quarta-feira, 19 de abril de 2017

A editora Mythos volta a ameaçar o bolso dos leitores com o retorno de Zenith de Grant Morrison


Por: Hds.

Zenith é de uma fase "Alan Mooriana" de Morrison.

Zenith surgiu na edição nº 535 da revista britânica 2000 AD. Idealizado pelo roteirista e ocultista fake nas horas vagas Grant Morrison. 

Robert N. C. Macdowell  é um cantor e guitarrista pop hedonista que representa o único exemplar de super-humano restante na Inglaterra. Quando um grupo de místicos resolve trazer de volta entidades de outra dimensão para dominar a terra, Zenith é coagido por velhos heróis aposentados para combater a ameaça. 

Um médico geneticista que havia trabalhado no projeto para criação da primeira geração de super-seres nos anos 60 e um Yuppie multi-milionário planejam atacar Londres, e somente o nosso herói inspirado na personalidade narcisista do autor poderá nos salvar.

A capa da edição em que Zenith estreou na 2000 AD.

A Mythos, a editora preferida dos acionistas da bolsa de Nova York, vai finalmente trazer de volta o personagem ao Brasil. Zenith - volume 1 terá 208 páginas, formato 18,7x25,9cm e capa dura pela "multa/punição" de R$74,90.

O quadrinho foi publicado pela primeira vez pela extinta (ainda bem!) editora Pandora Books em Janeiro de 2000. Já faz um "tempinho" não é mesmo? Pois é. É do mercado nacional que estamos falando (Cof! Cof! DEZESSETE ANOS!).

Naquele época a Pandora achou interessante pôr um artista nacional pra refazer as capas. O resultado? Uma bosta!

Influenciada pela Editora Abril, no período dos anos 90 em que ela ariscou lançar sua linha Vertigo (tempos terríveis!), a Pandora trouxe a "fase um" da hq britânica em preto-e-branco, formato americano e 52 páginas. Engraçado notar que a revista foi editada como minissérie. Dividir um arco de histórias que não rendiam nem 100 páginas em duas edições era típico das trambicagens das editoras naqueles anos.

Falar dos preços de ingresso de show que a Mythos cobra está se tornando cada vez mais insustentável nos dias atuais. A Panini (e não a Mythos ou a Devir) estabeleceu sua linha de "encadernados para um público seleto" (entenda-se: otários que perderam a noção de valor do próprio orçamento) com preços ultrapassando os R$125,00.

Falando assim, R$74,90 no estado de Nirvana em que a dita "cultura nerd" se encontra hoje no Brasil não passam de meros trocados, perto da disposição hipnótica com a qual os chamados Geeks esvaziam suas carteiras com produtos cujo preço só avançam nos dígitos. Ao passo que tentam escapar da extorsão virando zumbis de mega-promoções em livrarias como a Amazon.

A Mythos esteve presente desde sempre, colocando seu tijolinho para construir o presente panorama dantesco em que o mercado de hq's se observa: elitizado ao extremo e deslocado da péssima realidade que atravessamos.

Fontes: UiversoHQ, Wikipédia e Guia dos Quadrinhos.



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