terça-feira, 12 de maio de 2020

POR QUE KURT BUSIEK ESTÁ ERRADO SOBRE A "DIVERSIDADE"

Por: Hds.





É interessante notar as opiniões de profissionais que realmente trabalham em cada tipo de produto nos mercados de entretenimento. Pois é, muitas vezes dali, que saem as ideias que vão mudar o próprio meio. Nesse dia 08 de maio o site Jamesons publicou uma matéria sobre o que pensa o escritor Kurt Busiek a respeito da tal "diversidade". Vou explicar a origem do tema deste texto e comentar as declarações do escritor refutando supostas verdades por trás delas.

A matéria tem o título: Roteirista dos Vingadores defende a diversidade nos quadrinhos: "uma questão de realismo". Os erros já começam nas aspas dedicadas a Kurt. Como incluir personagens ficcionais num universo de quadrinhos pode ser uma "questão de realismo"? Nenhum deles existem de verdade. Usar características de pessoas, objetos ou fatos do mundo real nas hqs é possível. Mas a diversidade, tão defendida por dezenas de artistas no mercado, não gera "equilíbrio" nenhum numa realidade inventada. Gera apenas influência panfletária direcionada para um nicho de consumidores de entretenimento.

Busiek criticou quem acusa a diversidade pela má qualidade das histórias atuais. No que ele está, em parte, certo. Pois o que provoca as péssimas histórias da Marvel e DC hoje são o desinteresse dos donos das editoras na qualidade. A ganância em reutilizar truques sujos pra alavancar vendas. A baixa bagagem cultural e criatividade dos artistas e escritores. A covardia em concorrer com demais mídias e o estrelismo que muitos desses profissionais mostram. Sendo assim o autor acertou sobre os leitores burros que culpam só a diversidade, mas errou em deixar de fora esses outros problemas.

Citou a frase de uma escritora chamada Mary Robinette Kowal afirmando que: "não se trata de adicionar diversidade por uma questão de diversidade, mas de subtrair homogeneidade por uma questão de realismo". De novo, como já havia afirmado Mauro Tavares no blog Supercaixa de Gibis, não há nada de "realismo" em seres que disparam rajadas laser pelos olhos ou erguem prédios!

Essa ideia de "subtrair homogeneidade" também é falsa. Pois a maioria dos consumidores de quadrinhos no mundo todo é formada por leitores entusiastas, que desde crianças tiveram contato com esse produto e resolveram acompanhá-lo por livre e espontânea vontade. E não por que esperavam encontrar neles uma compensação em forma de "representatividade". Além disso, é de uma arrogância que beira o autoritarismo. Querer obrigar pessoas que financiaram essas revistas por toda a vida a aceitar modificações que deturpam os personagens e histórias originais. Elas tem o direito de ler aquilo que foi feito para elas e que gerou essa anterior empatia. Com todas as características que fizeram delas o que sempre foram.

Segundo o site, a discussão começou por causa de leitores que reclamam que as histórias "não são tão boas como costumavam ser". E que os criadores agora "põe políticas acima de tudo". 

Em primeiro lugar é verdade que as histórias estão muito ruins. Escritores preguiçosos ou sem cultura escrevem fuçando revistas e eventos feitos há décadas atrás. Não criam nada novo, pois tem medo que os direitos fiquem na mão da editora. Donos de editoras imaginam essas empresas como cassinos de Las Vegas. Onde os personagens são caça-níqueis pra atrair dinheiro com tramas cada vez mais apelativas e podres. E não bastasse isso, esses empresários querem que meras revistas rendam cifras equivalentes aos filmes ou videogames de sucesso. Existe uma verdadeira regurgitação de ideias velhas desgastadas além do limite. Tudo isso, e mais, causam a medonha situação das hqs americanas atualmente. 

Busiek ainda respondeu às reclamações sobre autores que põem políticas acima de tudo, com aquele velho e fracassado argumento de que "assuntos políticos sempre estiveram presentes nas hqs". Em boa parte delas sim, mas nunca de forma tão doutrinadora  e venenosa como hoje se faz na Marvel.


Nada mais fácil que usar o próprio trabalho do autor como prova contra ele.


Em outro trecho, um participante do debate mostrou uma cena da fase dos Vingadores escrita pelo próprio Busiek. Nela um agente do governo que acompanhava as operações dos Vingadores sugere que deveria haver um integrante negro no grupo. Que a mídia havia "percebido" que não havia nenhum. O escritor, com ajuda da arte de George Pérez, retrata a ação de Tony Stark como intimidadora, avançando sobre o agente e afirmando que "não era a favor de impor cotas étnicas". 


Todos os heróis "brancos opressores" reunidos contra a diversidade nos Vingadores.


O tom de preconceito que Busiek deu ao Homem-de-Ferro é mentiroso. Já existiram diversos heróis negros e de diversas etnias nas formações anteriores do grupo.


O Pantera Negra, A Capitã Marvel (Monica Rambeau), O Falcão (ex-parceiro do Capitão América), Máquina de Combate, Homem 3D (?), Luke Cage e Mancha Solar. Foram sete personagens negros! E ainda assim querem dizer que não existe "diversidade" no grupo? Sendo que além de várias etnias, ainda tivemos robôs, deuses, mutantes e alienígenas em formações antigas. Se Stark fosse preconceituoso teria entregue uma de suas armaduras para James Rodhes para que o substituísse?


Busiek chama o sujeito que entrou no debate de idiota. Faz rodeios parar se explicar mas acaba por fim provando que a ideia era convencer os heróis a aceitar mais integrantes por causa de pressão pública. Destaca que todas as vozes dentro da história são dele. Afinal foi ele quem escreveu. E é exatamente por isso que o autor pode ser refutado.

No fim da história o próprio roteirista se desmente na intensão de ser "neutro" no debate, mudando a equipe para pôr um negro e quatro mulheres na nova formação. Nesse trecho do texto o site Jamesons diz que mulheres são minoria no mundo em relação aos homens. É verdade que existe menos mulheres no mundo. Segundo um relatório da ONU (fonte duvidosa, mas talvez não errada nesse caso), dos quase sete bilhões de seres humanos na terra, os homens tem uma vantagem de apenas 57 milhões a mais que a população feminina. Uma diferença ridícula que não justifica tratar mulheres como vítimas somente por estarem em (desconsiderável) número inferior. Se órgãos corruptos como a ONU pretendem ajudar mulheres, deviam fazer isso de forma útil. Como, por exemplo, denunciar os abusos que elas sofrem em países islâmicos sendo mutiladas, queimadas com ácido ou apedrejadas.

Perto do fim da matéria, Busiek fala de outro leitor que dizia que os heróis deviam entrar em grupos pelo mérito. O argumento do leitor estava incompleto, claro. Pois esse mérito pode ser criado artificialmente. O que facilitou pra o escritor ironizá-lo e dizer que criou um herói negro para ser tão competente quanto os demais. A contradição de Busiek está no fato de que heróis de quadrinhos foram criados para protagonizar feitos heroicos. Não importando se são negros ou brancos. Sobre a questão que ele colocou da formação original dos Vingadores ser composta de brancos, isso se dá pelo fato de que os leitores na maioria eram brancos na época da criação da hq. Por conveniência, ele não lembra que quadrinhos são um produto. E como tal, feitos pra atender uma demanda de público. Sempre existiram super-heróis negros e outros tipos dos mais variados. Mas por se tratarem de figuras feitas em cima de pessoas cuja presença é menor em países e sociedades, essas hqs não vendiam tanto quanto as feitas para a maioria. E não por que os brancos são "malvados" que excluem essas figuras de propósito. Editoras são empresas! Tem que pensar em vender o máximo de produtos para o máximo de pessoas. Isso não significa que quem se define por elas está fora do mercado de hqs. E sim que se essas minorias quiserem estar dentro do grupo de leitores de hqs estarão inclusas nele.

Ou seja, editoras fazerem hqs para nichos menores não dão lucros de verdade!

O melhor exemplo disso foi a maquiagem que a Marvel fez pra enganar leitores fazendo parecer que hqs com diversidade, como MS. Marvel, vendiam bem. Quando na verdade foram fracassadas. As editoras que acolheram as impositivas choradeiras de profissionais estão se dando mal. Trocaram boas vendas e qualidade de histórias por proselitismo barato. 

A opinião de Kurt Busiek é a opinião média de boa parte dos escritores e artistas. Infelizmente. Ela viaja na onda de bom-mocismo falso dessa geração "ódio do bem" de hoje. Hipocrisia, contradição, afetação de bondade e intolerância é o que se pode enxergar no discurso do escritor. Isso não tira o brilho das boas hqs que escreveu ou escreve, mas deixa um gosto ruim em quem, esses sim verdadeiramente, toleram ler panfletagem enxertada nas histórias que ele escreve. Mas argumentar sem cair em incoerências é pra "gente branca e privilegiada" como eu.

sábado, 9 de maio de 2020

CINDER & ASHE PELA PANINI: NEM COMEMORE...

Por: Hds.



O leitor de quadrinhos no Brasil, em geral, é pobre de cultura. Não conhece nem a própria mídia que diz amar de todo coração e só sabe daquilo que já foi lançado no país, ou que está chegando agora. É por isso que existe uma quantidade absurda de hqs boas que nunca saíram nessas terras.

A última vez que Cinder & Ashe foi publicada aqui foi em julho de 1989 pela editora Abril. Agora a Panini traz a hq escrita por Gerry Conway e desenhada por José Luis García-López

A história é sobre um casal de investigadores particulares de Nova Orleans que trabalha com controle de danos em casos relacionados à guerra do Vietnan. Esses casos são contados em flashbacks de acontecimentos de 20 anos atrás. E que deixam tudo mais misterioso.

A edição nova tem formato 18,5 x 27,5cm (maior que os 17 x 26cm do original). Capa dura. 130 páginas e custa R$51,00

Apesar de nunca ter lido a hq, acredito que pode ser uma boa história. Pelo nomes Gerry Conway e José García estarem à frente dela. Um ótimo escritor veterano (desses que os leitores mais novos não se lembram) e um desenhista que tem uma das artes mais adoradas do mercado mainstream.





O preço. como de costume, está alto. São R$51,00 por 130 páginas. Apenas cinco capítulos da série. Capa dura totalmente desnecessária colocada no volume pra lucrar em cima do luxo dispensável. No dia em que escrevo esse post está na Amazon pelo valor de pré-venda de R$38,20. Ainda assim caro! Pois um encadernado de apenas cinco capítulos não justifica esse valor.

A Panini continua com o modelo de negócios que está afundando o mercado e se mostra descolada da realidade. Será assim com todas as raridades ou quadrinhos que mereçam uma chance sendo publicadas aqui. Até por que a editora decidiu (pelo consumidor) que toda hq nova ou inédita não vai sair em edições capa-cartão baratas. Ela mesma exclui a opção do leitor pagar pouco e conhecer o trabalho dos artistas. Comprem somente numa promoção MUITO generosa...

terça-feira, 28 de abril de 2020

EU NÃO SUPORTO MAIS A INFÂNCIA PROLONGADA DOS LEITORES DE QUADRINHOS

Por: Hds


O leitor de quadrinhos no Brasil não só se recusa como se orgulha de não crescer nunca...

Há alguns dias atrás, eu comentei sobre como J. P. Martins e Hélcio de Carvalho estragaram as eras Marvel e DC na finada (foi tarde...) Editora Abril num canal de Youtube. Como resposta, indireta, sendo que não foi a ele que me referi, o próprio dono do canal me advertiu que deveria ter respeito pela opinião dele, não ser "rude" e fazer "ofensas e acusações" a ninguém, pois ali não era um lugar próprio pra esse tipo de opinião.

Em primeiro lugar, não fiz acusações aos ex-funcionários da Abril, falei a verdade. Hélcio e Jotapê juntos reinaram, com a concordância dos donos da empresa, durante mais de dez anos. Publicando revistas adulteradas, enganando e induzindo o leitor a pensar que as desfigurações das hqs eram necessárias pra que fosse possível a publicação dos dois maiores universos. Que, ou era ter aquelas revistinhas miniaturizadas ou era não ter nada.

Sempre vai ter alguém pra dizer que o motivo pra escrever esse texto foi a reação do sujeito em questão. Que esse post é uma resposta a ele, mas na verdade essa matéria é destinada a todos os pobres de inteligência que possuem o mesmo padrão de comportamento que esse indivíduo. Indivíduo esse que já deve ter lá seus mais de quarenta e tantos ou até cinquenta anos, mas que mostra o mesmo tipo de atitude frouxa, esquiva e complacente da maioria dos leitores. Mas a verdade é que eu não suporto mais esse tipo de gente desde décadas atrás.


CORPO DE ADULTO, CABEÇA DE CRIANCINHA

Antes da faixa etária dos leitores subir, todas as editoras que trabalharam fazendo hqs para crianças e adolescentes tiraram proveito disso pra vender produtos mal-acabados e cheios de defeitos. Tamanho reduzido, cortes de páginas ou de histórias completas, personagens apagados ou realocados, textos e diálogos reescritos, "correções" de problemas que as próprias editoras criaram, manipulações cronológicas com o propósito de enganar e omitir adulterações, aumento ou diminuição de histórias na intensão de lucrar ou só acelerar o volume de material publicado, colorização tosca, edição preguiçosa, erros de gramática e diagramação, entre tantos outros.

E desde a época em que crianças e jovens compravam hqs mais do que os adultos, que todos esses problemas existem e persistem até hoje. Por que isso acontece? Pelo fato da mentalidade dos leitores não ter crescido junto com eles. Os leitores atuais, ou são os mais velhos (eu sou da era Abril) que leram hqs da Ebal, RGE ou Bloch, ou são jovens com dinheiro, que compram guiados pela propaganda de canais de YouTube. Por isso mesmo esse mercado, e mais importante, a grande massa de leitores no Brasil está aprisionada entre esses dois grupos que definem a forma do mercado e como ele opera.

Não tenha dúvida, a culpa dos quadrinhos estarem presos nesse estado de estagnação proposital é dos leitores. Como falei antes, a faixa etária deles é adulta, mas os adultos não agem de acordo com a idade que tem e são trapaceados por macacos velhos desse mercado. Como os próprios Hélcio de Carvalho e J. P. Martins.

Isso acontece por que os mais velhos nunca quiseram saber sobre os bastidores da política das redações de editoras. Não tem a noção mais básica do lugar de onde os quadrinhos vêm, como são feitos, o porquê de terem ou não qualidade ou quem são os que decidem como vão ser esses produtos. Sendo assim envelhecem como compradores que sofrem dos mesmos problemas que tinham quando eram crianças. Sem saber a causa deles. Caem em todos os truques e manobras mais baratas aplicadas pelas empresas. Pois não enxergam as editoras como empresas, mas como os fornecedores da dose mensal de escapismo deles. As editoras por outro lado nunca deixaram de ver o leitor como fregueses. Não importando a idade.

Já os leitores novos apresentam uma realidade desesperadora. Não tiveram um contato natural com as hqs. Foram introduzidos por aproveitadores de canais que fingem estar em perfeita sintonia com as ideias e vontades do público para, após ganhar a confiança deles, influenciá-los e convencê-los a comprar. Essa geração não aprendeu a entender do zero o que é um quadrinho. Tudo foi explicado a eles em vídeos. Não tiveram que perceber diferenças ou distinguir arte ou roteiros, os seus ídolos pensaram e separaram tudo por eles. Não precisam reconhecer uma hq clássica, pois todos os clássicos foram empurrados goela abaixo como pedágio para se tornarem "leitores inteligentes". Descoberta, deslumbramento, diversão, experiência, aprendizado e capacidade de avaliação foram substituídos por pseudo-instrutores dissimulados e gananciosos. Ou seja, a formação da "geração youtube" como leitores de quadrinhos foi totalmente artificial.


EDITORAS NÃO MERECEM SUAS LÁGRIMAS 

Quadrinhos no Brasil sempre foram um bom negócio. Entretenimento vende até em épocas de guerras. Os soldados americanos, por exemplo, recebiam hqs de super-heróis para ler no front. Desde que a Marvel estreou nos anos 60 nas revistas dos Postos Shell, as editoras que seguiram publicando a Marvel lucraram, mesmo sem pagar direitos à editora americana. Quando alguma delas deixava de publicar, os direitos eram disputados aos socos. Isso não parece combinar com o choro que elas fazem sobre os lucros e sobre a dificuldade de publicar. A verdade é que hqs são muito rentáveis e venderam bem em todas as épocas de piores momentos da economia. E olha que não foram poucos.

Há poucos dias li um texto no site oficial do Sebrae onde havia um balanço do fechamento de micro e pequenas empresas. Mais de 600.000 delas fecharam ou faliram só nesses dias entre março e abril de 2020. Estima-se que são mais 9 milhões de novos desempregados nas ruas. Você ouviu falar de alguma editora de quadrinhos entre essas empresas?

Mas apesar de as editoras atravessarem esse período vendendo pelos Correios, vi também há poucos dias, um vídeo com dois donos de canais de hqs discutindo sobre "como fica o mercado depois da epidemia". Ou seja, por mais que os leitores apanhem das editoras, eles estão sempre mais preocupados com elas do que com sigo próprios. O leitor é sempre quem sofre os piores males nesse mercado, mas por enxergar a si mesmo como um fã e não um consumidor, acaba lamentando a situação das editoras e não a sua própria quando há alguma crise. É ele que financia as hqs caras e cheias de erros postas à venda de forma cada vez mais restritiva. Mas o medo que tem de perder seus queridos quadrinhos faz com que defenda justamente quem o menospreza.


O ADULTO COM MEDO DE AMADURECER

Não existe segredo em entender o porquê dos leitores serem tão desleixados e ignorantes nesse país. Mesmo a grande maioria sendo adulta, não conhecem a produção das redações e gráficas, não aprendem nada que não esteja restritamente ligado ao ato de consumir. Não sabem de onde vem as hqs, como são feitas, por que tem ou não qualidade, quem são os responsáveis pelo conteúdo delas, por que custam caro ou barato. Ou seja: são adultos que só sabem o que qualquer criança saberia quando inicia sua vida de leitor.

Declamam seu amor incondicional aos quadrinhos mas não sabem como ele chega até as mãos deles, não procuram aprender nada que vá além do que acompanham nas ficções das histórias. Ou seja, sabem muito sobre personagens, origens, poderes e lugares que não existem, mas sobre o objeto real que seguram não sabem nada. Rejeitam opiniões críticas. Tem medo delas. Acham que se você duvidar por um segundo da natureza supostamente pueril das revistinhas que leem vão estar cometendo um crime capital, perdendo a aprovação dos outros que são tão ignorantes e cegos quanto eles.

Enfim, fãs de quadrinhos no Brasil são preguiçosos e covardes. Ignorantes que se encolhem com medo nas suas bolhas de saudosismo infantil, onde estão seguros do pavor que um possível questionamento relevante e saudável provoca. Medo de crescer, medo de questionar, medo da opinião contrária, medo de saber demais e descobrir que nos EUA, Japão ou aqui na terra dos bananas, existe corrupção, oportunismo e ganância. Isso tudo os faz se esconder num cantinho seguro onde fingem que nada disso é real. Por isso mesmo o leitor de quadrinhos não amadurece. É uma eterna criança que vira o rosto e se esconde com medo dos problemas do mercado que fabrica seus objetos de adoração ingênua.

A maioria dos leitores de hqs não são mais crianças ou como diz a máxima clichê: "quadrinhos não são só pra crianças". Mas a situação atual é bem pior. Hoje temos adultos que não tem interesse nenhum nos assuntos adultos. É a verdadeira síndrome de Peter Pan.


SITES, BLOGS E YOUTUBE: MÁQUINA DE CRIAR DEMENTES

Em sites, blogs ou canais de youtube, a regra é ser alegre e transparecer alegria. Mesmo quando não há motivo pra se sentir assim. Quadros superficiais copiados de outros canais sem conteúdo ou opinião. Nunca opine! Opinião divide espectadores e você não vai querer perder inscritos certo? Nada de assuntos que não incluam sorrir, ter reações pré-fabricadas. Você deve exaltar os quadrinhos como se fossem perfeitos e não houvesse nada de errado neles ou no mercado. Isso é coisa de gente chata! Tenha sempre um controle doentio das pautas para que nenhum tema sério entre. Isso espanta pessoas imbecis que acham que entretenimento é feito só de bons momentos. Fuja de tudo que não seja limpinho, comportado, infantil, forçadamente emotivo, livre de contestações, raso e vazio de informações que possam dar dores de cabeça em espectadores/leitores com um QI menor que o de um bicho-preguiça. Pensar dói a cabeça. Duvidar ou questionar dá medo. Procurar informações que ampliem a experiência é cansativo e deve ser evitado. E, principalmente, ir contra os dogmas covardes da maioria dos leitores. É condenável! Fuja de ideias diferentes da sua como se foge do demônio!


OS ADVOGADOS DE EDITORAS

Todas as editoras cometeram erros pelos quais os leitores pagaram, muitas vezes sem nem saber ou se importar. Erros que sempre vão existir, mas que, logicamente, são toleráveis apenas até um certo ponto. Quando as empresas cometem erros demais ou quando os erros são parte da própria política de produção e estão lá de propósito, o leitor deve agir. Mais uma vez relembro que leitores infantis ou adolescentes não tem a menor obrigação de exigir direitos junto ao Procon. Seria absurdo supor que uma criança de oito anos fosse até um posto desse órgão com uma edição do Homem-Aranha querendo "fazer valer seus diretos de consumidor". Mas isso é o que se espera de leitores que passaram dos dezoito anos certo? É bem justo acreditar que um leitor maior de idade, dono da própria vontade e trabalhador, mova recursos contra empresas que o lesem financeiramente.

Mas o que vemos é uma corrente contínua de mediocridade e negligência vinda de pessoas que se consideram maduros por ler V de Vingança, Druuna ou Cavaleiro das Trevas, mas levam prejuízo da maneira mais passiva. Editoras antigas como as já citadas Bloch, Ebal ou RGE tem fãs mais velhos e muitos deles não estão nos meios de comunicação como Youtube, sites ou redes sociais. Alguns deles já faleceram pela idade. Mas ainda existem bastante ex-leitores da Editora Abril. A editora que reteve os direitos de publicar DC e Marvel por quase vinte anos.

Esses estão aí por todos os meios de comunicação. E alguns deles até dentro das editoras ativas no mercado. Incluindo o sujeito de que falei no começo do texto, esses leitores advogam em causa da Abril. Sorriem quando falam das aberrações feitas por ela. Fazem vista grossa pra ruindade e incompetência de tipos como o Jotapê, Hélcio ou Levi Trindade. Entre esses que falei estão os participantes de panelinhas. Amigos de editores e artistas que tem a mesma postura subserviente. Além de serem ferrados por empresas que só querem lucrar fácil em cima de ovelhas, eles ainda travam longas batalhas em espaços de comentários de canais e redes sociais defendendo vorazmente essas empresas. A pior espécie de ser humano esquivo e adulador que existe na face da terra! Aqueles que trocam tudo que podem ter de melhor sendo livres pra falar e fazer por humilhação bem remunerada. Ou nem isso...


SAUDOSISMO USADO COMO DESCULPA PRA SER FRACO E TACANHO

Sentir saudades de algo ou alguém por si só é um bom sentimento. Que, na verdade, somente é bom quando não dura ou vai longe demais. Agora quando esse sentimento vem atrelado ao consumismo burro, conveniência, acomodação ou sentimentalismo barato, aí temos uma aberração de treze cabeças. Um fantasma deprimente. Uma doença difícil de tratar e que se alimenta da mais pura irracionalidade. Em vários níveis diferentes, dos mais grotescos aos menos incômodos, as falhas nos quadrinhos feitos ao longo de mais de um século de história foram muitas. Hoje o padrão de qualidade das hqs está, além de alto, compatível com os padrões estrangeiros. Mesmo havendo erros também, claro, mas eles estão sendo fiéis aos originais o quanto possível.

Mas o que justifica esse apego a quadrinhos modificados ou mal publicados? Essa raiva insana a quem critica erros e decisões mesquinhas? Por que leitores que deviam querer avaliar o produto que compram pra levar somente algo bem feito e merecedor do dinheiro gasto se comportam como viúvas rancorosas? A resposta pra todas esses perguntas é: uma teimosia ignorante e covarde. Pessoas que de tão burras não conseguem imaginar que criticar não significa odiar. Que enxergar erros e falhas não é o mesmo que procurar condenar algo ou alguém. Que manter um olhar atento a detalhes é querer o melhor daquilo que se vende pra alguém que deve, em primeiro lugar, se enxergar como consumidor. Não um fã cego e intolerante. Um defensor raivoso que não suporta que duvidem de seu brinquedo, seu objeto obsessivo de admiração intransigente. Essas crianças violentas e birrentas que atacam tudo que não habita o seu mundinho de perfeição ilusória. Onde ele pode ser eternamente feliz e nunca confrontar nenhum tipo de contradição. Um moleque ciumento cercado por uma muralha de auto-engano. Esse é exatamente o perfil deplorável dos leitores brasileiros dos anos 70, 80 e 90 enterrados nesse mesmo saudosismo.


A FORMAÇÃO ECONÔMICA, CULTURAL E EDUCACIONAL DAS AMEBAS 

No meu entender não existe um meio de influência mais nocivo que canais de "gibitubers". Se é incomum ver leitores de hqs lendo textos e posts, isso se dá pela preguiça paralisante que os faz correrem para esses canais. Lá o leitor jovem encontra toda falta de seriedade, toda estupidez, toda propaganda bombardeada regularmente nos olhos dessa geração pobre de ideias e iniciativa. Na falta do que pensar não haverá problemas, o palhaço/apresentador pensará por você! Ele vai entregar precisamente aquilo que se espera pra entreter a mente de, para quem a prática de pensar, se constitui numa ação torturante. O resultado disso é a geração de leitores de hqs mais mal-educada de todos os tempos! Não sabem aprender pelo esforço próprio. Precisam ter a cavidade cranial preenchida com estrume vindo de "influenciadores digitais" como os três editores que são idolatrados e conhecidos por "fazerem um marketing perfeito de hqs". Mas que na verdade são bem sucedidos por cima do vazio de inteligência de uma manada de acerebrados. Não há desafio ou talento nenhum em trapacear idiotas. É fácil! Essa massa de leitores não está pronta minimamente pra oferecer resistência aos métodos de propaganda e pretensas facilidades. Compram volumes de luxo como zumbis sem vontade própria. A visão rasa e falta de interesse em aprender a se virar nesse mundo de exploração, transforma-os em seguidores de verdadeiros animadores de festa retardados, disfarçados de "leitores apaixonados". Apresentadores de programas ruins que estão lá pra vender e que fingem estar se aprofundando em conhecimentos copiados de outras pessoas.

Além da postura previsível de evitar problemas que espantem espectadores/fregueses, eles tentam afetar inteligência. Tentam parecer cultos e bem informados enquanto espalham asneiras que não se deram ao trabalho de averiguar. Mentem sobre a qualidade das hqs pois são bancados por editoras. Avaliam de modo incompetente os quadrinhos, o que deixa os leitores desguarnecidos de opinião confiável e bem fundamentada. Isso se traduz em análises/reviews porcas e apressadas. A preocupação em parecer maduros levam essa turma de hienas pros bares. Tentando emular um estilo de vida que se afasta dos nerds clássicos, xingados e rejeitados desde sempre. Mas continuam sendo farsantes que se aproveitam de uma mídia popular pra moldar o pensamento de leitores impressionáveis. Não passam de aproveitadores que usam o interesse dos outros como ímã pra atrair dinheiro.


EU DESISTO...

Ser um leitor de quadrinhos nesse país é ser uma criança velha. Pessoas displicentes que não querem melhorar como consumidores e nem querem que os outros melhorem. Medrosos que pulam fora de qualquer coisa que os remova de sua concha de conforto infantil. Que rejeitam qualquer evolução mental e cultural em nome de alienação e conformismo. Que não questiona, não pesquisa, não aprende, não cresce, não tolera divergência, não enxerga que a sua intransigência limita o discurso e não percebe o próprio papel nos problemas que existem no ato de consumir quadrinhos. É por isso mesmo que a situação dos quadrinhos está tão ruim. O porquê de ela sempre ter sido problemática e por que nunca vai se resolver. Pelo fato de o leitor manter tudo exatamente como está, estagnado na imbecilização, durante décadas. Cada geração de leitores tem sua parcela de culpa nisso. Se o mercado é como é, a causa sempre foi o leitor, pois não existe hqs sem leitores. Quem acredita que ser um leitor de quadrinhos adulto é ler quadrinhos adultos está enganado. Ser adulto é ter a capacidade de assumir responsabilidades pesadas e não fugir delas! E é por isso mesmo que eu desisto dessas pessoas. Desisto de tentar colocar alguma ideia decente na mente de criaturas bisonhas que preferem se fechar dentro do seu meio repleto de imaturidade, falta de graça e desorientação proposital. Se querem permanecer assim, que fiquem.

terça-feira, 7 de abril de 2020

MAURICIO DE SOUSA PRODUÇÕES "REPREENDE" MINISTRO DA EDUCAÇÃO

Por: Hds.





O Ministro da educação Abraham Weintraub postou na página dele no Twitter um questionamento em tom de brincadeira sobre quem está lucrando com a epidemia do vírus chinês. Usou uma linguagem estilo Cebolinha pra ironizar uma capa do quadrinho "Saiba Mais" onde o tema era a China. Vejam o post abaixo:




Isso foi o suficiente para jornais e sites (em mídia física ou online) mostrarem todo o "repúdio" ao texto do ministro. Mas, numa atitude previsível e fútil, a Mauricio de Sousa Produções resolveu se declarar incomodada com a postagem e respondeu oficialmente no infame jornal Folha de São Paulo:


"Não autorizamos o uso de nossos personagens nessa postagem. A Mauricio de Sousa Produções tem uma relação de muitos anos de amizade e admiração com o povo da China.
A nossa primeira publicação naquele país foi justamente sobre o descobrimento do Brasil. E, por aqui, fizemos um Saiba Mais! (nossa publicação que aborda diversos assuntos educativos) para mostrar um pouco da rica História da China para os leitores brasileiros.
Porque há 60 anos, a Turma da Mônica preza pela amizade entre todos os povos. E continuará sendo assim."


Em primeiro lugar, quem disse que o ministro (ou qualquer cidadão precisa de autorização da MSP pra postar uma imagem que notoriamente não visa fins lucrativos? Quer dizer que todos os que fizeram memes e paródias sobre os personagens da MSP na internet tem que pagar royalties a ela agora?


Ei Mauricio! Não vá esquecer de cobrar direitos por esse aqui certo? Vocês estão "tomando chapéu"!

O quadrinho foi lançado em julho de 2011 pela Panini e o ministro usou a imagem pra debochar do tema da hq em relação à política chinesa, e não pra criticar os personagens. Mas pra MSP não existe humor vindo de gente com a visão política de Weintraub. Se ele faz piada ou ri de algo é maligno, irresponsável e está se apropriando das imagens. Pode apostar que vários jornais, sites canais de tv entre diversos meios de comunicação já usaram material da MSP, mas como muitos deles são concordantes com as ideias de Mauricio de Sousa ou da empresa dele, não levaram "bronca" nenhuma.


Com o empresário criador da Turma da Mônica é assim, pode até usar seus personagens pra veicular ideias políticas, desde que sejam com esse tipo de viés abaixo:



sábado, 4 de abril de 2020

MARK MILLAR FAZ PAPEL DE IDIOTA AO POSTAR COMPARAÇÃO COM BOLSONARO

Por: Hds.


Mark Millar é o típico "escritor consciente". Usa hqs pra falar de minorias, injustiças, desigualdades e, pode apostar, enriqueceu muito vendendo revistas e direitos autorais às custas nerds que acreditam no discurso dele.



O negociante de direitos autorais para estúdios de cinema, empresário rico, hipócrita e escritor de quadrinhos (quando sobra tempo...) Mark Millar, fez um uma postagem no twitter dele comparando Bolsonaro ao personagem Immortal Joe de Mad Max.





Millar ironiza dizendo que: "não pode ser o único que percebeu isso". Deixa eu ver o porquê de ele ser o único a "notar" isso: por que não se parece coisa nenhuma? Ele foi o único, pois ninguém mais pensaria numa comparação tão descabida e fora de contexto que essa. Millar quis mais uma vez forçar a barra pra demonstrar o ódio que sente por políticos de direita ou conservadores. 

Não é nem um pouco incomum ver artistas/escritores falando imbecilidades sobre políticos ou sobre política no mercado de comics. Alguns se empolgam e erram a mão na tentativa de colar uma piada, ou uma crítica raivosa com a clara intensão de atacar um alvo.

O portal UOL, notório puxa-saco da esquerda e tendencioso ao extremo, publicou um post sobre o twitter de Millar. Começam elogiando o autor (tática velha pra amaciar o leitor do texto) e comentam a brincadeira na frase que mistura inglês e português, que faz média com o leitor brasileiro.

Mark é geralmente citado como um escritor engajado em temas políticos, temas esses que ele às vezes enfia nas hqs que escreve de modo forçado e proselitista. Mas a ignorância de Millar não surpreende e é nivelada pela manada de quadrúpedes que ocupa as redações das maiores editoras de quadrinhos nos EUA.

Quando se tem na cabeça só o estudo da escrita rasa, cultura superficial e um entulho de referências pop babacas usadas como fan-service, não se pode esperar que saia alguma coisa brilhante de cretinos como Mark Millar. Embora o fato dele ser mais um escritor em fase de decadência criativa, militante de causas falsas, isso não o impede de ter seus seguidores entre os "amigos brasileiros".

sexta-feira, 5 de julho de 2019

A DC CONSEGUIU O QUE QUERIA: ENTERRAR O SELO VERTIGO...

Por: Hds.




Pra quem não é cego e já vinha percebendo os estragos que a DC fez na linha Vertigo essa notícia era previsivelmente esperada. 

A editora anunciou que a partir do ano de 2020 vai substituir três linhas de hqs e entre elas está o selo Vertigo que deixará de existir. Os títulos serão encaminhados ao DC Black Label.

Poucos leitores sabem, até por que boa parte deles está mais preocupada em debater alguma estupidez, mas o fim da Vertigo era inevitável. Não digo isso pelo fato do selo ter algum tipo de "prazo de validade" determinado pela proposta adulta. Ou mesmo por oscilar entre períodos de qualidade e desgaste. Mas sim por que a política da DC Comics (invisível aos mesmos leitores viciados que esbravejam quando mudam as cuecas de um herói, mas são feitos de idiotas pelas editoras) desde o início dos Novos 52 vem o destruindo completamente. 

É comum os americanos ("estadunidense" é meu ovo!) e brasileiros focarem totalmente o interesse nos personagens e eventos, ignorando completamente o que se passa nos bastidores das editoras. Mas eu faço o contrário! Pois é JUSTAMENTE aí que está a informação relevante! Tendo dito isso, nem pensem que eu vou correr pra Wikipedia pra coletar informações idiotas que qualquer aluno de quinta série consegue pra escrever matérias banais e limpinhas. Assim como fazem o UniversoHQ ou o aterro de lixo hospitalar conhecido como Ometete. É por causa deles mesmo que 99,8% dos leitores amebas não sabem que existiu uma figura principal na morte do selo Vertigo: a vaca da Diane Nelson


Diane Nelson foi a doença que matou o selo Vertigo...

Ela se destacou na divisão de cinema da Warner trabalhando na franquia Harry Potter  e em 2009 virou presidente da DC Entertainment. Durante esse tempo houve a mudança da sede da DC para Burbank e em 2011 iniciaram o evento (de bosta) Novos 52. A visão típica dos empresários que descobriram (de forma "genial") que revistas não dão mais dinheiro que filmes preparou o terreno pra essa megera se espalhar. Foi nessa época que vários artistas e escritores saíram da editora putos da vida reclamando da arrogância e mão pesada de Nelson. Entre eles estão George Perez e Paul Jenkins.

Não bastasse a DC dinamitar o universo pós-crise pra por uma aberração de reboot no lugar, alegando que era necessário pra atrair novos leitores, ela ainda adotou uma militância pró-minorias semelhante a da Marvel. Retirou personagens da Vertigo pra atuar no universo dos super-heróis (ideia cretina e que todo mundo desconfiava que ela faria um dia, mas não acreditava que teria coragem pra fazer) como foi com Constantine, Monstro do Pântano e Homem-Animal. Ou seja, a própria política da empresa nesse período deu aval pras cagadas que a loira burra tinha em mente. A DC estava em sintonia com Diane para foder com o selo Vertigo e as decisões dela tiveram livre passagem para provocar o estrago que terminaria por esfacelar o selo.


Essa loira aqui além de não ser burra foi bem competente.

Desde a fundação da Vertigo, o selo mais importante e vitorioso da DC mostrou a que veio com uma bibliografia de fazer inveja a qualquer editora na história dos comics.  Foram centenas de talentos criativos, dezenas de quadrinhos geniais e uma trajetória que mudou as hqs e deixou seu estilo impresso na cabeça dos leitores. 

Até uns três ou quatro anos atrás, apesar de não contar mais com um elenco tão estelar como já teve, a Vertigo ainda mantinha a tradição de trazer opção ao leitor adulto acostumado com temas pesados ou mesmo proibidos nas demais linhas de hqs populares. Foi em 2012 que veio o divisor de águas (de esgoto) que definiria o declínio progressivo da Vertigo: a saída de Karen Berger.

Mesmo do início dos anos 2000 até a segunda metade dos anos 2010, a Vertigo mostrava títulos bons e duradouros. Exemplos disso são Lúcifer e O Inescrito de Mike CareyY O Último Homem de Brian K. Vaughan, Escalpo de Jason Aaron e 100 Balas de Brian Azzarello. Mas a saída de Berger fechava uma história que começou com o próprio faro apurado da editora na busca de novos talentos que resultou na famosa "Invasão Britânica" do mercado americano. Foi ela que trouxe Alan Moore, Neil Gaiman, Grant Morrison, Peter Milligan, Jamie Delano, Garth Ennis entre outros. Se a bagunça que a DC estava em 2011 e a tacanhez de Diane Nelson foram responsáveis por ela pedir demissão, eu não cheguei a descobrir.


De editora/piada com roteiros podres e desenhos feios pintados por colorização computadorizada a Image 
virou uma concorrente para a Vertigo

Enquanto a Vertigo seguia sua trajetória a Image Comics, que durante muito tempo foi uma péssima editora, passou por uma reformulação radical e virou uma publisher de materiais autorais de bastante qualidade. Alguns quadrinhos dela ganharam fama e agradaram leitores adultos exigentes tanto quanto os que o velho selo criado em 1993 lançou. Como exemplos temos: Invencível de Robert Kirkman, Saga do ex-Vertigo Brian K. Vaughan, Lazarus de Greg Rucka, Criminal de Ed Brubaker, Jupiter's Legacy de Mark Millar, Monstress de Marjorie Liu e o que falar do maior sucesso da história da editora, The Walking Dead  também de Robert Kirkman?

A Image de aberração fundada sob a ganância dos novatos artistas saídos da Marvel virou uma ilha de prosperidade, oferecendo maior participação nos lucros de hqs autorais. Isso atraiu diversos nomes de peso da própria DC e gerou um vácuo de criatividade na Vertigo que culminou na derrocada do selo somada ao desinteresse da editora. Após a saída de Berger a DC trocou de editor DUAS VEZES num espaço de sete anos. Enquanto ela passou quase VINTE ANOS como editora lá.


Cairia nas mãos do merdinha do Mark Doyle a tarefa de enterrar o defunto.

A saída de Karen Berger por si só não acabaria com o selo. Até por que ele já estava consolidado e possuía vida própria. E foi naturalmente alguém que estava lá desde a criação que ficou no lugar de Berger, a editora Shelly Bond. Dentro do desgaste provocado por longos anos de gestão incompetente, Bond não poderia fazer muito a respeito da queda de qualidade. Mas certamente não foi esse o pior motivo que viria a aplicar a injeção letal. A proposta do débil mental chamado Mark Doyle é que faria isso...

Em junho do ano passado esse infeliz falou pela DC como novo responsável pela linha e lançou sete hqs que teriam, segundo ele, um caráter "socialmente relevante". Aproveitou pra mentir falando que esse era um "retorno às raízes". 

O resultado é que a DC deixou que esse mongol transformasse a Vertigo numa gráfica de panfletos nojentos recheados de discurso tendencioso e ideológico. Tudo estava lá pra turminha dos justiceiros sociais, ou floquinhos de neve, ou beautiful people, progressistas, você escolhe, espalhado entre as revistas. Os temas eram imigração, feminismo, ataque ao cristianismo, racismo, misoginia, repressão policial, multiculturalismo e liberdade sexual. Tudo embalado em debates viciados e tendenciosismo lacrimejante que, como de costume, é usado pra tentar embasar textos proselitistas. Uma delas nem chegou a ser publicada após petições de cancelamento. Foi Second Coming que contava o retorno de Jesus em tom de sátira. 

O fracasso colossal desses títulos serve hoje como prego no caixão da linha Vertigo.


Obrigado à Vertigo pela inovação, criatividade e diversão que me proporcionou.

E assim temos um fim para uma das maiores linhas de hqs existentes na história dos comics. Ela rendeu séries fantásticas e deixou sua marca na mente de milhões de jovens e adultos em todo o mundo. E se serve de consolo, durou bastante pra nos entreter de maneira brilhante. Que chegue ao fim mantendo a lembrança da qualidade e espanto gerado nos leitores que jamais a esquecerão. Mesmo que esse fim venha pelas mãos de canalhas manipuladores e pela complacência nociva da editora que o criou.

Talvez assim seja melhor...

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

O QUE GRANT MORRISON PLANEJA PARA GREEN LANTERN?

Por: Hds.


No ano passado Grant Morrison anunciou que escreveria uma fase do Lanterna Verde com desenhos de Liam Sharp. O escritor disse que faria Hal Jordam como um policial que patrulha o setor do espaço pelo qual é responsável, lidando com todo tipo de desafios e que as histórias teriam um tom de "drama policial". Antes mesmo de voltar pra DC ele estava responsável pela revista Heavy Metal. Publicação conhecida no Brasil por ter tido uma versão nos anos 90.

Chegou no final do ano passado até a afirmar que já aprontou uma "2º temporada", dizendo estar cheio de ideias para o herói. Morrison não pretende usar muitos personagens próximos ao herói, concentrando a trama no trabalho como patrulheiro do setor.

Liam Sharp é um artista britânico bem sucedido que já trabalhou na revista 2000AD,  na Marvel, DC e até com o lendário Frank Frazetta. A primeira edição teve a arte dele e saiu em novembro nos EUA.

Arte bonita e detalhada de Liam Sharp

Recentemente é possível ver os desenhos espetaculares de Sharp na série Batman Metal. Admito que nunca reparei muito na arte dele, mas imagino que com um padrão como esse, ele deveria estar ilustrando a fase de Jason Aaron na nova revista do Conan em retorno à Marvel. O detalhismo e a atmosfera escura do traço combinariam perfeitamente.

Com Multiversity Grant Morrison chegou ao limite da experimentação na DC.



Desde a recepção com olhar torto que Crise Final recebeu, eu tenho a impressão que o autor estava cansado. Como é normal acontecer com escritores que já transitam há décadas entra as duas maiores editoras, Marvel e DC. Tanto é que após um dos últimos trabalhos na casa do Superman, Morrison resolveu aceitar o cargo de editor da Heavy Metal Magazine. Mesmo que não seja o caso, Morrison afirmou sobre a escolha do desenhista, que só aceitou escrever esse novo lanterna por que Liam Sharp iria participar. O que poderia indicar um desgaste que já vem de longa data com a política da DC que provocou diversas saídas da editora no período dos Novos 52.

O escocês é conhecido superficialmente pela fama de ser "fora da casinha" e por usar de elementos que vão desde física quântica até ocultismo. Apesar desses recursos nem sempre serem bem recebidos pelos leitores. Na minha opinião, as ideias do roteirista estavam cada vez mais estranhas e disfuncionais. Quase obscuras e tornavam as histórias dispensáveis.

Existe a chance de ele escrever uma série excelente e contribuir com a mitologia do policial esmeralda? Claro que sim. Morrison é talentoso e escreve histórias que valem ser guardadas quando quer. Mas como estamos falando de alguém que admite que escreve sem dar a mínima pra queixas de leitores de hq's, não é recomendável criar grandes esperanças. Resta aguardar.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

CAPITÃO AMÉRICA : O SACO DE PANCADAS DA MARVEL

Por: Hds.




Lembro de que há uns bons anos atrás eu li um texto do blog Kamen Rider (hoje Tokusatsu Mil Grau) chamado: "Homem-Aranha: o rato de laboratório da Marvel". Ele falava sobre as cagadas que a editora vinha fazendo nos primeiros anos 2000 com o personagem. Foi nele que me baseei pra escolher o título desse post. 

Atualmente parece que temos um novo alvo de esculhambação editorial na mira da Marvel, que é o Capitão América. 

Durante o arco de histórias Captain of Nothing Steve Rogers vai abandonar o escudo novamente. Após ele ser envolvido no assassinato do General Thunderbolt Ross, ao invés de tentar provar sua inocência, Steve desiste de ser o Capitão e se entrega à justiça. Agora ele vai ser preso e ficará na Balsa, a prisão para super-vilões mantida pelo governo americano.

E mais uma vez ele enfrenta outra crise de consciência, fica deprimido e resolve se punir. Mas essa lenga-lenga não começou nesse atual período criativo podre em que a Marvel se encontra.

O Homem-de-Ferro começa a confrontar o Capitão América e agir como um boçal sob motivos pouco convincentes

Foi em Guerra Civil, série ultra-aclamada do escritor Mark Millar, que começou a nova desconstrução do super-soldado. No auge da batalha entre heróis que antes se consideravam amigos e parceiros, Rogers constata que a destruição causada fere pessoas às quais ele jurou proteger. E toma uma atitude contraditória: desiste e se entrega. Mesmo estando coberto de razão! Afinal o registro de heróis colocaria a segurança, não só deles em risco, mas de parentes próximos. A transformação ilógica de Tony Stark num pau-mandado contraditório do governo não me convenceu até hoje! Afinal foi o governo que caçou, prendeu e expôs a identidade dos heróis de maneira desumana.

Assim como vários heróis da Marvel o Capitão também foi vítima das ideias imbecis e toscas.

Pra um personagem que já foi transformado até em Lobisomem (!?), não seria normal estranhar que ele servisse de saco de pancadas para roteiristas cretinos. Se a ideia de fazer com que ele perca os poderes pelo sumiço do efeito do soro do super-soldado já soa velha, imagine apelar pra velha pasmaceira do: "eu não me identifico com os valores da América de hoje, portanto abandonarei o escudo". Ai meu saco.....

Lembra dessa fase de merda em que o Capitão usou uma armadura genérica
 que o deixava parecendo um completo idiota?

Desde a badalada Guerra Civil até os dias atuais, foram diversas mazelas pelas quais Steve Rogers passou: teve que fugir e agir na clandestinidade por causa de uma lei draconiana aprovada às pressas pelo governo e apoiada pelos amigos que o traíram. Morreu (coisa básica...) baleado às portas do Capitólio e prestes a ser julgado. Envelheceu pela (adivinhem!) perda do soro. Foi pela zilionésima vez substituído, dessa vez pelo Capitão "Nigga", que está cagando-e-andando para problemas maiores e prefere trabalhar como assistente-social nos guetos. Contrariando toda a lógica foi associado ao nazismo, e por fim, temos ele novamente em outra crise de patriotismo forçada. 

Uma das vezes em que Steve Rogers desistiu de ser o Capitão América e
chegou a mudar de nome virando o Nômade.
Faz mais de dez anos que essa contínua fragmentação da figura do "Soldado Americano Perfeito" começou. E se você desconfia que a causa disso é a agenda podre ideológica que infectou os escritórios da Marvel há (curiosamente) mais de dez anos, eu digo que você está certo. E não me venham com balela de "teoria da conspiração". 

O Capitão está em pleno processo de se juntar aos personagens da Marvel que foram brutalmente desgastados por enredos e plots imbecis. Os X-men, Thor, Homem-Aranha Hulk entre outros já foram avacalhados por histórias patéticas. E no atual panorama insolúvel da editora, o personagem vem tropeçando em meio à repetidos chiliques de "consciência culpada".

Aja como um canalha perto de Steve Rogers e se prepare pra pagar o preço.
O Capitão de "Os Supremos" era macho pra cacete.

Onde está o Capitão visto em The Ultimates? Um cara seguro de seus valores, corajoso ao extremo e que não levava desaforo nenhum pra casa. De personalidade forte o suficiente pra atravessar o cinismo frouxo típico da atual cultura moderna. Assim era o Steve Rogers nessa espetacular série: um homem de verdade e não um bunda-mole.

Mas a Marvel não está interessada nesse arquétipo. O Capitão da nova era da frouxidão deve ser um bosta que não acredita e não trabalha pelo próprio país. Deve ter constantes exames de consciência que (não por coincidência) sempre o levam a rejeitar o modo de vida americano no qual se fez. Tem que duvidar da integridade, da honestidade ou caráter dele mesmo! Tudo em nome de uma abertura capciosa nas convicções do herói, feitas para a cômoda inserção de diarreia moral relativista.

O Capitão América existe para externar o que há de melhor na cultura e no "american way of life". Não faz o menor sentido ele tropeçar em seus próprios ideais por causa de mudanças, tramoias ou crimes vindos do governo americano. Ele é um super-herói e nunca obedeceu somente às ordens de superiores. E nem devia ficar tristinho toda vez que for traído pelo mesmo. Pois a origem dele confirma que as qualidades que tem estão ACIMA disso tudo!

Parece que na visão imunda e tendenciosa dos escritores e editores da Marvel, o Capitão pode ser tudo, menos o patriota convicto que a criação pelas mãos de Jack Kirby determina que seja.

terça-feira, 23 de outubro de 2018

"O DIA MAIS CARO". A PIADA É VÁLIDA...

Por: Hds

Se você pagar o valor de capa dessa série encadernada está "claro como o dia"
que você não tem o menor respeito pelo próprio dinheiro. 

A Panini, a editora preferida dos mega-bilionários, já colocou em pré-venda o volume DC Deluxe de O Dia Mais Claro, o importante evento da tropa dos lanternas verdes. Esta saga é continuação de A Noite Mais Densa, escrita a quatro mãos por Geoff Johns e Peter Tomasi.

A luz de todo o universo se apagou (blackout universal?) e a morte vitimou diversos heróis. Embora Hal Jordan tenha salvo vários de seus amigos numa batalha, auxiliado pela tropa, o retorno à vida de seus companheiros estaria ligado à aparição da Lanterna Branca que surgiu misteriosamente na Terra. Inicia-se agora um novo confronto que vai promover mudanças em vários super-heróis. A saga tem vários desenhistas, dos quais se destacam os ótimos Aaron Lopresti e o brasileiro Ivan Reis.

O encadernado de luxo proposital chega com 668 páginas, capa dura, papel não informado (couché?), 17,5 x26,5cm e prepare-se pra levar uma punhalada esmeralda: preço de R$193,00!!!!!!

A Panini é tão gananciosa que até parece o Larfleeze, o lanterna laranja, que é
 a criatura mais egoísta de todo o universo DC.

O Dia Mais Claro foi publicada aqui pela Panini originalmente em 2011. Teve 13 edições, sendo 12 delas com 52 páginas, papel lwc e ao todo custou R$70,39. Menos da metade dessa estocada cobrada neste novo volume. O livro anterior, A Noite Mais Densa, teve especificações parecidas em tamanho e acabamento. Mas com 532 páginas e preço de R$125,00. Detalhe: o primeiro foi lançado no ano passado! Assim nenhum engraçadinho pode dizer que o aumento se dá pelo tempo entre as edições. A editora teve a canalhice de cobrar R$68,00 a mais pelas 136 páginas excedentes de Dia Mais Claro! É o valor de uma edição de luxo embutida dentro de um "Deluxe"!

Encadernado de 304 pgs, capa cartão, lwc, somente com histórias de Alan Moore na DC
 e custando R$36,90? Isso sim é que era custo benefício Panini....

Lembram que eu falei que esse livrão foi posto em pré-venda pela editora? Adivinhem agora onde ele está? Isso mesmo! Na toda-poderosa e mal-intencionada Amazon. E se você pensou: "e daí seu chato avarento? Se ele tá na Amazon eu vou arregaçar na compra por causa do descontaço que ela costuma praticar! Hahaha!" Doce ilusão...

Até o momento em que publico essa notícia, esse encadernado que "vale mais que barras de ouro", está EXATAMENTE pelo mesmo preço de capa! De repente a Livraria/Megastore mais amada dos nerds financeiramente irresponsáveis não parece tão boa assim, não? Quer um conselho? Se eu fosse você correria atrás das ediçõezinhas avulsas o mais rápido possível! Mesmo por que elas vão esgotar rápido, são bem bonitas e não vão custar as suas córneas...


Estamos pagando o preço de assistir a geração "cale a boca e pegue meu dinheiro" dominar a internet.

Não importando a qualidade da história, o acabamento da edição, os extras que ela traga, o talento dos criadores responsáveis pela obra ou qualquer outro motivo conveniente que uma editora use pra fazer você desembolsar uma quantia aberrativa como essa, a verdade é que NÃO VALE A PENA!!!

E sabe por quê? Por que, historicamente, os quadrinhos nesse país NUNCA foram tão caros como são hoje! E enquanto os leitores não pararem de financiar essa esculhambação, isso nunca vai acabar.

Eu já disse há muito tempo nesse mesmo blog que se tornou inútil reclamar dos aumentos da Panini. Por isso eu critico os preços pelos valores e não pela política das editoras! Pois eu sei que a própria Panini foi a maior responsável pela aberração em que esse mercado "gourmet" se tornou. Não só se recusando a republicar revistas desaparecidas de prateleiras que eram cotadas a peso de ouro no Mercado Livre. Mas trazendo séries que saíram em formatos baratos totalmente elitizados em relançamentos que levaram anos pra acontecer! A Panini FOMENTOU a especulação e os preços abusivos!

E é por isso mesmo que digo que a piada é válida. O trocadilho que li, e que foi usado por um leitor que comentou sobre o preço imbecil e desnecessário do volume, mostra como o passeio de mãos dadas entre a Panini e a Amazon está arruinando o mercado de hq's.

Fontes: UniversoHQ, Guia dos Quadrinhos e Wikipedia.

terça-feira, 17 de julho de 2018

NA EDIÇÃO DE 50 ANOS DA SHONEN JUMP LUFFY E GOKU SÃO OS DESTAQUES

Por: Hds.

Goku deve ter comido a mesma fruta que Luffy comeu pra ficar com essa cara.

A revista em quadrinhos mais emblemática do mercado japonês está completando 50 anos. Estreou em 2 de julho de 1968, sendo inicialmente quinzenal e tornando-se semanal nos início dos anos 70. É  a revista de maior sucesso comercial da editora Shueisha, tendo atingido nos anos 80, a marca de incríveis de 6.5 milhões de unidades vendidas periodicamente. A Jump é, na verdade, uma antologia, funcionando como um título de bestsellers da editora.

O mangá durante boa parte de sua existência foi um sucesso em vendas e público, e ficou amplamente conhecido não só no Japão como no mundo inteiro pelos heróis lutadores voltados para leitores masculinos infanto-juvenis.

E na capa da edição de 50 anos, nada menos que Eiichiro Oda, o criador de One Piece traz uma homenagem ao Goku de Akira Toriyama, aquele no qual Oda admite ter se inspirado para criar o pirata.

A já conhecida poluição visual típica das capas de compilações de hq's para meninos.

Foi nele que justiceiros como Kenshiro de Hokuto no Ken estipularam o padrão do que se tornaria a essência do termo "shonen" no mercado japonês.

O próprio Hokuto no Ken, Dragon Ball, Saint Seiya, Yu Yu Hakusho, Rurouni Kenshin, Hunter x Hunter, Yu-Gi-Oh!, One Piece, Naruto, Bleach, Death Note, Shaman King entre dezenas de mangás famosos foram lançados nas páginas da Shonen, que serviu como uma "vitrine de luxo" pra quem gosta de histórias de ação.

Na Jump, mangakás (quadrinhistas) conhecidos apenas na chamada "terra do sol nascente" se tornaram superestrelas mundiais. Pergunte a qualquer otaku nomes do mercado e ele vai citar: Akira Toriyama, Yoshihiro Togashi, Eiichiro Oda, Nobuhiro Watsuki, Masami Kurumada, Masashi Kishimoto, Tsugumi Ohba entre tantos.

Os maiores astros da Shonen Jump em versão SD.

É por esse motivo que a Shonen Jump deve figurar entre as revistas mais importantes da história mundial dos quadrinhos. Assim como qualquer revista americana ou européia conceituada, pela contribuição à cultura popular de entretenimento. Trata-se de uma publicação que rendeu fartas séries de sucesso e que ganharam milhões de leitores pelo mundo. Séries estas que trouxeram com sido uma infinidade de produtos relacionados, dos quais os animes são os mais cultuados até hoje, e fizeram a diversão de gerações inteiras. Parabéns a essa magnífica revista e vida longa!

sábado, 14 de julho de 2018

MULHER MARAVILHA: O FANTOCHE DO FEMINISMO

Por: Hds.

A Mulher Maravilha de Cary Nord expõe o que todas as mulheres gostariam de ser: bonitas, mas não necessariamente feministas...


A ativista-feminista pró-islã e escritora (ruim) nas horas vagas G. Willow Wilson e o desenhista Cary Nord, vão assumir o título da Mulher Maravilha em novembro a partir do número 58.

O primeiro arco, Just War, mostra Diana indo a um país da Europa pra salvar Steve Trevor, depois de uma unidade militar inteira desaparecer, e acaba topando com Ares

O editor-executivo Dan Didio (que a exemplo de Axel Alonso na Marvel deveria ter sido chutado desse cargo, mas continua fazendo merda na DC há 16 anos) disse que está animado com essa "inacreditável oportunidade" de ter Wilson na M.Maravilha.

A M. Maravilha é uma das poucas personagens que não precisou ser tão distorcida por reformulações tendenciosas, pois ela já foi pensada pra ser feminista desde o começo pelo psicólogo e espertalhão William Moulton Marston. O criador dela afirmava que: "A Mulher Maravilha é uma propaganda psicológica para um novo tipo de mulher que deveria, acredito eu, governar o mundo".

Moulton manteve por um bom tempo uma relação de bigamia com Elizabeth Holloway e Olive Byrne. Algo bastante contraditório pra uma pessoa que notoriamente defendia o feminismo.

Sabendo desses fatos, é totalmente plausível se perguntar: como uma personagem que foi pensada para servir de condutor a um discurso imbecil e feminista tornou-se conhecida no mundo todo? Simples, por que ao longo das décadas posteriores aos trabalhos originais de Marston, diversos escritores emprestaram seus talentos para validar a função dela como personagem de quadrinhos. Deixando de lado toda a asneira ideológica que tornaria impossível fazer com que os leitores gostassem dela!

Assim como na série/crossover da M. Maravilha com o Conan, escrita pela também feminista Gail Simone, G. Willow Wilson pretende usar a personagem como outdoor para sua agenda pútrida. Willow nunca foi uma escritora de quadrinhos, e sim uma militante infiltrada nas redações. Não possui nada relevante assinado com seu nome e seu único mérito foi ter criado uma paródia de super heroína moldada em clichês regurgitados da origem do Homem-Aranha. 

Cary Nord, que ficou conhecido após desenhar histórias do Conan escritas por Kurt Busiek recontando contos originais de Robert Roward, tem um traço mais adequado pra uma personagem feminina que alterna entre uma guerreira e uma embaixadora de dois mundos. Estilizado e minimalista, mas elegante o suficiente para retratar uma Diana bonita e ameaçadora.

Wilson desfrutando de toda a fama, prestígio e riqueza garantidas pela
 cultura ocidental "infiel" na Comic Con NY.

A personagem vem sofrendo nas mãos de escritores que continuam usando da imagem simbólica dela para escrever peças propagandistas. De Gail Simone, passando por Grant Morrison e Greg Rucka, até chegar a contradição ambulante que é G. Willow Wilson. Uma mulher que defende o feminismo, mas ignora sumariamente os abusos cometidos contra mulheres pela religião a qual se converteu desde jovem. Defende o modo de vida e códigos do Corão, mas vive uma vida de estrela da indústria de Comics.

Essa é só mais uma ocasião comum aos dias atuais desse mercado. Assim como a Marvel, a DC continua pervertendo o conceito de seus heróis para atender a uma agenda ideológica. A justiça dos heróis está, quase que completamente, sendo substituída pela "justiça social".