Mostrando postagens com marcador comentários. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador comentários. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

UMA OMELETE DE OVOS PODRES



Por:  Hds.



Não existe limites para a canalhice da turminha do site Omelete.

Neste dia 27 de janeiro, ninguém menos que Frank Miller completou 60 anos de vida. Falar sobre sua carreira e seus méritos como ilustrador e escritor é pura divagação. Mas o fato é que um excelente artista está completando aniversário e é claro que isso ganharia as páginas de sites, publicações e blogs internet afora.

O que nos traz ao tema do post.

A equipe de hipócritas mais rica e famosa do mercado de entretenimento brasileiro fez uma nota sobre, e aproveitaram para "homenagear" Miller. O mais interessante sobre o texto é que, de acordo com a mente pestilenta dessa gente, celebrar a carreira de Frank Miller implica em chamá-lo de fascista! Esse é o respeito que os colaboradores mostram pelo escritor.

Eu já havia relatado a falta de vergonha do site ao lidar com Miller em um texto anterior chamado: "O Gênio que virou fascista"

O post deles é extremamente preguiçoso, não diz nada de novo. Faz somente um parágrafo porco e logo depois põe uma lista de links de matérias antigas. Note que, além de dissimulados, os redatores ainda são covardes. Pois colocaram exclusivamente textos com títulos onde não há nenhuma ofensa a Miller. Foram eles: "A tragetória de Frank Miller", "Os filmes de Frank Miller", "Omelete entrevista Frank Miller" e "[OmeleTV] Um tributo à Frank Miller". Este último, curiosamente, sem o subtítulo: "gênio ou fascista?".

Falar mal de F. Miller e depois estender um tapete vermelho quando ele vem ao Brasil. Se você acha que isso é de uma falsidade nojenta, não está enganado! A coisa é bem por aí!

Como foi dito no texto do blog indicado acima, a primeira vez que li uma crítica raivosa a Frank Miller no Omelete foi num texto de Douglas Spadotto: "Frank Miller - um fascista nos quadrinhos". Um sujeito demente que, pelo que pude notar, contribuiu pouco com o site. Mas que foi o autor da matéria (de 2002) mais agressiva em relação ao artista.

No texto: "A trajetória de Frank Miller",  escrito para ter o que falar do autor e gerar expectativa com o encontro do mesmo na CCXP2015, Waldomiro Vergueiro afirma que Miller está no panteão de criadores como: Stan Lee, Jack Kirby, Will Eisner e Jim Steranko. O editorial do site chamou um professor formado em diversas áreas para escrever sobre a trajetória de Frank Miller, meio que para estabelecer um "campo neutro". Já que a matéria de Waldomiro se concentrou bem mais em narrar o percurso do autor na indústria.

Já no vídeo indicado, Érico Borgo, Marcelo Hessel e Marcelo Forlani anunciam que o episódio se trata de um tributo ao mestre Frank Miller. Dado o fato de que o próprio se encontrava em situação ruim de saúde. Uma boa ideia lembrar a vida e obra de Miller. Só não venha me dizer que fazer esse "tributo" quando o autor estava doente (isso parece até aquelas "homenagens" da TV Globo que estão mais pra obituários! Algo do tipo: se ele morrer, pelo menos ninguém vai poder dizer que não falamos bem dele!") e chamá-lo de fascista na chamada do vídeo pode ser considerado boa coisa!

O programa de 8:02 minutos é vazio de conteúdo como quase tudo no site. Temos três palpiteiros fingindo saber falar do tema que tratam e um desfile de informações tediosas.


Se Frank Miller soubesse pra que tipo de gente anda cedendo entrevistas mandaria esses cretinos do Omelete à merda!

O site Omelete alcançou sua fama produzindo conteúdo raso para uma audiência pouco ou nada exigente. Apesar de inaugurar o site pra falar de hq's, sempre foram mais voltados para o cinema (assunto do qual entendem o mínimo. Pelo menos no que se refere aos bastidores). Principalmente depois que este começou a render dinheiro. Fizeram números em visualizações com vídeos lotados de conversas inúteis, piadinhas internas das quais só eles riam e muita cagação de regra. Um ambiente de fundo de sala de aula de quarta série onde seu tempo era jogado no lixo com baboseiras. As populares bolas-foras dos comentaristas.

E de uns anos pra cá o Omelete piorou significativamente. Na clara intensão de agradar ao máximo de visitantes possível, resolveram escancarar suas posições e se tornaram verdadeiros justiceiros-sociais. Aproveitando a onda politicamente-correta para vomitar sua agendinha supostamente "inclusiva".


Repito novamente aquilo que já afirmei: a brincadeira de "morde e assopra" do Omelete com Frank Miller só evidencia o mau-caráter de seus produtores.

O caso da CCXP  de 2015 foi o exemplo mais gritante da falta de vergonha na cara dos integrantes do site. Antes e durante o período em que malharam Miller em vídeos e textos, as mesmas figuras moveram um esquema digno de astros de Hollywood para acomodar o criador de Elektra no evento. E enquanto sorriam de orelha a orelha entrevistando Miller num espaço reservado. Os visitantes ficaram de fora babando enquanto observavam. Sendo assim, eu pergunto a qualquer leitor que saiba da importância de uma figura emblemática como ele: como é possível dar crédito a uma atitude tão repugnante como essa? Se Frank Miller não fosse amado como é, essa cambada de ratos do Omelete não teriam que fazer o alarde que fizeram em cima de sua vinda ao Brasil!

Miller já deixou transparecer opiniões políticas contrárias em seus trabalhos. Mas aqueles que o acusam de "extremista de direita" ou de "fascista" estão certos em fazer isso só porque agora são contrários as suas opiniões? É claro que não! Errados de verdade estão aqueles que sorriem na sua frente e o apunhalam pelas costas como fazem seus "fãs" do Omelete. Daqui em diante, Miller vai ser sempre o "gênio" detestado da indústria. Lembrado por seus méritos e apedrejado por uma mídia desonesta e duas-caras.

Tenho um certo desgosto em escrever um texto para denunciar hipócritas como esse povinho do Omelete. Ao invés disso deveria parabenizar e recomendar trabalhos que provem o talento e inventividade de Frank Miller. Mesmo assim e antes tarde do que nunca: Parabéns pelo aniversário desse ilustrador e escritor indispensável. Saúde e vida longa!



sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

COMENTÁRIOS À ENTREVISTA DE J. P. MARTINS AO PODCAST DO UNIVERSOHQ



Por: hds.



O dicionário define tradução como a transposição ou versão de uma palavra, frase, enunciado ou texto para outra língua. A palavra, seja falada ou escrita, deveria reunir qualidades que tornassem a tradução a mais fiel possível ao original. E sua função primordial seria tornar compreensível uma informação derivada de outro idioma.

Mas é claro que no meio disso tudo acabamos descobrindo que nada nela é tão simples como mostra o conceito. E isso acontece pelo fato mais óbvio: traduções são feitas por pessoas.

Especificamente no mercado de quadrinhos, a tradução tem um papel importante que vai do mais puro brilhantismo, até a mais profunda estupidez.

Deixo desde agora uma recomendação, o ótimo texto do site JBOX: O Grande Guia da Tradução.

Desde que os quadrinhos começaram a ser publicados em massa no Brasil, atravessamos todos os obstáculos que surgiram dentro do "simples" ato de ler adaptações. Em primeiro lugar, quase que a totalidade de revistas lidas no país é traduzida. Somente uma pequena parcela de consumidores preferem ou podem ler no original. Mesmo que isso esteja diminuindo aos poucos.

Dito isso, não é difícil imaginar o quanto os leitores de quadrinhos estão à mercê do trabalho dessa categoria: os tradutores.

Como as HQ's sempre foram consideradas infanto/juvenis dentro da cultura popular, a noção mais básica de que ela deveria ser traduzida de maneira fiel, no início, era passível de risadas. Afinal, por que se dedicar tanto num material feito para crianças?


Como mostra a abertura do desenho do Thor da década de 60, o herói já foi chamado de "Barra Limpa". Seria alcoolismo? Uso de drogas pesadas? Nada tão sério. É somente a lendária preguiça brasileira mesmo. Os americanos tem o Tio Sam, nós temos o traste do Macunaíma! Sabe como é: culturas diferentes...


Da década de 60, quando os heróis da Marvel invadiram as bancas nacionais, até hoje, vimos toda sorte de alterações que beiram o humor involuntário. Formatos de publicação que, por si só, forçavam a adaptação à deturpação completa. incompetência. desleixo e descaso com o consumidor. Seja ele criança ou adulto. A mais evidente preguiça. E uma conveniência cínica amparada no velho "jeitinho brasileiro" de entregar um resultado ordinário.

Na definição, "Katzenjammer" significaria: depressão, fossa ou ressaca. Mas na tradução americana ficou "The Captain and the Kids". No Brasil saiu como "Os Sobrinhos do Capitão" e "O Capitão e os Meninos". Max und Moritz teve a ridícula adaptação para: "Juca e Chico".  

Devido ao convite do Tradutor João Paulo Martins para participar do 21º podcast do site UniversoHQ, tive a oportunidade perfeita de trazer este assunto à devida importância que ele merece.

Participam deste podcast: Sidney Gusman, Samir Naliato, Marcelo Naranjo, Sérgio Codespoti e, é claro, Jotapê Martins.

Um detalhe: algumas vozes em falas dos membros do site são difíceis de ser distinguidas. Sendo assim, vou transcrever suas opiniões de maneira integrada no texto. E antes de começar a ler este texto, naturalmente, sugiro que ouça o Confins do Universo nº21- Traduz pra Mim? até o fim para se inteirar da forma adequada. Agora vamos ao que interessa:

Sidney Gusman inicia o podcast contando o caso da alteração do nome do Batman feita pela editora O Globo de Roberto Marinho. Quando o magnata adquiriu os direitos do personagem para a revista Biriba Mensal (aqui Sidney deve ter feito uma confusão. Pois eu não encontrei nada relativo à uma revista chamada "Biriba Mirim"), a  editora Ebal já publicava um título como o nome Batman. Como os direitos da Detective Comics já estavam com a Ebal, a solução precária foi chamar o herói de "Morcego Negro".

Isso não deixa dúvidas de que a aurora das traduções de quadrinhos no país foi marcada por falta de profissionalismo e gambiarras toscas desse tipo. Daqueles tempos em diante teríamos décadas de atropelos pela frente...

Após Gusman citar vários nomes bizarros que foram usados em lugar dos originais, o próprio J. P Martins fala das traduções dementes de nomes de figuras como: Wolverine (que seria chamado de "Carcaju"!?! É, o importante é ter saúde. Física, porque mental esse sujeito já não tem faz tempo...).
O Yellow Jacket seria o "Zangão". Um nome ruim que soaria mal demais. Dare Devil, o popular Demolidor, atenderia pelo nome de "Desafiador". Nesse caso a tradução ideal deveria ter sido escolhida logo de início. Desafiador poderia colar (e teria mais a ver com a interpretação do original), mas poderia ter sido pior. Acredite. E temos também a tacanha versão imaginada pelo Jotapê do nome do Dead Man (DC Comics) para nossa terrinha sofrida: "Desmorto". Sério? O cara é tradutor e só conseguiu pensar num nome bosta desse?

João Paulo Martins

Jotapê começou a traduzir em 1979. Na época, foi até a Editora Abril e se ofereceu para traduzir duas histórias porque, segundo ele mesmo, se achava melhor do que qualquer um no mercado na época. Que ironia heim? Justo o cara que se tornaria o mais criticado tradutor do mercado.

Apesar de saber que Jotapê acredita nas groselhas que ele mesmo diz, Sidney Gusman tenta amenizar dizendo que ele é um sujeito "polêmico". Jura? E eu aqui pensando todo esse tempo que ele não passava de um arrogante e cabeça-dura.

Mesmo entrando na editora depois de Hélcio de Carvalho e antes de Dorival Lopes (ambos editores), Jotapê era o mais jovem da redação. Tinha apenas 19 anos.

O primeiro trabalho na Abril foram duas histórias do Capitão América, cujo título havia estreado em junho de 1979. Quando o tradutor fala que entendia mais de hq's do que Hélcio de Carvalho acaba atraindo risadas da equipe do UniversoHQ. Pela sua total cara-de-pau e ego inflado.

Continuou contando como aprendeu a ler em inglês comprando quadrinhos importados na Livraria Siciliano. O mais curioso nesse caso é notar que mesmo tendo aprendido sobre adaptações com os próprios quadrinhos, Jotapê ainda se orgulha de deturpar as mesmas hq's que admirava na juventude.

Hélcio de Carvalho

Hélcio traduzia naquele período também. E mesmo tendo mais experiência, colocou um moleque de dezenove anos que nunca havia visto na vida para fazer o trabalho de um profissional. Hélcio era outro que pouco se importava para a qualidade que as versões teriam no país. Por isso a dupla chegou à conclusão de que as tosqueiras que faziam eram ideais.

Após receber um teste, o novato J. P Martins "descobriu que não era o melhor tradutor do Brasil". E continua não sendo até hoje...

O convidado do podcast lembra das dificuldades em produzir uma revista com recursos precários pré-computação e internet. Fala do Copydesk e de como o texto passava por várias mãos até ir para a gráfica. Evitando que se cometessem erros. Ressaltando que hoje a quantidade de falhas nas publicações é bem maior. Embora isso não tenha a ver com adaptação, é a mais pura verdade. Mesmo os volumes de luxo estão infestados de erros.

Afirma que lançar histórias fechadas era melhor para o leitor, porque se adequavam ao formato magazine (ou Mix). E que a Marvel dificultava por causa da continuidade. Certo. Quer dizer que a continuidade atrapalhava? Ou será que era o fato dele mesmo e do Hélcio terem decidido atrasar a cronologia, fodendo com qualquer chance dos leitores brasileiros consumirem em tempo real as fases atuais?

O que acontecia na verdade era que, os editores, sempre que topavam com alguma cronologia, jogavam tudo no lixo e tocavam o foda-se. Assim poderiam continuar sendo incompetentes e facilitar seu trabalho porco! A prova disso é que já haviam exemplos de séries contínuas tanto nas hq's de heróis como em tiras de jornal e etc.

A auto-adulação cínica do tradutor não tem limites e (prepare seu estômago!) ele tem a pachorra de dizer que: " o compromisso com a cronologia foi inventado por ele e pelo Hélcio". Uma puta mentira escrota! Eles a evitaram o quanto puderam! E quando não deu mais para segurar, ainda adotaram-na com ANOS de atraso em relação ao original! E finaliza ressaltando que os dois mandavam na Marvel que ia às bancas de '79 a '83, e que ainda tinha poder sobre ela entre '84 e '92. Foi por isso mesmo que deu na merda que deu!

A primeira edição da Marvel pela Abril foi Capitão América

Segundo relatos do tradutor, a editora encomendou além do título do Capitão, Heróis da Tv. Mas exigiu que fossem editadas somente tramas fechadas. O tema do texto é sobre tradução. Mas é claro que não são só tradutores os responsáveis pelo estrago causado. Na verdade, a maior parte da notória falta de qualidade das transposições feitas no país são normas tacanhas estipuladas pelos donos de editoras, visando o corte de gastos.

Tanto é verdade, que Jotapê deixa evidente que gostaria que as revistas tivessem saído dentro da continuidade. Mas, segundo ele, teria que lançar as fases ruins. Pegando o que foi produzido de bom em décadas anteriores, eles trariam o que de melhor havia. Sei... E depois espremer tudo em revistinhas minúsculas, fatiadas e com um texto medonho reescrito por essa mesma turminha de tratantes? Que bela preocupação com a qualidade não é mesmo?

Ele confirma que poderia ter escolhido somente material de 1979 e ter editado dentro da ordem. Mas no fim das contas deu errado do mesmo jeito! Pois mesmo que a Abril não pudesse prever que sua linha de hq's iria aumentar (pelo fato de ter somente duas revistas) os editores acabaram usando isso como desculpa para embaralhar a sequência de histórias. Tenta usar o tamanho das duas hq's (56 e 84 pag.) para colar a ideia de que foi melhor assim porque não havia espaço. Mas é claro que teria sido vantagem ler as histórias atualizadas em formato 17x26cm. Mesmo que não lêssemos todas.  O que seria ideal pra você, ler Batman num título próprio grande e com material novo. Ou ler o herói emendado com outros nada a ver numa porcaria de revistinha encolhida? Sendo assim, se eles tivessem procurado organizar a linha do tempo na hora em que ela se expandiu, não teria complicado tudo na década seguinte. Década esta que traria o melhor dos quadrinhos até então. Quando todas as fases boas da Marvel e as Graphic Novels da DC saíram, tudo estava uma puta zona e não deu mais pra consertar.

A cegueira editorial da redação da Abril fez com que Batman-Ano Um e o Monstro do Pântano fossem publicadas na primeira versão em formatinho. Isso fez um estrago terrível aos trabalhos de Frank Miller e Alan Moore.

Discorrendo sobre as diferenças do formatinho da Abril em vista do "formato americano" (expressão essa que, se não foi criada pela editora, foi bastante popularizada. Pois a empresa iludia os leitores iniciantes, como foi o meu caso, fazendo-os pensar que as medidas 17x26cm se tratavam de algo "luxuoso"). O sujeito que deveria usar óleo de peroba na cara ao invés de loção pós-barba esclarece que o formatinho não era uma diminuição do original americano. Agora eu pergunto a qualquer pessoa que já tenha posto as mãos nos dois: que porra de diferença isso fez??? O formatinho da Abril acabou saindo uma meia-sola nojenta e deplorável do mesmo jeito! E ainda tem gente doente que defende isso! Sendo que, quando a Marvel estrou no Brasil em 1940 com o personagem Namor, a revista Gibi nº 142 da editora O Globo tinha 100 páginas e media 21x28cm. Antes da Abril, as editoras RGE e Bloch também haviam se arriscado com um formato inferior. Curiosamente, atravessaram períodos de dificuldades financeiras. Por que será?

ar 
A capa de Homem-Aranha nº1 da RGE traz uma frase que soa ridícula. Mas sabe por que ela está entre aspas? Porque pertence, na verdade, ao escritor Walter Scott.


Sidney Gusman emenda ressaltando que havia a figura do "decorado" (ou dec) que não eram nada mais do que desenhistas que completavam a arte original à mão. Além desse, haviam vários outros funcionários dentro da redação que faziam modificações para tornar o formatinho possível. Um deles era o "montador". Isso era algo perceptível até para os leitores jovens. Que mesmo sem entender do processo de edição, percebiam os "retoques" mal-feitos de artistas que trabalhavam exclusivamente na editora nessa função. Como é fácil perceber, a Abril e seus editores preferiu fazer o caminho mais difícil e menos vantajoso. Para os consumidores...

Então temos editores e demais funcionários da Abril se queixando até hoje das agruras que passaram para levar essas hq's às bancas. Sendo que todas elas só existiram porque os mesmos optaram por encolher histórias. Ao invés de reproduzi-las do original.

Quando perguntado sobre as modificações. Sobre os remendos de quadros, reinscrições de textos, cortes de inúmeras páginas, decepar sequências inteiras e até a total supressão de personagens. O ex-editor da Abril manda uma frase de dar ânsia de vômito: "eu acredito que todo esse trabalho que eu vou falar agora é tradução de quadrinhos". Referindo-se às atrocidades que fazia na editora. Isso não é tradução seu bosta! É adulteração!

Compare o tamanho de um formatinho da Abril com a original americana e a versão da Panini. Uma com 13,5x20cm e o outro com 17x26cm.

Como exemplo de que não era só na Abril que se avacalhava com revistas, Jotapê lembra que a RGE e a EBAL fizeram coisas semelhantes. Quer dizer que se uma editora faz merda a outra está autorizada a fazer igual? Sérgio Codespoti embarca na óbvia ideia de que não dava pra lançar tudo que a Marvel tinha naquele período. Isso é mais do que evidente! Mas o que foi lançado deveria ter saído em formato original. Porque já havia sido feito antes e porque era melhor para o que viria depois. O mesmo Codespoti comprava hq's importadas, assim como Jotapê. É, tentar convencer os outros a ler lixo miniaturizado é bom quando não é VOCÊ que tem de ficar restrito a isso! Segundo Martins, "a Marvel também não estava nem se lixando" pra qualidade de suas revistas fora dos EUA. Irresponsabilidade da editora que deixava seus produtos sujeitos às decisões de tipos como esses.

Martins continua falando que aquilo que era feito não atrapalhava o entendimento do leitor. Como não? Se era fácil pra qualquer criança ou adolescente pegar edições de editoras anteriores à Abril e perceber que havia algo faltando. Pior ficava pra quem tinha acesso aos importados! É verdade que o malabarismo que essas pessoas faziam enganava os leitores. Mas não é aí que está fonte do problema?

Além do mais, a conversa de que a redação fazia um trabalho tão bem feito que não era notado é pura balela! Durante todo tempo a editora entupia os editoriais da revistas de textos explicativos. Na tentativa de desembaraçar a confusão que eles mesmo criaram. Tanto isso é verdade que se você pegar uma edição qualquer dos formatinhos, a maioria das cartas nas seções eram sobre dúvidas dos leitores à respeito da cronologia. As cartinhas eram escolhidas à dedo para desaguar dúvidas que ela precisava sanar com mais urgência.

E o que dizer então de personagens que foram simplesmente apagados?

Na histórica cagada da Abril, Noturno, Tempestade, Wolverine, Vampira e a Capitã Marvel sumiram. E Thor entrou onde não estava. Em Zero Hora, "apenas" dois heróis saíram da capa: um atrás da capa do Superman, que não consigo identificar. E o Starman da fase de James Robinson, que a Abril não teve interesse em lançar no Brasil.

Do ponto de vista do tradutor, o fato dos leitores não saberem de nada era uma vantagem e não um problema. Pra gente como Jotapê devia ser uma maravilha! Afinal, é bem mais fácil vender revistas para um público cego e burro. Mantê-los assim era essencial para o sucesso daqueles quadrinhos.

Mais uma vez Sidney Gusman conta como eram suas brigas constantes com seu amigo de longa data. Jotapê ironiza reforçando que ele é que estava certo de qualquer modo. Ele sabe que fazia atrocidades com aquelas histórias, mais prefere manter o cinismo para não ter que admitir. Sidney e os outros dão risadas fingindo que o "jota" fala isso porque na verdade não passa de um brincalhão.

O que ele faz de verdade é passar a falsa impressão de que dilapidava os originais por causa das circunstâncias. Mas nem ele, nem seus colegas tinham apreço (como não tem até hoje) por quem pagava seus salários. O consumidor sempre entregava o valor de capa inteiro, mas recebia em troca histórias picotadas.

Ainda sobre as Guarras Secretas, o tradutor fala que ficou contra a ideia da Marvel em trazer a saga simultaneamente com a Abril, somente por causa da linha de brinquedos da Gulliver. Tanto Marvel quanto a Abril ferraram com os leitores. Pois se uma queria adiantar e a outra queria atrasar, não importava. O motivo era o mesmo: conveniência.

O ex-funcionário da editora prossegue usando o exemplo dos filmes. O leitor conhece as hq's e quando vai ao cinema está tudo mudado. Besteira! O leitor infantil se diverte de qualquer jeito vendo filmes de heróis. E os mais experientes já esperam que ele não seja exatamente igual. Reclamam, mas veem do qualquer maneira. Se não por que eles renderiam bilhões como rendem hoje em dia? Samir Naliato aproveita para expor a contradição em relação aos textos informativos. Já que a própria Abril fez uso deles na Morte do Super-Homem. Mas a mula empacada do Jotapê insiste em dizer todos (menos ele, claro!) estavam errados. O mais triste nisso tudo é notar que nem a Marvel nem a DC procuraram consertar as marmeladas que a Abril aprontou durante quase duas décadas com seus heróis. Deixando que ela fizesse o que bem entendia.

As coleções da Marvel pela Gulliver foram amplamente anunciadas em comerciais nas revistas Abril.

Para o tradutor, o preço dos formatinhos justificava tudo. Mas de que adiantava pagar mais barato para ler menos? Além disso haviam quadrinhos na mesma faixa de preços que eram vendidos completos. As minisséries em "formato americano" eram vendidas em várias edições finas. Obviamente para ganhar mais dinheiro.

Durante a conversa, Jotapê mostra sua mentalidade antiquada, pensando que seria melhor se tudo fosse traduzido. Como o idioma falado aqui é o Português, o nome dos heróis  e seus nomes pessoais também deveriam ser acomodados na nossa língua. Como se fôssemos retardados e não pudéssemos assimilar nada vindo de fora! Tente adaptar um mangá como Lobo Solitário e convencer alguém de que ele se passa numa cultura que fala português. Essa ideia é imbecil e insustentável!

Mais uma vez subestima o povo, dizendo que o inglês que se fala no Brasil é ruim e que pouca gente fala os nomes dos personagens corretamente. Então vamos tratar todos como débeis mentais e desistir de aprender qualquer língua agora? Não seja escroto!

A Abril só veio publicar O Cavaleiro das Trevas DEZ ANOS depois da primeira edição! E quando lançou, foi em quatro volumes para sugar mais dinheiro dos leitores que tentavam fugir do mercado especulativo da época.

Também não podemos esquecer das citações aos inúmeros Jotapês que apareciam nas revistas. Qualquer figura secundária masculina poderia se tornar homônimo do tradutor esnobe. Essa tradição, todo mundo que lia Marvel e DC conhece. Será que o J. P Martins se achava tão dono dessas histórias que precisava assiná-las?  A comparação que faz de si mesmo com Alfred Hitchcock dá uma noção da falta de humildade da criatura. Ele só não fala que Hitchcock criava suas histórias.  Ele não vivia de estragar as dos outros.

Entre diversos comentários, fala que gosta da tradução "Lobesbo" para; "Wolverine" que foi usada na Espanha. E que, se fosse por ele, o personagem Morpheus (Dream) de Sandman seria chamado de "Devaneio". Devaneio é o que esse palhaço tem dentro da cabeça.

Enquanto a entrevista avança com os presentes fazendo chacota da teimosia do tradutor, alguns relembram nomes esquisitos adotados em versões das editoras. Jotapê aproveita a concordância de Samir Naliato para mandar esta pérola: "o tradutor também é criador". Conversa fiada de babacas sem profissionalismo! O tradutor é um adaptador de obras! Ele não cria nada e só realiza algo digno quando compreende seu papel.

O exemplo de From Hell é válido, mas é exceção. Não deve ser aproveitado para corroborar absurdos de traduções. E pra ter um vago conceito do distúrbio mental desse cidadão, vamos rir com a opção ao nome "amante" escolhida por Jotapê para a Silk Spectre da série Watchmen: ela seria a "teúda e manteúda" do Dr Manhattan!!!!!.......!?! Puta merda!

Quando a Abril resolveu reeditar Watchmen foi mais "boazinha" com os leitores. Ela não só demorou DEZ ANOS para ser relançada, como saiu em "suaves" 12 edições. E por incrível que pareça, a tradução do Jotapê não foi pior que a do malfadado Estúdio Criarte.

Como não precisava se reportar a nenhum superior, Jotapê confirma que era o editor que tomava conta da Marvel sem nenhuma restrição. E a esta altura, tendo frisado que ficou por mais de uma década definindo os rumos da editora americana no país, ele é questionado se cortar quadrinhos não seria uma "ingerência". Jotapê manda uma resposta típica de sua total truculência: "sim, mas pergunte se eu ligo?". E seguiu dizendo que: "quadrinhos são uma arte puta". Como ele fala em causa própria está coberto de razão! Na mão de incapazes como J. P. qualquer arte vira uma puta!

Pretende validar seu descaramento com um argumento mais desfalcado que sua cabeça careca: "isso é porque os quadrinhos surgiram por causa de dinheiro". Até uma criança conseguiria refutar uma asneira dessas! Qual é indústria de divertimento que não surgiu para render dinheiro aos seus investidores? Você acha que uma conglomerado como a Disney teria chegado longe se fosse uma organização filantrópica? Quanto à besteira de teimar que hq's não devem ser levadas à sério, tome o exemplo do cinema. Logicamente foi feito pata divertir. Mas não é tratado como produto de baixa cultura, de nicho. Pelo contrário, é largamente respeitado no mundo todo!

Pra arrematar, confessa que se orgulha de ter cortado 120 páginas de minissérie Terra X na Mythos. Você acha que uma cavalgadura como essa ainda tem jeito?

Próximo do final do podcast Sidney Gusman explica que quando uma revista vendia abaixo de 35.000 era cancelada na Abril. E hoje em dia quadrinhos de super-heróis não chegam a vender nem isso.

Ao final, Jotapê fala bastante sobre o processo de edição de quadrinhos nos tempos da Abril. Mas a maior parte são divagações chatas que interessam mais a quem atua na área.

Durante muito tempo, essas ainda vão ser as únicas opções de quem conhece a verdadeira qualidade das traduções no mundinho das edições feitas no Brasil pelas editoras.

Depois de escutar o episódio do podcast ou ler este texto, os leitores neste país só podem ter uma conclusão: a de que se tivemos que tolerar a destruição indiferente das traduções feitas no Brasil desde o início do mercado, é por culpa de tipos detestáveis como J. P. Martins.

Não é a faixa etária dos consumidores de uma obra que deve determinar se ela vai ser bem transposta para outra língua ou não. Filmes e livros tem um acabamento mais decente. Por que com os quadrinhos temos essa esculhambação? Se você paga por algo feito para entreter, seja criança ou velho, deve receber em troca um material bem refinado. Regionalismos e condescendência com o público produzirá mais uma geração de ignorantes. Quer auxiliar o consumidor? Coloque informações anexadas ao produto. E não tente perverter traços de uma cultura na intenção bajulatória de agradar preguiçosos. Gírias e maneirismos linguísticos são patéticos e deixam aquilo que se quer adaptar medíocre e datado.

Não bastasse toda a falta de vergonha que vemos, da última década até hoje o volume de quadrinhos em bancas e livrarias mais que dobrou. E qual foi o resultado disso? Editoras desesperadas contratando qualquer zé ruela oportunista que se achasse tradutor na ânsia de atender à demanda. Nunca se pagou tão caro por transposições tão porcas. São calhamaços de luxo com dezenas de erros grosseiros de gramática e concordância.

O que a maioria desses "profissionais" não fazem questão de reforçar é que: pra traduzir bem, é necessário QUERER traduzir bem! A despeito do que os próprios incompetentes desse ramo declaram, a tradução NÃO DEVE servir como extensão da personalidade ou um fragmento do seu ego pretensioso! Afinal, trata-se de um trabalho! Se a demanda de trabalho é grande, a organização e o cuidado devem vir em primeiro lugar. Nesse setor editorial: pressa + trabalho é = a DESASTRE!

Poucos leitores sabem disso, mas o tradutor em casos variados e dependendo da editora pra qual trabalhou, recebe direitos (royalties) pelo serviço. Não sei exatamente como funcionam as regras, mas é por esse motivo que vemos um tradutor da Panini defecando num texto que você até já havia lido melhor em outras versões. Um exemplo: o texto que os amantes do selo Vertigo leram na Tudo em Quadrinhos (editora extinta) não pode ser usado em possíveis encadernados de outras editoras. É por essa razão que temos a impressão de que os tradutores nunca chegam à consenso nenhum sobre nomes de personagens. Porque um evita traduzir no rastro do outro! O tradutor no Brasil age como aqueles animais que urinam em cima de algo para "demarcar" aquilo que lhes pertence. Sendo assim, sempre tem de mudar. Mesmo que saibam que o resultado vai ficar um belo estrume!

Os tradutores, bem como todos os profissionais de entretenimento precisam aprender a ter respeito pelo consumidor. Precisam aceitar que tapinhas nas costas dos amiguinhos em panelinhas só fazem bem a eles e não ao público. E quem compra quadrinhos, revistas, livros, filmes, jogos ou demais artigos. Deve aprender a tirar sua bunda mole e covarde da cadeira e exigir qualidade no que consome! O mercado de lazer e diversão nunca cresceu tanto como nos dias atuais. Mas junto desse crescimento, deve vir acompanhado o profissionalismo, a estrutura e principalmente respeito a quem financia tudo isso...

Essas foram as minhas opiniões sobre a entrevista de J. P Martins. Vou aproveitar a despedida para deixar um link do post: Briggs: um parasita, para quem gosta do tema. O post é do blog Kamen Raider (Oraider.blog).


Fontes: UniversoHQ, Guia dos Qudrinhos, Wikipédia, Kamen Raider e Jbox. 

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

COMENTÁRIOS AO PODCAST DO UNIVERSOHQ SOBRE CENSURA



Por:Hds

Nota inicial: Recomendo ouvir o podcast (ou pelo menos partes dele) antes da leitura.



Existem duas situações em que o mundo do entretenimento dos quadrinhos se encontra.Uma delas é o estado natural de repouso,onde podemos ler e comentar as histórias com outras pessoas que compartilham do mesmo hobby.Podemos nos entusiasmar com eventos e acontecimentos excitantes das histórias.Com personalidades que atraem nossa atenção pelo seu talento.Ou simplesmente discutir sobre quem é mais forte;Super-Homem ou Hulk.Nessas e em muitas outras ocasiões estamos livres e despreocupados aproveitando tudo o que existe de melhor no mundo ocidental em matéria de distração.

Na segunda situação somos abruptamente arrancados de nossa calmaria e satisfação por verdadeiros cães raivosos.Indivíduos dos quais nunca ouvimos falar vociferando regras e ordens arrogantes.Apontando o dedo na cara de qualquer um que considerem errado e acusando-os de cometer crimes que só eles conseguem enxergar.São os malditos histéricos do mundo “adulto e politizado”,que até então você nunca tinha ouvido falar antes deles meterem as patas sujas no seu passa-tempo preferido.

Pode ser um político falsamente moralista e boçal.Um grupo de senhoras religiosas desocupadas.Feministas incomodadas até com o gás carbônico masculino que elas tem que respirar.Educadores tacanhos que incomodam crianças com seu fetiche doentio pela “moral educativa”.Apresentadores e Jornalistas completamente dissimulados e vigaristas,que pela simples falta de vergonha atacam da forma mais escandalosa e irresponsável o produto de consumo de pessoas comuns.Usando o poder de imbecilização das emissoras de TV,de rádio,revistas,jornais e sites como uma arma contra a liberdade de entretenimento popular.O purismo covarde e conveniente das empresas que produzem atrações.E é claro,a vigília ignorante vindo de dentro de casa e também dos próprios leitores de quadrinhos.

Em todos os casos citados temos gente nociva e controladora provocando danos gigantescos e difíceis de serem reparados em qualquer indústria.Esses episódios são historicamente cíclicos.E embora partam de lugares diferentes causam sempre os mesmas reações da comunidade dos quadrinhos.

Tendo em vista que este é um assunto cansativamente recorrente para os leitores de qualquer idade e grau de informação,resolvi fazer uso do caso mais recente para trazer algumas opiniões.Não escolhi o podcast do site UniversoHQ por acreditar na relevância e importância do mesmo na abordagem do assunto.Mas sim por servir ao propósito do comentário.Então vejamos o que foi discutido:

Os participantes do Confins do Universo,que no caso são Sidney Gusman,Samir Naliato,Sérgio Codespoti e Marcelo Naranjo começam falando do acontecimento mais recente.A queixa da estudante Tara Shultz sobre as HQs Persépolis,Sandman,Fun Home e Y The Last Man entre outras que seriam impróprias para a biblioteca de seu colégio.

Depois disso eles são “forçados” a entrar no velho e batido assunto do Comics Code na época da EC Comics e o livro Seduction of the Innocent,discorrendo sobre os clichês que normalmente vem acompanhados desse tema.Tema esse do qual prefiro retirar somente alguns fatos notórios.Como o início da indústria da auto-promoção que existe até hoje nos EUA(vide o exemplo do oportunista Jack Thompson)que incluem advogados,funcionários de escolas e universidades,psicólogos de programas de baixaria e os ditos “profissionais da área”.Que curiosamente estão sempre abertos a receber dinheiro e espaço na mídia para falar merda sobre qualquer coisa da qual não entendam joça nenhuma.
Sempre envolvidos por uma fajuta “aura” de razão amparadas pelas suas “opiniões técnicas” e seus diplomas que normalmente não serviriam nem pra papel-higiênico.A coragem de Bill Gaines ao enfrentar o julgamento inquisitivo dos dementes puritanos.A atitude completamente covarde e mesquinha da DC,Marvel e outras editoras ao recuarem criando por conta própria um “código de conduta “ que prejudicaria tão somente elas mesmas.E por fim a perene e famosa histeria coletiva americana que atravessa sua cultura desde tempos antigos.

Seguindo no quesito de censura temos fábulas sobre o início dela no território nacional.Onde, como de costume,o Brasil se mostrou disposto a copiar seletivamente o que existem de pior na cultura de repressão Americana e Européia.Cabe aqui um comentário ao empresário Adolfo Aizen,que segundo os locutores foi inteligente ao se antecipar à onda de censura que sabia estar por vir.Aizen publicou revistas com histórias comportadas e educativas.Abrasileirou(isso significa que estragou algo vindo de fora!)conteúdo vindo dos EUA e popularizou  adaptações de obras literárias brasileiras(pois é,e você aí pensando que essa torrente de títulos medíocres baseados em romances chatos de Machado de Assis,Guimarães Rosa entre outros autores eram exclusividade do mercado atual...).

O mais estranho é constatar essa “inteligência” da qual falam os integrantes do programa só veio depois da pressão da sociedade e das circunstâncias desfavoráveis que obrigaram Adolfo Aizen a fazer malabarismo para publicar algo considerado aceitável naquela situação.Belo progresso para constar na trajetória dos quadrinhos no Brasil!

E provando que as editoras daqui também podem ser tão bundas-moles como as estrangeiras,a mesma EBAL de Aizen criou um selo regulatório.Tivemos até um código com 18 artigos assinados por todos os grandes donos de editoras como;Abril,Rio Gráfica,Ebal e O Cruzeiro ainda na década de 60.Falava-se até em cotas para o quadrinho brasileiro.Qualquer semelhança com o tempo funesto em que vivemos hoje não é coincidência.

Continuando temos menções  aos “anos de chumbo” com aquela velha ala dos cartunistas “engajados” como;Ziraldo,Jaguar e Henfil que são aclamados como heróis ainda hoje pelos palermas viciados em discursos encrenqueiros hipocritamente revolucionários.Não é a toa que boa parte deles hoje aproveitam de uma velhice pró$pera e reconhecimento dos meios de comunicação puxa-sacos de sempre.

Saindo do Brasil,temos agora o quadro da censura na Europa.É importante frisar que nela se passaram episódios mais grotescos de censura,muitas vezes com o total apoio da população.É bastante comum no velho continente(tanto na parte oriental como na ocidental)encontrar barreiras ao mais variados tipos de revistas,jogos,brinquedos,filmes ,séries de televisão e etc.Quer tentar puxar pela memória quantas vezes você já ouviu falar de um Grand Theft Auto ou anime violento ser barrado na Europa por conter temática adulta?Não dá pra aceitar que justamente nos países que possuem um acúmulo de cultura que atravessam milênios e por isso deveriam ter uma mentalidade mais avançada,é onde se vê a mais nojenta postura passiva e condizente com o politicamente correto.

E se estamos falando de estupidez e idéias idiotas por parte da sociedade não podemos deixar a França(um dos piores países nesse quesito)de fora.Então chegamos ao Charlie Habdo.Jornal com charges que hora acertavam hora erravam feio no alvo de críticas.Não quero entrar no terreno lamacento desse assunto,mas se o jornal costumava ser regularmente elogiado por muitos da imprensa daqui isso não é um bom sinal.

Aproximando-se do fim do Confins do Universo fica a impressão(bem clara)de que em nenhum momento o espinhoso discurso sobre censura e os inúmeros e desgastantes acontecimentos ligados a ela foi devidamente evoluído.Relatos foram feitos.Falou-se bastante sobre a ditadura e as manobras para escapar dela.Sobre as proibições tacanhas dos profissionais de editoras americanas.Das personalidades mais prejudicadas pelos cortes e perseguições.Diferenças entre os lugares e culturas onde houve algum veto.Mas no fim das contas a opinião dos participantes ficou escondida na velha mentalidade do “deixa quieto”,fraca e concordante com o senso comum.

Enquanto não pensarmos e agirmos de forma direta(e isso definitivamente não inclui nenhuma  “militância" ou "luta” cretina do tipo)ficaremos presos num eterno ciclo de repetição.Alguém morre e isso acaba sendo forçadamente relacionado aos quadrinhos,como no crime em que uma edição de Sandman foi encontrada ao lado de um corpo e o autor Neil Gaiman teve que se explicar como se a culpa fosse dele.Um maníaco atira num cinema dizendo que é o coringa e retrocedemos em décadas na noção de” revistas não são responsáveis por coisas desse tipo”.Grupos de pais acusam desenhos e histórias de conter pornografia e violência que influenciam seus filhos.Programas de TV fazem matérias venenosas sobre HQs sempre que a audiência está baixa ou por puro policiamento antiquado e teatral .Somos surpreendidos por políticos que volta e meia aparecem com leis e projetos pré-históricos tentando proteger as crianças e adolescentes. E  a única reação mostrada é a de uma moleque chorão que tem seu brinquedo quebrado,sua diversão tirada e se encolhe com medo murmurando reclamações que não vão surtir efeito nenhum!

Que tal se só pra variar tomássemos a dianteira e procurássemos esses tipinhos repulsivos que andam perseguindo e linchando os quadrinhos antes que eles fizessem isso?Talvez não seja o caso de se criar um grupo como o Comic Legal Defense Fund,mas acionar meios legais contra as proibições.Pessoas que possuem meios de divulgar opinião favorável às Hqs devem usá-los para antecipar textos tendenciosos.Criticar justamente canais de TV que insistem em denegrir esse meio.Desmentir e expor certas figurinhas tidas como “abalizadas” que até então andam soltas para apedrejar  tudo que considerem reprovável de forma debochada e virulenta.Por que esperar pelo próximo tiroteio em escola que apoiado pela sanha controladora de pilantras em Brasília, pode acabar se tornando mais uma lei restritiva à liberdade de consumo?

Não adianta se encolher e implorar para que pessoas cegas ou moralistas retrógrados deixem de perseguir as suas queridas revistas em quadrinhos.Os tipos de anormais parecidos com os que,décadas atrás queimaram livros ou discos(aliás,muito equilibrada essa gente que toma medidas que só nazistas tomaram,não?)só avançam.Pois até agora com idéias batidas como;”quadrinhos me iniciaram na leitura”,”quadrinhos são a nona arte”,”quadrinhos não podem tornar ninguém violento”,”quadrinhos não podem ser julgados por quem não lê”ou mesmo o clássico “quadrinhos não são mais coisa de criança” nunca os impediu até agora.E nem vai impedir!Um futuro previsível aguarda quem anda vomitando essas babaquices esquivas e medrosas!

Enquanto não houver uma ideia séria sobre como rechaçar esses ataques e esfregar na cara de farsantes da mídia marrom que eles nunca acabarão com nosso direito de consumir entretenimento livremente,seja de onde vier ou com quais características vier,vamos continuar nos colocando amedrontadamente no papel de vítimas.Esperando pelo melhor,mas tendo sempre a certeza de que o pior voltará a se repetir.

Fontes:UniversoHQ,Guia dos Quadrinhos Wikipédia.





































domingo, 2 de agosto de 2015

COMENTÁRIOS À ENTREVISTA DE LEVI TRINDADE AO INICIATIVA HQ, DISTOPIA HQ E NOTÍCIAS



Por:Hds.







Neste final de mês, o editor sênior da Panini Levi Trindade esteve na loja Empório HQ e concedeu uma longa entrevista aos canais de You Tube: Iniciativa HQ e Distopia Cast. Os assuntos abordados vão desde futuros lançamentos até a nova política de reimpressões. Vou fazer aqui uma análise acerca das peguntas mais relevantes listadas na ordem em que foram feitas e tentar aplicá-la dentro da minha visão como consumidor. Recomendo, logicamente, que vejam o vídeo no You Tube antes de ler a matéria.

Resposta ao Guilherme do "Mamute Insano":nessa pergunta foi usada como exemplo de uma boa opção ao indigesto "mix",o título Batman Eterno que possui 28 páginas e é entregue por R$3,50.O editor afirma que o mix é o melhor custo-benefício para o leitor,mas desde a época da editora abril,na verdade,o mix só é bom para a própria editora.Ele chega a dizer que talvez o caminho seja testar formatos diferentes com papel lwc ou duas histórias por edição,mas desconsidera o fim do formato atual dizendo que seria difícil 50 ou 70 edições sobreviverem nas bancas como é feito no mercado americano.

Em primeiro lugar é óbvio que esse esquema não daria certo no brasil,sendo que é comum ver várias edições serem canceladas lá fora pouco tempo depois de lançadas em algum mega-evento como os novos 52.O que eu posso ver é mais uma editora detentora dos universos Marvel e DC tentando justificar o fato de estarmos em 2015 e ainda não termos a opção de escolher o que ler ou não.Eu entendo a questão dos impostos que encarecem todo o processo de publicação,mas é totalmente possível colocar somente nas bancas as sagas ou personagens que estivessem melhor cotados e realmente não há vantagem nenhuma em ler material ruim agrupado no mix.A própria Batman Eterno é a prova disso!

Em algum momento poderia ser dito(e possivelmente já foi dito isso várias vezes)que edições com compilações de histórias mensais são uma imposição das editoras estrangeiras,mas pra mim isso é desculpa esfarrapada,pois como compradores temos o direito decidir a melhor forma para o produto à venda.Embora as editoras nacionais nunca tenham levado essa noção muito a sério.

Resposta ao Gnann:Aqui o editor afirma que não há motivos para acreditar que exista uma briga com a editora Salvat já que as duas possuem um acordo comercial.O curioso é que mesmo sendo assim,as edições da Salvat não deixam de sair cheias de erros entre outras falhas.Neste caso,a Panini sendo uma multinacional deveria ter cacife para garantir qualidade também nos produtos de sua parceira de negócios.

Depois disso Levi trindade cita como exemplo de uma publicação que foi devidamente concluída:a série Preacher.A revista era tida como azarada e diziam que nunca seria finalizada por aqui.Virou uma piada para os leitores(que amargaram seu cancelamento várias vezes),e foi tratada com cinismo pelos editores(que falavam sobre a “maldição de preacher”).O que não foi realmente dito até hoje é a verdade:que Preacher foi vítima de mais pura e simples incompetência das editoras brasileiras,bem como outras séries do selo Vertigo.

E então temos algum espaço para a boa e velha choradeira sobre como é difícil publicar quadrinhos no brasil por causa da nossa economia.O curioso é que ainda no início dos anos 2000 a editora abril deu o primeiro passo para a elitização desse mercado,enfiando goela abaixo a infame linha Premium que provocou o abandono dos quadrinhos em gerações inteiras de consumidores.E a panini só vem reforçando essa política.

Ainda respondendo ao gnann,o editor destaca o fato de Transmetropolitan e ZDM não terem sido finalizadas pela falta de retorno dos leitores.Engraçado não?E eu pensando que o motivo seria preço de capa astronômico e o desnecessário padrão de luxo que havia provocado o atraso.Se tivessem sido postas em bancas com o formato de 100 Balas ou ExMachina ela já teria sido,com certeza,terminada.

Resposta ao Fernando Bedin do “Central Hqs”:Somente uma questão nas perguntas do Fernando me chamou a atenção:a atitude mostrada por ele,um vlogueiro do YouTube e também por muitos blogueiros e leitores que se manifestam na internet,de aceitar e chegar até a implorar por edições cada vez mais luxuosas.Será que eu preciso dizer porque uma encadernação no estilo Omnibus deveria ser temida e não esperada com ansiedade pelas pessoas?Eu li hqs desde a década de 80 até meados de 2001,quando parei por causa da “reformulação abril” nas revistas Marvel e DC. Daí,lembro que quando voltei a comprar em 2006,a primeira coisa que notei foi o aumento exorbitante nos encadernados que havia se tornado não só comum,como já aceito pela maioria dos compradores.

Vou dizer neste texto algo que infelizmente não consigo ler ou escutar em lugar nenhum:acho uma total e completa irresponsabilidade de pessoas de estados como Paraná,Rio de Janeiro,Minas e São Paulo tentando falar pelo resto do país sobre o que é aceitável ou não nos valores pagos em quadrinhos.Deixem de ser tacanhos e convenientes e entendam que o padrão de vida em São Paulo(conhecido estado mais rico do Brasil)não é o oficial,só porque é lá que se produzem e vendem mais títulos!

No mínimo é um tiro no pé torcer pelos artigos de colecionador,pelo fato de que os impostos e a moeda fraca tornam a aquisição desses itens(que devem ser considerados de segunda ou mesmo de terceira importância por, pelo menos, os consumidores mentalmente saudáveis)um sofrimento inútil.Sem falar no histórico positivo que tramas longas como Fábulas tem de serem editadas com rapidez e custo atraentes,justificando  o meio viável de serem editadas.

Resposta ao Vidal do canal “Na Disciplina”:De volta ao tema revistas mix.O Vidal pergunta se as ditas edições mix não são feitas de propósito pra incluir conteúdo podre contra a vontade do leitor.L. Trindade lembra de casos em que algumas fases são tão execradas lá fora,que nem vale a pena trazê-las pra cá.Mas a ideia de publicar somente as sagas ou arcos bons somente se reforça com isso.Pare pra pensar que tanto um leitor novo ou um experiente teriam exemplares de peso saindo nas bancas e livrarias,e sobre a continuidade,bastaria por matérias ou textos explicando o que havia se passado para situar o leitor(prática essa que é bastante útil e vem sendo utilizada a um bom tempo).

Defendo a afirmação do editor de que se houver uma fase imprestável,mas ela der lucro,ela deve ser mantida.Afinal de contas, se você sabe que ela não serve é só não comprar a história.O problema sempre vai estar no ato de forçar o leitor a engolir o que ele não quer,fazendo parecer que o mercado depende disso.Mesmo que no final se pagasse mais caro pela edição de 24 páginas ainda sairíamos ganhando,como no caso da Batman Eterno citada acima. 

Na segunda pergunta sobre papel,preço e disponibilidade o editor da Panini dá uma resposta no mínimo enrolada e contraditória(quando o assunto é dinheiro sugiro que leitor se acostume a ouvir esse tipo de resposta insólita).Falando dos fatores:tiragem,custo,gráfica e quanto pode acabar custando dos volumes especiais.Mas espere aí,não é a editora que decide(por você)o acabamento final deles?

Não tem lógica nenhuma repetir que o papel é cotado em dólar e depois dizer que a tiragem menor vai custar mais caro produzindo em papel de luxo,pois se vai ser assim,então façam com material mais barato como o LWC.

Resposta ao Márcio da Empório HQ:No assunto “formato” Levi ainda disse que foi muito cobrado para que HellBlazer Origens e Infernal fossem feitas em LWC ao invés de pisa-brite.E comentou “eu acho que não” e completa com “se nem a DC tá fazendo isso por que agente vai inventar a roda?”É mesmo Levi?Isso significa que é a DC quem determina como vamos consumir um produto e não nós mesmos que bancamos a simples existência deles?

E alerta que se algumas das séries saíssem em LWC,talvez nem tivessem saído.Se é deste jeito(e eu sei que não é),o que pensar de 100 Balas sendo terminada com 15 volumes exatamente em LWC?Não vou nem falar da marmelada com o monstro do pântano.

Resposta ao Ruligans da Empório Hq:Sobre a “tara da Panini com o Grant Morrison”.Se existe uma dúvida urgente que poderia ser respondida é como funciona o processo de negociação dos direitos sobre as publicações.Alguém pode até dizer “mas você ainda não sabe?”.E minha resposta será,sem culpa nenhuma,”não”.Até porque as editoras,desde sempre,nunca fizeram muita questão de explicar os seus negócios.Já ouviu que quem não deve não tem nada a esconder?Pois é.O detalhe da pergunta fica no fato do editor ter admitido que boa parte das sagas do autor já saíram no brasil,mas onde estão a Patrulha do Destino,The Filth,Zenith ou a série da liga que não foi sequer terminada?

Em outro momento Ruligans questiona sobre o fato da comunicação através do Hotsite da editora ser desvantajosa para o público.Neste quesito a Panini sempre tomou de lavada da JBC,que foi(pelo que eu me lembro)a primeira a criar um canal no YouTube, ajudando a estreitar o contato com os leitores.O canal da Panini veio bem depois,é claro.O site paninicomics é bisonho e confuso,o blog da Vertigo é tão lento que chega a acumular poeira e a página do Facebook e o canal apenas mostram algo novo de vez em quando(enquanto a JBC não para de anunciar novas surpresas).O importante é perceber que essas empresas finalmente estão enxergando que existem seres humanos por trás das vendas de suas revistas e que eles cobram satisfações.

Bem,esse foi o apanhado da entrevista com o editor Levi Trindade.Lembrando que apesar de discordar de algumas ideias dele,isso não significa que eu o odeie de morte!A Panini se tornou a maior editora do país concluindo títulos negligenciados por outras editoras,republicando de forma decente histórias que mereciam atenção,consolidando o bendito ”formato americano”,ajudando a ampliar os estilos mais variados de hqs e publicando séries longas continua e respeitosamente até o final.Nota:A política de reimpressões permanentes é simplesmente excelente e ajuda a combater preços especulativos em certos sites de compras da internet.

Segue agora a lista de anúncios feitos durante a FestComix 2015 e na própria entrevista(fonte:Universo Hq):

•DC Comics:Batman e Filho,Batman-Descanse em Paz,Batman –O Retorno de Bruce Wayne,Batman-O Filho do Demônio,Batman-Piada Mortal,Coringa(Brian Azarrelo e Lee Bermejo),Batman-A Corte das Corujas,Superman-À prova de balas,Flash-Seguindo em frente,Aquaman-As Profundezas,Liga da Justiça-Origens,Superman-Brainiace também O Reino do Amanhã•Vertigo:Preacher,O Homem-Animal de Grant Morrison,Astro City,Promethea,Y-O Último Homem,ZDM,The Authority,Transmetropolitan,Sandman-The Overture,Sandman e Watchmen(que segundo a editora estarão sempre em catálogo a partir de agora)•Especiais:Superman-Entre a Foice e o Martelo,Crise nas Infinitas Terras,Crise Final,Crise Infinita e Odisséia Cósmica.

Marvel:(republicações)Terra X,Universo X e Paraíso X,Supremos(os três volumes)• Deluxe:Guerra Civil,Thor- Renascer dos Deuses,Thor-Em Nome do Pai,Homem de Ferro-Extremis e as séries completas dos Vingadores e Capitão América•LinhaMarvel:HomemFormiga-Prelúdio,HomemFormiga-Mundo Pequeno,Excalibur,Gavião Arqueiro(Matt Fraction e David Aja),Viúva Negra(em 2016),Punho de Ferro-A Arma Viva,Cavaleiro da Lua(Warren Ellis),Justiceiro(encadernados),Os Novos Vingadores-A Busca Pelo Mago Supremo ,Biblioteca Histórica Marvel-Surfista Prateado,O Espetacular Homem-Aranha•Encadernados Nova Marvel:Homem-Aranha-Último Desejo,Homem-Aranha Superior,Fabulosos Vingadores,Thor e X-men•Star Wars:Star Wars e Dart Vader,Star Wars Legends,Star Wars-Episódio IV-Uma Nova Esperança,V-O Império Contra-Ataca,VI O Retorno de Jedi.