Mulheres estão em minoria no mercado internacional de hq's porque não tem interesse nessa área o suficiente para fazer número como os homens fazem. É por isso que elas não devem ser "achadas" para ganhar. Só devem ganhar se fizerem por merecer, com talento e qualidade superior aos quadrinhos feitos por homens.

O site Collectif des créatrices de bande dessinée contre le sexisme (coletivo dos criadores de quadrinhos contra o sexismo) da forma mais infantil, uma arma usada com frequência por tipos como esses, fez um trocadilho com a sigla do evento. Festival Internacional de la Bande Dessinée (FIBD).Virou; Femmes Interdites de Bande Dessinée (ou: mulheres barradas dos quadrinhos).

Percebe o alarde cínico? Mulheres ao longo de décadas foram premiadas pelo festival, mas somente por não haver mulheres este ano temos essa revoada de gralhas abanando os braços, atacando e xingando um evento antigo e importante da Europa de sexista e preconceituoso. Pura canalhice!
Mesmo que o Angoulême seja tendencioso e opte por premiar artistas "engajados", algo que eu não tenho ideia. O mínimo que pode ser dito é que essa gente está cuspindo no prato que comeu, já que muitos deles se tornaram famosos sendo finalistas da mesma premiação.

A ilustradora Coco em entrevista à uma rádio exclamou:"Foi de propósito? Não podemos esquecer que também existem mulheres!"

Outra opinião torta. Outra ideia exagerada típica de mulheres cuja única orientação política vem através do feminismo demente. É tão fácil refutar baboseiras como essa que basta somente inverter os papéis e teremos a real clareza da falsidade por trás delas. Quer um exemplo? Temos um setor da indústria completamente dominado por mulheres como é o caso da moda.Você alguma vez já viu homens se exaltando a promovendo marchas exigindo por mais espaço nas grifes e desfiles pelo mundo afora? Não, e nem vai ver! Pois é claro que a maioria absoluta dos homens estão se lixando para o mercado da moda mundial.

Penélope Bagieu falou que a lista era "uma discriminação evidente", o que não passa de uma mentira nojenta e sem sustentação. Já que o festival sempre premiou mulheres em toda a sua história. E continuou: "uma total negação da representatividade". Não é realmente repulsivo quando esse pessoal inventa um termo estúpido e "convoca" a sociedade a aceitá-lo como se fosse algo natural?
A mesma Bagieu ainda afirmou que; "Nós pedimos apenas uma consideração da realidade de nossa existência e valor". Depois dessa fica difícil não correr para a pia do banheiro para vomitar...
Vejam só quem está falando de consideração, alguém que boicota, reprova e condena sem vergonha nenhuma! E se existisse alguém capaz de dar aulas de noção de realidade, com certeza não seria uma anta que milita em prol de ideologias escrotas como ela faz!

Outra desenhista, Marion Malle, citou mulheres que fizeram história nas hq's como: Alison Bechdel, Catel, Barbara Canepa, Debbie Dreschler, Julie Doucet, Chantal Montellier, Trina Robbins e Jeanne Puchol. Depois disso usou o exemplo de Zep (Titeuf) como artista que teve carreira curta, gerou apenas um grande sucesso e mesmo assim ganhou o Grand Prix de 2004 do Angoulême.

Todas essas mulheres, assim como as que se pronunciaram a favor do boicote, não tem e nunca vão ter o direito de escolher pelo evento quem deve ser premiado. Se boa parte dessas mulheres estivessem preocupadas em escrever e desenhar seus melhores trabalhos ao invés de mendigar vagas em premiações, estariam mais perto de receber reconhecimento verdadeiro. E não teriam coragem de partir para a baixaria de tentar reduzir o trabalho de outros artistas como Malle fez com Zep. É desse jeito que se conquista respeito? Rebaixando as obras de outras pessoas?

Franck Bondoux, diretor do evento, tentou reagir aos protestos comunicando que: "O festival não pode distorcer a realidade, mesmo concedendo o fato de que a lista realmente poderia ter incluído o nome de uma ou duas mulheres". Disse também que não iria incluir um sistema de cotas e questionar a obrigatoriedade da inclusão de mulheres no critério de seleção do prêmio, que deveria refletir os méritos da carreira dos artistas, sejam eles homens ou mulheres. Embora o diretor esteja certo em alguns pontos, de nada vai adiantar ser comedido com artistas cegos pela própria conveniência. É exatamente das "cotas e direitos" que essa cambada está atrás.

Apesar do bombardeio vindo dos artistas envolvidos, a organização lembrou que o Grand Prix é somente uma categoria do festival, que possui títulos para todos os demais quadrinhistas. Não que essa declaração vá surtir efeito, afinal de contas os próprios responsáveis já se preocuparam em garantir que as próximas edições do evento incluam mulheres, com medo de represálias vindas da turba de bebês chorões.

O que se pode concluir de todo esse espalhafato infantil?

Temos um evento de décadas de existência sendo apedrejado de todos os lados por artistas mesquinhos e arrogantes, mulheres hipócritas munidas de pura sanha vingativa contra algo que jugam
ser machista e não "representativo", entidades como o Sindicato Nacional de Editoras da França (um dos países mais insuportavelmente ranhentos e "ativistas" da Europa) metendo o nariz onde não deveria, profissionais dos quadrinhos de vários lugares do mundo como Brian Bendis defendendo essa marmelada patética por pura covardia e condescendência barata e a própria organização do festival dando pra trás quando acuada por vigaristas intelectuais.

A tendência é vermos tudo isso se agravar. Veja o que aconteceu na CCXP de 2015, lá estavam a turma dos caga regras de boina verde "militando" por suas causas medíocres. Virou regra em diversos eventos. A diversão deu lugar a panfletagem descarada e conceitos auto-piedosos que são forçadamente empurrados goela abaixo do público leitor. Cabe a nós frear essa onda de infiltração vitimista dentro do mercado de quadrinhos. Antes que não sobre mais nada além de neurose e culpa auto-infligida.
















































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