sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

O "Gênio" que virou "Fascista"

Por:Hds.




Frank Miller nasceu em 27 de janeiro de 1957 em Olney-Maryland. Filho de uma enfermeira e um carpinteiro e vindo de família católica irlandesa, Miller aprendeu a se destacar logo cedo em meio a seus outros seis irmãos.

Começou na Western Publishing, trabalhou em alguns projetos menores na DC e finalmente na Marvel em fevereiro de 1979. Após desenhar duas edições do Homem-Aranha onde havia uma participação especial do Demolidor, Miller conversou com a editora Jo Duffy para desenhar o título regular do Demolidor.

O escritor Roger Mckenzie acabou sendo demitido pelo novo editor do herói: Danny O'neil, que entregou nas mãos de Miller os roteiros e artes do personagem que o tornaria famoso.

O artista criou diversos nomes para as histórias de Matt Murdock entre eles a ninja Elektra, sua cria mais famosa. Durante os anos oitenta teve seu período mais brilhante e prolífico. Escreveu e co-roteirizou uma minissérie do Wolverine, escreveu Ronin e trouxe aos leitores do batman uma série que até hoje(quase trinta anos depois!)é considerada a melhor história do herói:Batman O Cavaleiro das Trevas.

Não bastasse o sucesso estrondoso desse quadrinho, Miller lançou ainda Batman Ano Um com David Mazzucchelli. Retornou à Marvel para escrever A queda de Murdock, também com Mazzucchelli nos desenhos entre outras minisséries e graphic novels do Demolidor e Elektra.

Fora da Marvel e DC, criou sucessos como: Hard Boiled, Martha Washington, 300 e a vasta série noir: Sin City.

Escritor excelente, desenhista talentoso e inventivo, diretor e profissional dotado de habilidades em todas etapas da produção de histórias em quadrinhos. Frank Miller é uma figura essencial na indústria.

Agora você já pode perguntar: por que de trazer todas essas informações fáceis, às quais qualquer fã do artista e leitor de hq's pode ter acesso? Porque hoje em dia existe muita gente que parece ter simplesmente se esquecido delas!

Revendo o Omeletv #314.2 "tributo à Frank Miller:gênio ou fascista?"e a matéria "Frank Miller é um fascista nos quadrinhos" do mesmo site, senti a necessidade de escrever algo para esclarecer o assunto.

O Omeletv começa com Érico Borgo dizendo que o episódio se trata de uma homenagem ao "um dos maiores quadrinhistas de todos os tempos". mas que homenagem é essa, que já começa chamando o "homenageado" de fascista no título? Ainda tenta mostrar que o tal tributo teria como motivo o estado de saúde debilitado do artista. Se a proposta é homenagear o autor, que tal trazer os pontos positivos (que não são poucos) de sua carreira?

No geral, os vídeos do site sempre foram superficiais e pouco informativos. Esse é um mal que se observa na maioria dos canais de youtube e pode acreditar que o Omelete fez escola nessa área. Conversas chatas e arrastadas, piadas auto-referenciais e informações rasas estiveram frequentes em toda a história do omeletv. Sempre com destaque para tipinhos irritantes como o próprio Érico Borgo se exibindo e bancando o "palhaço da turma". Basta dar uma olhada na lista de temas do videocast para dar risadas dos temas fúteis e sem criatividade abordados. Isso acaba resultando numa coletânea de vídeos cheios de conversa fiada e risadaria infantil, onde se perdem horas preciosas que poderiam ser usadas para aprender algo relevante.

O Omelete não tem conteúdo ou opinião, mas é visto por milhões de leitores no Brasil.

Segundo os apresentadores, Frank Miller já mostrava traços fascistas em O Cavaleiro das Trevas e em 300. E depois dos atentados de 11 de setembro Miller assumiria escancaradamente sua postura de extrema direita. A própria falta de conteúdo (característica antiga do vlog) não permite que se comente muito sobre o que foi dito, mas a intenção de tachar Miller como fascista estava lá. Aliás, já estava lá desde o review de Holy Terror, onde o título é malhado pelo resenhista Érico Assis.

O mais curioso é que até o momento em que publico este texto a palavra fascista consta somente no texto de Douglas Espadoto. A barra de pesquisa do próprio site não a mostra em nenhum outro lugar.

A qualidade de O cavaleiro das Trevas existe a despeito da opinião da imprensa "especializada".

E por falar nesse autor, seu texto (datado de 2002) é mais um dos exemplos de "bater e soprar" na linha do Omelete. Obrigatoriamente, o sujeito se vê começando a matéria com elogios ao Cavaleiro das Trevas. Recomenda o quadrinho e depois abre espaço para "ponderar" sobre as ideias políticas de Miller.

Engraçado que ninguém do Omelete "pondera" sobre as ideias de autores como Grant Morrison, Warren Ellis ou Robert Crumb (claramente voltados para discursos populistas e queixosos). Só vale apena questionar ideias se elas forem contrárias as que lhes interessam! Espadoto segue fazendo um passeio pelas obras de Miller usando o truque barato de sair catando detalhes que mostrem que o autor é "culpado" daquilo que ele o acusa.



Em Ronin, cita "sintomas" de que a orientação ideológica do roteirista já pendia para a direita. Afirma que Miller "rezava pela cartilha do American Way", afirmação essa que o autor do texto faz baseado na sua opinião e não no que Frank Miller quis realmente dizer. Ainda acusa Miller de ter por base o nacionalismo e a xenofobia. Douglas usa a citação de um livro sobre fascismo para tratar de um assunto em que, de forma alguma, cabe esse tipo de discussão. Ou será que você conhece alguém que leu livros de ciência política quando era criança antes de ler uma história de Miller? Pura forçação de barra para corroborar sua birra conspiratória.



Em 300, Douglas fala que Miller puxou a sardinha para os espartanos para mostra-los como heróis na trama. Sugeriu que o autor poderia ter lido outras passagens da história grega para entender que "nenhum conflito é tão simplista assim". É mesmo? Sendo assim, quando alguma história mostrar um conflito e, que seus heróis levem a fama, você levantará o dedo e apontará que não é tão simples como se vê quando lhe for conveniente? Eu duvido!

O texto de Douglas Espadoto é ruim, viciado e difícil de ser lido. Ele usa repetidamente as palavras: direitista/direita, fascista, autoritarismo e chega ao cúmulo da neurose ao comparar algo dos escritos do autor do cavaleiro das trevas ao Mein Kampf (livro de Adolf Hitler). Exagero e deturpação pouca é bobagem.

É preciso olhar a situação de cima para ter uma perspectiva mais ampla. Nos EUA dos dias de hoje, temos um governo hipócrita com políticas públicas assistencialistas e predomínio do senso de auto-piedade coitadista, acobertado pela legião do politicamente correto que dita "valores". Isso afetou também os quadrinhos: como já fez em outras décadas passadas.E é claro, a turma dos macacos de imitação aqui no Brasil tratou de entrar na modinha. É exatamente por isso que cotas, representação de minorias enfiada goela abaixo, discursos ideológicos podres e policiamento de opinião se tornou rotina nos meios de entretenimento em geral.

Quando algumas pessoas percebem que é difícil lutar contra os crimes de um governo arrogante como o que temos hoje, elas começam a procurar um lugar seguro onde poderão se salvar das faíscas que certamente voarão no meio da briga pela verdade. Sendo assim, não é incomum ver redatores artistas e pseudo-jornalistas mudando de opinião bruscamente, defendendo ideias que antes poderiam soar como "contraditórias" em nome de sua segurança pessoal e pelo dito de "ficar do lado de quem está ganhando". Se pra você isso parece covardia, é porque é exatamente isso!

Os Fans de Frank Miller estão divididos entre ter uma opinião própria e dar ouvidos à mídia "especializada".

Foi realmente ridículo e deplorável assistir ao espetáculo de bajulação falsa de vários canais de comunicação mirando na figura de Frank Miller durante a CCXP de 2015. "Oh, meu Deus!!! Frank Miller veio ao Brasil!!! E logo que tinham a chance de sentar na frente do computador para escrever ou publicar um vídeo o apunhalavam pelas costas. O site Omelete foi justamente um dos que tiveram acesso à Miller, com direito a espaço exclusivo. Tudo para ficar pertinho do "fascista" mais amado das HQ´s. Ora! Tomem vergonha na cara seus merdas!!!

O ataque à Frank Miller promovido pelo rasteiro site Omelete traz assuntos forçados à pauta dos leitores que somente esperam se entreter. São de uma virulência pré-fabricada através da recém adoção de ideias tendenciosas e mal-intencionadas.


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