segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

NÃO ACREDITE NA FARSA DE TOM KING SOBRE O BATMAN



Por: Hds.


O Batman de Tom King agora deu pra ficar se lamuriando...


Na edição número 12 de revista Batman da nova fase DC Rebirth, o roteirista Tom King, que parecia seguir na linha do apelo forçado de Scott Snyder, resolveu mostrar a que veio.

Bruce Wayne escreve uma carta destinada à Selina Kyle que está sendo responsabilizada por 237 mortes e por isso foi encaminhada ao Asilo Arkham. Na carta, Batman confessa à mulher gato que tentou se matar cortando os pulsos após a morte dos seus pais.

O personagem fala de como seus pais iriam rir dele se o vissem como o morcego. Que "a sua vida não o pertencia mais" depois da morte dos pais. De como ele próprio gostaria de rir disso, enquanto derruba soldados. E finaliza sua declaração exclamando: "i am suicide" (eu sou suicida). A trama está dentro do arco intitulado I am suicide. Igual à frase do herói, mas se referindo ao Esquadrão Suicida formado pelo personagem.

O autor se diz preocupado em saber se exagerou ou não. Mas diz que sim, o Batman sempre teve tendências suicidas. E apela para um suposto histórico que corrobora sua visão do herói. Segundo King, isso praticamente concretiza algo que "todos" já sabiam.

Para Tom King, o Batman se arrisca contra inúmeros inimigos porque desistiu da própria vida. E não para honrar os valores deixados pelos seus pais.


Como já cheguei a trazer à tona em posts anteriores, existe nas grandes editoras uma onda do que só posso definir como um tipo de revisionismo voltado para o conceito do super-herói.

Tanto na DC como na Marvel, os heróis não lutam mais porque são corajosos. Ou perseguem criminosos porque tem poder para tanto e o fazem pelo bem dos outros. Não correm riscos pela segurança alheia com clara visão de que seu sacrifício tem uma relevância desproporcional. Também não escolheram atacar o mal com orgulho e entusiasmo de quem compreende o benefício da justiça.

O desgaste do conceito de super-heroísmo promovido por editores e artistas nessas empresas visa desconstruir a importância do herói como modelo de caráter.

Esses novos heróis trazidos por celebridades da indústria dos quadrinhos são tipos neuróticos. Complexados que se encontram mergulhados em dúvidas pseudo-filosóficas. São um bando de chorões e bundas-moles que passam por crises de consciência e saem em jornadas de auto-conhecimento. Nada mais estúpido e maçante...

Pra variar, boa parte dos leitores se apressaram em escolher um lado. Alguns se irritando com a nova interpretação da origem do morcego. E outros bancando os nerds historiadores. Daquele tipo que, quando uma notícia como essa vem à público, se ocupam em catar detalhes antigos da cronologia para tentar "provar" que a premissa é verdadeira. Estes aí são um bando de retardados que fazem o trabalho sujo do escritor por ele! Tapando os buracos daquilo que não passa de uma hipótese furada!

Adivinhem só! Agora temos um Batman poeta que escreve bilhetinhos de suicídio pra sua namoradinha! E tem babacas que ainda elogiam essa porcaria!


Procurei a notícia em vários endereços. Só pra dar uma olhada nas asneiras que os "formadores de opinião" em sites de luxo diriam. Pra variar os maiores astros e instrutores de nerds acerebrados, o cano de esgoto chamado Omelete, assinou em baixo de toda essa farsa. E é claro aproveitaram para me apresentar, como diria o personagem Jesse Custer da série Preacher: " a palavra bunda-mole da vez". A palavrinha mágica é: "RESSIGNIFICAR". Dá pra acreditar nisso?

Sendo assim você já sabe: quando algum escritor vigarista, que não conhece o histórico de um herói, mas mesmo assim se acha no direito de escarrar na mitologia dele criando Retcons imbecis, quiser cagar seu personagem preferido. Ele, na verdade,  está somente "RESSIGNIFICANDO" seu herói. Que bela palhaçada heim?

A sequência em que Bruce Wayne descreve o momento em que tentou suicídio parece tirado de um romance cafona:

"Eu estava de joelhos em Gotham. E estava implorando, de mãos juntas, e o sangue e a lâmina quente entre elas. Implorei. E ninguém... Ninguém respondeu, ninguém respondeu, ninguém respondeu. Eu estava só".
   
As histórias memoráveis deram lugar ao eventismo vulgar. Roteiristas considerados "de peso" no mercado apelam para truques dos mais baratos. Os leitores, por sua vez, comportam-se como ratos de laboratório. Não sabem reconhecer uma boa história por que não sabem do que é feita uma. Limitam-se a responder a estímulos. São eletro-choques provocados por Plots aberrativos e cheios de falhas gritantes. Quem ainda se lembra do Capitão América da Hidra?

Não interessa mais a qualidade das histórias. O que importa é lançar uma ideia explosiva e depois coletar todo o benefício da propaganda gratuita. Propaganda essa gerada pelos debates fúteis e cheios de ódio espalhados em fóruns internet afora. É como jogar uma isca para animais raivosos e depois assistir a toda a baderna dando muitas risadas. Não venha me dizer que não funciona!

Tenha cuidado  quando você for tirar sarro das orelhas pontudas do Batman! Ele anda tão "sensível" que pode até ter uma crise de choro! Depois vão dizer que a culpa foi sua...


Todo leitor de quadrinhos sabe que super-heróis tem fases boas e ruins. Mas é notório que o apelo à descaracterização está se tornando frequente  demais. Tom King não foi o primeiro a ter uma ideia idiota para se auto-promover às custas de um personagem de primeiro escalão. E nem vai ser o último! Basta ao leitor ficar atento ao descaso das editoras em deixar esse tipo de farsa passar. Entender que essas "grandes sacadas" que surgem por vezes nas cabecinhas incompetentes de roteiristas preguiçosos não vão resultar em boas histórias. Vão somente desconstruir e apagar as características que fizeram desse personagem o ícone que ele representa.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

COMENTÁRIOS À ENTREVISTA DE J. P. MARTINS AO PODCAST DO UNIVERSOHQ



Por: hds.



O dicionário define tradução como a transposição ou versão de uma palavra, frase, enunciado ou texto para outra língua. A palavra, seja falada ou escrita, deveria reunir qualidades que tornassem a tradução a mais fiel possível ao original. E sua função primordial seria tornar compreensível uma informação derivada de outro idioma.

Mas é claro que no meio disso tudo acabamos descobrindo que nada nela é tão simples como mostra o conceito. E isso acontece pelo fato mais óbvio: traduções são feitas por pessoas.

Especificamente no mercado de quadrinhos, a tradução tem um papel importante que vai do mais puro brilhantismo, até a mais profunda estupidez.

Deixo desde agora uma recomendação, o ótimo texto do site JBOX: O Grande Guia da Tradução.

Desde que os quadrinhos começaram a ser publicados em massa no Brasil, atravessamos todos os obstáculos que surgiram dentro do "simples" ato de ler adaptações. Em primeiro lugar, quase que a totalidade de revistas lidas no país é traduzida. Somente uma pequena parcela de consumidores preferem ou podem ler no original. Mesmo que isso esteja diminuindo aos poucos.

Dito isso, não é difícil imaginar o quanto os leitores de quadrinhos estão à mercê do trabalho dessa categoria: os tradutores.

Como as HQ's sempre foram consideradas infanto/juvenis dentro da cultura popular, a noção mais básica de que ela deveria ser traduzida de maneira fiel, no início, era passível de risadas. Afinal, por que se dedicar tanto num material feito para crianças?


Como mostra a abertura do desenho do Thor da década de 60, o herói já foi chamado de "Barra Limpa". Seria alcoolismo? Uso de drogas pesadas? Nada tão sério. É somente a lendária preguiça brasileira mesmo. Os americanos tem o Tio Sam, nós temos o traste do Macunaíma! Sabe como é: culturas diferentes...


Da década de 60, quando os heróis da Marvel invadiram as bancas nacionais, até hoje, vimos toda sorte de alterações que beiram o humor involuntário. Formatos de publicação que, por si só, forçavam a adaptação à deturpação completa. incompetência. desleixo e descaso com o consumidor. Seja ele criança ou adulto. A mais evidente preguiça. E uma conveniência cínica amparada no velho "jeitinho brasileiro" de entregar um resultado ordinário.

Na definição, "Katzenjammer" significaria: depressão, fossa ou ressaca. Mas na tradução americana ficou "The Captain and the Kids". No Brasil saiu como "Os Sobrinhos do Capitão" e "O Capitão e os Meninos". Max und Moritz teve a ridícula adaptação para: "Juca e Chico".  

Devido ao convite do Tradutor João Paulo Martins para participar do 21º podcast do site UniversoHQ, tive a oportunidade perfeita de trazer este assunto à devida importância que ele merece.

Participam deste podcast: Sidney Gusman, Samir Naliato, Marcelo Naranjo, Sérgio Codespoti e, é claro, Jotapê Martins.

Um detalhe: algumas vozes em falas dos membros do site são difíceis de ser distinguidas. Sendo assim, vou transcrever suas opiniões de maneira integrada no texto. E antes de começar a ler este texto, naturalmente, sugiro que ouça o Confins do Universo nº21- Traduz pra Mim? até o fim para se inteirar da forma adequada. Agora vamos ao que interessa:

Sidney Gusman inicia o podcast contando o caso da alteração do nome do Batman feita pela editora O Globo de Roberto Marinho. Quando o magnata adquiriu os direitos do personagem para a revista Biriba Mensal (aqui Sidney deve ter feito uma confusão. Pois eu não encontrei nada relativo à uma revista chamada "Biriba Mirim"), a  editora Ebal já publicava um título como o nome Batman. Como os direitos da Detective Comics já estavam com a Ebal, a solução precária foi chamar o herói de "Morcego Negro".

Isso não deixa dúvidas de que a aurora das traduções de quadrinhos no país foi marcada por falta de profissionalismo e gambiarras toscas desse tipo. Daqueles tempos em diante teríamos décadas de atropelos pela frente...

Após Gusman citar vários nomes bizarros que foram usados em lugar dos originais, o próprio J. P Martins fala das traduções dementes de nomes de figuras como: Wolverine (que seria chamado de "Carcaju"!?! É, o importante é ter saúde. Física, porque mental esse sujeito já não tem faz tempo...).
O Yellow Jacket seria o "Zangão". Um nome ruim que soaria mal demais. Dare Devil, o popular Demolidor, atenderia pelo nome de "Desafiador". Nesse caso a tradução ideal deveria ter sido escolhida logo de início. Desafiador poderia colar (e teria mais a ver com a interpretação do original), mas poderia ter sido pior. Acredite. E temos também a tacanha versão imaginada pelo Jotapê do nome do Dead Man (DC Comics) para nossa terrinha sofrida: "Desmorto". Sério? O cara é tradutor e só conseguiu pensar num nome bosta desse?

João Paulo Martins

Jotapê começou a traduzir em 1979. Na época, foi até a Editora Abril e se ofereceu para traduzir duas histórias porque, segundo ele mesmo, se achava melhor do que qualquer um no mercado na época. Que ironia heim? Justo o cara que se tornaria o mais criticado tradutor do mercado.

Apesar de saber que Jotapê acredita nas groselhas que ele mesmo diz, Sidney Gusman tenta amenizar dizendo que ele é um sujeito "polêmico". Jura? E eu aqui pensando todo esse tempo que ele não passava de um arrogante e cabeça-dura.

Mesmo entrando na editora depois de Hélcio de Carvalho e antes de Dorival Lopes (ambos editores), Jotapê era o mais jovem da redação. Tinha apenas 19 anos.

O primeiro trabalho na Abril foram duas histórias do Capitão América, cujo título havia estreado em junho de 1979. Quando o tradutor fala que entendia mais de hq's do que Hélcio de Carvalho acaba atraindo risadas da equipe do UniversoHQ. Pela sua total cara-de-pau e ego inflado.

Continuou contando como aprendeu a ler em inglês comprando quadrinhos importados na Livraria Siciliano. O mais curioso nesse caso é notar que mesmo tendo aprendido sobre adaptações com os próprios quadrinhos, Jotapê ainda se orgulha de deturpar as mesmas hq's que admirava na juventude.

Hélcio de Carvalho

Hélcio traduzia naquele período também. E mesmo tendo mais experiência, colocou um moleque de dezenove anos que nunca havia visto na vida para fazer o trabalho de um profissional. Hélcio era outro que pouco se importava para a qualidade que as versões teriam no país. Por isso a dupla chegou à conclusão de que as tosqueiras que faziam eram ideais.

Após receber um teste, o novato J. P Martins "descobriu que não era o melhor tradutor do Brasil". E continua não sendo até hoje...

O convidado do podcast lembra das dificuldades em produzir uma revista com recursos precários pré-computação e internet. Fala do Copydesk e de como o texto passava por várias mãos até ir para a gráfica. Evitando que se cometessem erros. Ressaltando que hoje a quantidade de falhas nas publicações é bem maior. Embora isso não tenha a ver com adaptação, é a mais pura verdade. Mesmo os volumes de luxo estão infestados de erros.

Afirma que lançar histórias fechadas era melhor para o leitor, porque se adequavam ao formato magazine (ou Mix). E que a Marvel dificultava por causa da continuidade. Certo. Quer dizer que a continuidade atrapalhava? Ou será que era o fato dele mesmo e do Hélcio terem decidido atrasar a cronologia, fodendo com qualquer chance dos leitores brasileiros consumirem em tempo real as fases atuais?

O que acontecia na verdade era que, os editores, sempre que topavam com alguma cronologia, jogavam tudo no lixo e tocavam o foda-se. Assim poderiam continuar sendo incompetentes e facilitar seu trabalho porco! A prova disso é que já haviam exemplos de séries contínuas tanto nas hq's de heróis como em tiras de jornal e etc.

A auto-adulação cínica do tradutor não tem limites e (prepare seu estômago!) ele tem a pachorra de dizer que: " o compromisso com a cronologia foi inventado por ele e pelo Hélcio". Uma puta mentira escrota! Eles a evitaram o quanto puderam! E quando não deu mais para segurar, ainda adotaram-na com ANOS de atraso em relação ao original! E finaliza ressaltando que os dois mandavam na Marvel que ia às bancas de '79 a '83, e que ainda tinha poder sobre ela entre '84 e '92. Foi por isso mesmo que deu na merda que deu!

A primeira edição da Marvel pela Abril foi Capitão América

Segundo relatos do tradutor, a editora encomendou além do título do Capitão, Heróis da Tv. Mas exigiu que fossem editadas somente tramas fechadas. O tema do texto é sobre tradução. Mas é claro que não são só tradutores os responsáveis pelo estrago causado. Na verdade, a maior parte da notória falta de qualidade das transposições feitas no país são normas tacanhas estipuladas pelos donos de editoras, visando o corte de gastos.

Tanto é verdade, que Jotapê deixa evidente que gostaria que as revistas tivessem saído dentro da continuidade. Mas, segundo ele, teria que lançar as fases ruins. Pegando o que foi produzido de bom em décadas anteriores, eles trariam o que de melhor havia. Sei... E depois espremer tudo em revistinhas minúsculas, fatiadas e com um texto medonho reescrito por essa mesma turminha de tratantes? Que bela preocupação com a qualidade não é mesmo?

Ele confirma que poderia ter escolhido somente material de 1979 e ter editado dentro da ordem. Mas no fim das contas deu errado do mesmo jeito! Pois mesmo que a Abril não pudesse prever que sua linha de hq's iria aumentar (pelo fato de ter somente duas revistas) os editores acabaram usando isso como desculpa para embaralhar a sequência de histórias. Tenta usar o tamanho das duas hq's (56 e 84 pag.) para colar a ideia de que foi melhor assim porque não havia espaço. Mas é claro que teria sido vantagem ler as histórias atualizadas em formato 17x26cm. Mesmo que não lêssemos todas.  O que seria ideal pra você, ler Batman num título próprio grande e com material novo. Ou ler o herói emendado com outros nada a ver numa porcaria de revistinha encolhida? Sendo assim, se eles tivessem procurado organizar a linha do tempo na hora em que ela se expandiu, não teria complicado tudo na década seguinte. Década esta que traria o melhor dos quadrinhos até então. Quando todas as fases boas da Marvel e as Graphic Novels da DC saíram, tudo estava uma puta zona e não deu mais pra consertar.

A cegueira editorial da redação da Abril fez com que Batman-Ano Um e o Monstro do Pântano fossem publicadas na primeira versão em formatinho. Isso fez um estrago terrível aos trabalhos de Frank Miller e Alan Moore.

Discorrendo sobre as diferenças do formatinho da Abril em vista do "formato americano" (expressão essa que, se não foi criada pela editora, foi bastante popularizada. Pois a empresa iludia os leitores iniciantes, como foi o meu caso, fazendo-os pensar que as medidas 17x26cm se tratavam de algo "luxuoso"). O sujeito que deveria usar óleo de peroba na cara ao invés de loção pós-barba esclarece que o formatinho não era uma diminuição do original americano. Agora eu pergunto a qualquer pessoa que já tenha posto as mãos nos dois: que porra de diferença isso fez??? O formatinho da Abril acabou saindo uma meia-sola nojenta e deplorável do mesmo jeito! E ainda tem gente doente que defende isso! Sendo que, quando a Marvel estrou no Brasil em 1940 com o personagem Namor, a revista Gibi nº 142 da editora O Globo tinha 100 páginas e media 21x28cm. Antes da Abril, as editoras RGE e Bloch também haviam se arriscado com um formato inferior. Curiosamente, atravessaram períodos de dificuldades financeiras. Por que será?

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A capa de Homem-Aranha nº1 da RGE traz uma frase que soa ridícula. Mas sabe por que ela está entre aspas? Porque pertence, na verdade, ao escritor Walter Scott.


Sidney Gusman emenda ressaltando que havia a figura do "decorado" (ou dec) que não eram nada mais do que desenhistas que completavam a arte original à mão. Além desse, haviam vários outros funcionários dentro da redação que faziam modificações para tornar o formatinho possível. Um deles era o "montador". Isso era algo perceptível até para os leitores jovens. Que mesmo sem entender do processo de edição, percebiam os "retoques" mal-feitos de artistas que trabalhavam exclusivamente na editora nessa função. Como é fácil perceber, a Abril e seus editores preferiu fazer o caminho mais difícil e menos vantajoso. Para os consumidores...

Então temos editores e demais funcionários da Abril se queixando até hoje das agruras que passaram para levar essas hq's às bancas. Sendo que todas elas só existiram porque os mesmos optaram por encolher histórias. Ao invés de reproduzi-las do original.

Quando perguntado sobre as modificações. Sobre os remendos de quadros, reinscrições de textos, cortes de inúmeras páginas, decepar sequências inteiras e até a total supressão de personagens. O ex-editor da Abril manda uma frase de dar ânsia de vômito: "eu acredito que todo esse trabalho que eu vou falar agora é tradução de quadrinhos". Referindo-se às atrocidades que fazia na editora. Isso não é tradução seu bosta! É adulteração!

Compare o tamanho de um formatinho da Abril com a original americana e a versão da Panini. Uma com 13,5x20cm e o outro com 17x26cm.

Como exemplo de que não era só na Abril que se avacalhava com revistas, Jotapê lembra que a RGE e a EBAL fizeram coisas semelhantes. Quer dizer que se uma editora faz merda a outra está autorizada a fazer igual? Sérgio Codespoti embarca na óbvia ideia de que não dava pra lançar tudo que a Marvel tinha naquele período. Isso é mais do que evidente! Mas o que foi lançado deveria ter saído em formato original. Porque já havia sido feito antes e porque era melhor para o que viria depois. O mesmo Codespoti comprava hq's importadas, assim como Jotapê. É, tentar convencer os outros a ler lixo miniaturizado é bom quando não é VOCÊ que tem de ficar restrito a isso! Segundo Martins, "a Marvel também não estava nem se lixando" pra qualidade de suas revistas fora dos EUA. Irresponsabilidade da editora que deixava seus produtos sujeitos às decisões de tipos como esses.

Martins continua falando que aquilo que era feito não atrapalhava o entendimento do leitor. Como não? Se era fácil pra qualquer criança ou adolescente pegar edições de editoras anteriores à Abril e perceber que havia algo faltando. Pior ficava pra quem tinha acesso aos importados! É verdade que o malabarismo que essas pessoas faziam enganava os leitores. Mas não é aí que está fonte do problema?

Além do mais, a conversa de que a redação fazia um trabalho tão bem feito que não era notado é pura balela! Durante todo tempo a editora entupia os editoriais da revistas de textos explicativos. Na tentativa de desembaraçar a confusão que eles mesmo criaram. Tanto isso é verdade que se você pegar uma edição qualquer dos formatinhos, a maioria das cartas nas seções eram sobre dúvidas dos leitores à respeito da cronologia. As cartinhas eram escolhidas à dedo para desaguar dúvidas que ela precisava sanar com mais urgência.

E o que dizer então de personagens que foram simplesmente apagados?

Na histórica cagada da Abril, Noturno, Tempestade, Wolverine, Vampira e a Capitã Marvel sumiram. E Thor entrou onde não estava. Em Zero Hora, "apenas" dois heróis saíram da capa: um atrás da capa do Superman, que não consigo identificar. E o Starman da fase de James Robinson, que a Abril não teve interesse em lançar no Brasil.

Do ponto de vista do tradutor, o fato dos leitores não saberem de nada era uma vantagem e não um problema. Pra gente como Jotapê devia ser uma maravilha! Afinal, é bem mais fácil vender revistas para um público cego e burro. Mantê-los assim era essencial para o sucesso daqueles quadrinhos.

Mais uma vez Sidney Gusman conta como eram suas brigas constantes com seu amigo de longa data. Jotapê ironiza reforçando que ele é que estava certo de qualquer modo. Ele sabe que fazia atrocidades com aquelas histórias, mais prefere manter o cinismo para não ter que admitir. Sidney e os outros dão risadas fingindo que o "jota" fala isso porque na verdade não passa de um brincalhão.

O que ele faz de verdade é passar a falsa impressão de que dilapidava os originais por causa das circunstâncias. Mas nem ele, nem seus colegas tinham apreço (como não tem até hoje) por quem pagava seus salários. O consumidor sempre entregava o valor de capa inteiro, mas recebia em troca histórias picotadas.

Ainda sobre as Guarras Secretas, o tradutor fala que ficou contra a ideia da Marvel em trazer a saga simultaneamente com a Abril, somente por causa da linha de brinquedos da Gulliver. Tanto Marvel quanto a Abril ferraram com os leitores. Pois se uma queria adiantar e a outra queria atrasar, não importava. O motivo era o mesmo: conveniência.

O ex-funcionário da editora prossegue usando o exemplo dos filmes. O leitor conhece as hq's e quando vai ao cinema está tudo mudado. Besteira! O leitor infantil se diverte de qualquer jeito vendo filmes de heróis. E os mais experientes já esperam que ele não seja exatamente igual. Reclamam, mas veem do qualquer maneira. Se não por que eles renderiam bilhões como rendem hoje em dia? Samir Naliato aproveita para expor a contradição em relação aos textos informativos. Já que a própria Abril fez uso deles na Morte do Super-Homem. Mas a mula empacada do Jotapê insiste em dizer todos (menos ele, claro!) estavam errados. O mais triste nisso tudo é notar que nem a Marvel nem a DC procuraram consertar as marmeladas que a Abril aprontou durante quase duas décadas com seus heróis. Deixando que ela fizesse o que bem entendia.

As coleções da Marvel pela Gulliver foram amplamente anunciadas em comerciais nas revistas Abril.

Para o tradutor, o preço dos formatinhos justificava tudo. Mas de que adiantava pagar mais barato para ler menos? Além disso haviam quadrinhos na mesma faixa de preços que eram vendidos completos. As minisséries em "formato americano" eram vendidas em várias edições finas. Obviamente para ganhar mais dinheiro.

Durante a conversa, Jotapê mostra sua mentalidade antiquada, pensando que seria melhor se tudo fosse traduzido. Como o idioma falado aqui é o Português, o nome dos heróis  e seus nomes pessoais também deveriam ser acomodados na nossa língua. Como se fôssemos retardados e não pudéssemos assimilar nada vindo de fora! Tente adaptar um mangá como Lobo Solitário e convencer alguém de que ele se passa numa cultura que fala português. Essa ideia é imbecil e insustentável!

Mais uma vez subestima o povo, dizendo que o inglês que se fala no Brasil é ruim e que pouca gente fala os nomes dos personagens corretamente. Então vamos tratar todos como débeis mentais e desistir de aprender qualquer língua agora? Não seja escroto!

A Abril só veio publicar O Cavaleiro das Trevas DEZ ANOS depois da primeira edição! E quando lançou, foi em quatro volumes para sugar mais dinheiro dos leitores que tentavam fugir do mercado especulativo da época.

Também não podemos esquecer das citações aos inúmeros Jotapês que apareciam nas revistas. Qualquer figura secundária masculina poderia se tornar homônimo do tradutor esnobe. Essa tradição, todo mundo que lia Marvel e DC conhece. Será que o J. P Martins se achava tão dono dessas histórias que precisava assiná-las?  A comparação que faz de si mesmo com Alfred Hitchcock dá uma noção da falta de humildade da criatura. Ele só não fala que Hitchcock criava suas histórias.  Ele não vivia de estragar as dos outros.

Entre diversos comentários, fala que gosta da tradução "Lobesbo" para; "Wolverine" que foi usada na Espanha. E que, se fosse por ele, o personagem Morpheus (Dream) de Sandman seria chamado de "Devaneio". Devaneio é o que esse palhaço tem dentro da cabeça.

Enquanto a entrevista avança com os presentes fazendo chacota da teimosia do tradutor, alguns relembram nomes esquisitos adotados em versões das editoras. Jotapê aproveita a concordância de Samir Naliato para mandar esta pérola: "o tradutor também é criador". Conversa fiada de babacas sem profissionalismo! O tradutor é um adaptador de obras! Ele não cria nada e só realiza algo digno quando compreende seu papel.

O exemplo de From Hell é válido, mas é exceção. Não deve ser aproveitado para corroborar absurdos de traduções. E pra ter um vago conceito do distúrbio mental desse cidadão, vamos rir com a opção ao nome "amante" escolhida por Jotapê para a Silk Spectre da série Watchmen: ela seria a "teúda e manteúda" do Dr Manhattan!!!!!.......!?! Puta merda!

Quando a Abril resolveu reeditar Watchmen foi mais "boazinha" com os leitores. Ela não só demorou DEZ ANOS para ser relançada, como saiu em "suaves" 12 edições. E por incrível que pareça, a tradução do Jotapê não foi pior que a do malfadado Estúdio Criarte.

Como não precisava se reportar a nenhum superior, Jotapê confirma que era o editor que tomava conta da Marvel sem nenhuma restrição. E a esta altura, tendo frisado que ficou por mais de uma década definindo os rumos da editora americana no país, ele é questionado se cortar quadrinhos não seria uma "ingerência". Jotapê manda uma resposta típica de sua total truculência: "sim, mas pergunte se eu ligo?". E seguiu dizendo que: "quadrinhos são uma arte puta". Como ele fala em causa própria está coberto de razão! Na mão de incapazes como J. P. qualquer arte vira uma puta!

Pretende validar seu descaramento com um argumento mais desfalcado que sua cabeça careca: "isso é porque os quadrinhos surgiram por causa de dinheiro". Até uma criança conseguiria refutar uma asneira dessas! Qual é indústria de divertimento que não surgiu para render dinheiro aos seus investidores? Você acha que uma conglomerado como a Disney teria chegado longe se fosse uma organização filantrópica? Quanto à besteira de teimar que hq's não devem ser levadas à sério, tome o exemplo do cinema. Logicamente foi feito pata divertir. Mas não é tratado como produto de baixa cultura, de nicho. Pelo contrário, é largamente respeitado no mundo todo!

Pra arrematar, confessa que se orgulha de ter cortado 120 páginas de minissérie Terra X na Mythos. Você acha que uma cavalgadura como essa ainda tem jeito?

Próximo do final do podcast Sidney Gusman explica que quando uma revista vendia abaixo de 35.000 era cancelada na Abril. E hoje em dia quadrinhos de super-heróis não chegam a vender nem isso.

Ao final, Jotapê fala bastante sobre o processo de edição de quadrinhos nos tempos da Abril. Mas a maior parte são divagações chatas que interessam mais a quem atua na área.

Durante muito tempo, essas ainda vão ser as únicas opções de quem conhece a verdadeira qualidade das traduções no mundinho das edições feitas no Brasil pelas editoras.

Depois de escutar o episódio do podcast ou ler este texto, os leitores neste país só podem ter uma conclusão: a de que se tivemos que tolerar a destruição indiferente das traduções feitas no Brasil desde o início do mercado, é por culpa de tipos detestáveis como J. P. Martins.

Não é a faixa etária dos consumidores de uma obra que deve determinar se ela vai ser bem transposta para outra língua ou não. Filmes e livros tem um acabamento mais decente. Por que com os quadrinhos temos essa esculhambação? Se você paga por algo feito para entreter, seja criança ou velho, deve receber em troca um material bem refinado. Regionalismos e condescendência com o público produzirá mais uma geração de ignorantes. Quer auxiliar o consumidor? Coloque informações anexadas ao produto. E não tente perverter traços de uma cultura na intenção bajulatória de agradar preguiçosos. Gírias e maneirismos linguísticos são patéticos e deixam aquilo que se quer adaptar medíocre e datado.

Não bastasse toda a falta de vergonha que vemos, da última década até hoje o volume de quadrinhos em bancas e livrarias mais que dobrou. E qual foi o resultado disso? Editoras desesperadas contratando qualquer zé ruela oportunista que se achasse tradutor na ânsia de atender à demanda. Nunca se pagou tão caro por transposições tão porcas. São calhamaços de luxo com dezenas de erros grosseiros de gramática e concordância.

O que a maioria desses "profissionais" não fazem questão de reforçar é que: pra traduzir bem, é necessário QUERER traduzir bem! A despeito do que os próprios incompetentes desse ramo declaram, a tradução NÃO DEVE servir como extensão da personalidade ou um fragmento do seu ego pretensioso! Afinal, trata-se de um trabalho! Se a demanda de trabalho é grande, a organização e o cuidado devem vir em primeiro lugar. Nesse setor editorial: pressa + trabalho é = a DESASTRE!

Poucos leitores sabem disso, mas o tradutor em casos variados e dependendo da editora pra qual trabalhou, recebe direitos (royalties) pelo serviço. Não sei exatamente como funcionam as regras, mas é por esse motivo que vemos um tradutor da Panini defecando num texto que você até já havia lido melhor em outras versões. Um exemplo: o texto que os amantes do selo Vertigo leram na Tudo em Quadrinhos (editora extinta) não pode ser usado em possíveis encadernados de outras editoras. É por essa razão que temos a impressão de que os tradutores nunca chegam à consenso nenhum sobre nomes de personagens. Porque um evita traduzir no rastro do outro! O tradutor no Brasil age como aqueles animais que urinam em cima de algo para "demarcar" aquilo que lhes pertence. Sendo assim, sempre tem de mudar. Mesmo que saibam que o resultado vai ficar um belo estrume!

Os tradutores, bem como todos os profissionais de entretenimento precisam aprender a ter respeito pelo consumidor. Precisam aceitar que tapinhas nas costas dos amiguinhos em panelinhas só fazem bem a eles e não ao público. E quem compra quadrinhos, revistas, livros, filmes, jogos ou demais artigos. Deve aprender a tirar sua bunda mole e covarde da cadeira e exigir qualidade no que consome! O mercado de lazer e diversão nunca cresceu tanto como nos dias atuais. Mas junto desse crescimento, deve vir acompanhado o profissionalismo, a estrutura e principalmente respeito a quem financia tudo isso...

Essas foram as minhas opiniões sobre a entrevista de J. P Martins. Vou aproveitar a despedida para deixar um link do post: Briggs: um parasita, para quem gosta do tema. O post é do blog Kamen Raider (Oraider.blog).


Fontes: UniversoHQ, Guia dos Qudrinhos, Wikipédia, Kamen Raider e Jbox. 

terça-feira, 29 de novembro de 2016

A ESPADA SELVAGEM DE JESUS CRISTO POR GRANT MORRISON


Por: Hds.

Uma mistura de Jesus e Conan? Ah tá, isso deve ser "genialidade"...

Sabe. Levou algum tempo até que eu aprendesse por conta própria a não levar em conta nomes e títulos. Mas quando finalmente aprendi, percebi que foi uma das ideias mais inteligentes que pude acomodar em minha mente. E para algumas pessoas, a simples citação de um nome famoso invoca uma carga de moral incompatível com a realidade.

Não raro, vemos algum texto rasgando seda desavergonhadamente sobre um trabalho de Alan Moore ou Neil Gaiman. Não que muitos artistas não façam por merecer elogios. Mas esse excesso de bajulação cega e distorce o senso de julgamento. 

Por mim, não tenho a menor dificuldade em transpor essa neblina espessa chamada idolatria. Há muito já deixei de acreditar em ícones. Em campões santificados do entretenimento. Essas pessoas recebem a admiração de multidões sem sequer terem feito algo realmente útil pra ninguém. 

Por mais que você adore sua revista, livro ou filme preferido. A verdade é que eles não melhoraram efetivamente sua vida. Ampliaram sua cultura. Os distraiu. Ou influenciaram criativamente. Mas não podem, na prática, servir de realização pessoal. Afinal, como você sabe, não foram criados para isso.

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Grant Morrison, o agora editor da revista Heavy Metal, divulgou seu novo trabalho: The Savage Sword of Jesus Christ. Nada da história foi revelado. Mas a premissa é de que veremos um Jesus musculoso e raivoso no estilo do bárbaro de Robert E. Howard.

O tema já dá uma noção de que o autor pretende provocar ou chamar a atenção. Talvez pelo fato de estar longe das grandes editoras. Os desenhos ficarão por conta dos irmãos Kevin Molen Matt Molen.

Não conheço o traço de nenhum dos dois, mas um deles, Kevin, tem um estilo parecido com o de Simon Bisley. A data do lançamento ficou para 28 de dezembro nos EUA.

Grant Morrison é o tipo de escritor de quadrinhos inquieto e dedicado a trazer conceitos de psicologia, ciência e ocultismo aos seus projetos. O problema é que ele também não possui um tato apurado para excluir elementos que não se encaixam bem nas hq's. Suas histórias abusam de técnicas confusas (muitas desenvolvidas pelo próprio autor) de narrativa que fogem do convencional, mas que em boa parte do tempo são de uma bagunça que beira o obscurantismo. Usa recursos de meta-linguagem que mais atrapalham do que ajudam a construir uma trama corrente. Nos dias atuais, sua escrita está tão fechada em seu padrão bizarro, que mesmo suas aventuras super-heroísticas estão perdidas num labirinto dentro do seu desnorteante "Método Morrison".

Dentro do esforço do escocês em inovar estão algumas séries e arcos inteligentes ao longo de sua carreira. Mas também temos uma profusão de tosquices mascaradas de Underground, Contra-Cultura ou Vanguardista às quais não me imponho culpa por pensar que não passam de pura baboseira pseudo-intelectual.


Morrison em entrevista à revista Wired.

Vamos deixar de lado o fato do autor usar a figura de Jesus como tema do quadrinho. Afinal, esse tipo de birra direcionada aos Católicos ou Cristãos são tão banais e previsíveis quanto as metáforas artísticas de tipos como: Maddona e Lady Gaga entre outros. Melhor que isso é ouvir o careca egocêntrico explicar com suas palavras:

Morrison diz que a inspiração veio de um estudo que fez sobre o Cristianismo Positivo durante a elaboração de outra hq sua: "As Novas Aventuras de Hitler". Nele, os nazistas teriam elaborado uma "reformulação de Cristo como um ariano pró-ativo, ao invés de um judeu manso". Se isso significa que veremos um Jesus sanguinário decepando cabeças eu não ainda não sei. O que eu posso notar é que essa trama é tão besta que parece ter saído da cabeça de um adolescente de treze anos!

Continua o cosplay involuntário de Charles Xavier:

"Estamos vivendo num tempo em que está bem claro que mesmo as histórias mais pacifistas ou narrativas que foram mais positivas, podem ser pervertidos para se posicionarem como catalizadores da violência e do caos. Especialmente agora que vivemos em um mundo onde vemos que as mentiras podem ser facilmente ignoradas, e onde a cultura da celebridade é mais poderosa do que a verdade, e onde as pessoas podem torcer alegremente qualquer narrativa. E assim praticamente torcê-la até o seu oposto, que é o que os Nazistas tentaram fazer com os evangelhos."

Bem, vamos lá.

Em primeiro lugar, por "vivendo num tempo" entenda-se: nunca antes tivemos uma agenda progressista invadindo como um vagalhão as redações das editoras como hoje em dia. A mesma agenda na qual está incluída a esculhambação de religiões do qual o autor se vale para tecer sua paródia. Este é o motivo pelo qual o autor andou todo "soltinho" desde o início da década passada até aqui. A razão de estar alegre em poder publicar uma trama rasa e posar de "ousado". Sendo assim, a palavra "perverter" não poderia ser mais precisa.

Na parte do: "mundo em que as mentiras podem ser ignoradas" mostra-se o respeito do popstar da Escócia pela crença de muitos dos leitores pros quais ele vende revistas. Não importa se você gosta ou não de uma religião, é arrogância sair esfregando algo que você considera mentira na cara dos outros.

Por afirmar que: "a cultura da celebridade é mais poderosa do que a verdade", Morrison acaba advogando em causa própria. Afinal se não fosse pelo mesmo culto à celebridades, Morrison não teria edificado sua carreira se escorando nos ataques à figura de Alan Moore na década de oitenta. Toda sua pose de mago hermético, artista pop underground, anarquista multi-facetado foi completamente moldada através de um marketing pessoal dos mais rasteiros e picaretas. Mas quem pode negar que deu certo? O autor é uma das figuras mais recobertas de elogios e adulação do atual mercado de quadrinhos americano. Não teria conseguido nada disso se não tivesse vendido bem sua imagem de escritor "fora da casinha e subversivo". Ainda estaria com a bunda congelando nos cafundós de Glasgow se não soubesse vender sua imagem tão bem.

Ao final da declaração temos Morrison comparando o que está fazendo ao que os nazistas tentaram fazer adulterando o evangelho.

Grant Morrison teve, ao longo de sua carreira bons momentos. Mas boa parte de suas permanências em títulos de peso foram marcadas por ideias insalubres. Aquelas responsáveis pelos leitores se sentirem culpados por, secretamente, desconfiarem que elas eram ruins. Mesmo que não tivessem coragem para admitir. Não se culpe, como eu mesmo não me culpo, por não gostar mais das revistas escritas pelo autor. Afinal de contas, o real motivo pelo qual você não as entendeu, não é por que elas estão num nível de genialidade olímpica que só se encontra na cabeça calva de Morrison. E sim, porque apesar de toda a puxação-de-saco em torno do escritor, a verdade é que elas são incoerentes, pretensiosas, propositalmente embaralhadas e contém falhas bisonhas.

Pelo jeito, não adianta somente se cercar de uma aura pop-megalomaníaca. Se considerar um bruxo ocultista ou um celebridade multi-mídia, se você não consegue escrever uma maldita história com começo, meio e fim legível.



domingo, 13 de novembro de 2016

Lançamentos: Panini, JBC e Devir.


Por: Hds.

" Cara, eu adoro quadrinhos!"

O mês de novembro chegou abarrotado de anúncios como é de costume com a proximidade do fim de ano. Marvel, DC, Image, Vertigo, pode escolher. Daqui até dezembro vai ter muita coisa boa nas bancas e livrarias do país.

As editoras brasileiras, cada uma a seu modo, prepararam uma leva de encadernados com histórias inéditas. Algumas reedições e continuações de séries para satisfazer os leitores. Vamos conferir o que sairá ainda este mês:

Doutor Estranho - Shamballa. 20,5x27,5cm, 64 páginas, capa dura e preço de R$23,90.



 Essa história saiu pela primeira vez nos EUA na Marvel Graphic Novel nº23 de 1986. Escrita pelo talentoso (e desaparecido) J. M. DeMatteis e habilmente pintada por Dan Green.

Stephen Strange volta ao santuário sete anos após a morte de seu mestre, que havia deixado uma caixa para o doutor. Nela pode estar o segredo do fim do mundo ou do próprio Strange.

Com o filme do Doutor Estranho ainda nos cinemas, é óbvio que a Panini traria algo do herói para somar ao clima de entusiasmo pelo Mago Supremo. Só não se sabia se ela conseguiria lançar à tempo. Sabe como é. A editora é famosa pelos atrasos.

Nada mais justo do que reeditar uma boa história do doutor, que já pedia uma republicação há décadas. E é bom também termos um trabalho de qualidade, de um roteirista da época em que os escritores não lutavam para se tornarem celebridades arrogantes. Exatamente como os Greg Ruckas e Brian Bendis da vida fazem hoje...

Patrulha do Destino - O Ônibus Mágico. 17x26cm, 208 páginas, papel pisa brite e preço de R$27,90.


No quinto encadernado da patrulha de Grant Morrison os integrantes perceberão uma cisão dentro do grupo. Na medida em que os membros mais instáveis forem abandonando o time, os que ficaram terão uma clara noção do perigo que os ameaça.

A publicação de Patrulha do Destino pela Panini está andando muito bem. Mas como é da editora mais problemática que estamos falando, tenho uma queixa para trazer à tona: o preço dos volumes estão irregulares demais! 

O primeiro volume saiu com 196 páginas e preço de R$22,90. O segundo aumentou ridiculamente de preço (R$26,90), mas ao menos veio com 244 páginas. O terceiro custou caro, pois perdeu 48 páginas. Apesar de cobrar R$26,90, um real há menos, levamos um prejuízo grande! O quarto teve 256 páginas por R$29,90. Caríssimo para uma revista em pisa-brite. Mais ao menos, em relação ao segundo volume, acabou compensando. Pois teve 12 páginas somadas por 3 reais à mais.

O quinto volume vem por R$27,90 perdendo 36 páginas em comparação ao segundo e 48 em comparação ao quarto. Sei que os arcos de histórias tem tamanhos diferentes, mas o valor deveria se adequar ao número de páginas. Não aceito desculpa! A Panini está trapaceando o leitor na cara de pau! E já disse e repito agora: cuidado com a "matemática panini".

Monstro do Pântano - Regênese vol. 3. 17x26cm, 180 páginas, pisa-brite e preço de R25,90.


Depois de alguns percalços o monstro do pântano consegue guiar a essência vital de seu sucessor à forma ideal. Ele habita agora uma alma humana dentro do ventre de Abigail Cable.

Eu adquiri somente o primeiro encadernado da fase de Rick Veith no monstro. Mas não me animei. A passagem do autor, como era de se esperar, previsivelmente, não manteve o nível da fase clássica de Alan Moore. Mesmo com a ajuda de Jamie Delano entre outros talentos vou ficar somente com as histórias do barbudo. Pelo menos estas eu sei que são excelentes.

Homem-Animal - O Significado da Carne. 17x26cm, LWC, 180 páginas e preço de R$23,90.


Buddy Baker deixou seu lado herói pra trás e o Homem-Animal agora somente o atrapalha. A perda de sua família e amigos se agravou depois que Cliff, o filho de Baker, fugiu de casa.

O mesmo que afirmei para o Monstro do Pântano vale para esse quadrinho. A primeira edição "sem Morrison" foi muito ruim. Peter Milligan não soube interpretar o personagem e deu um tom estranho ao herói. Tom Veitch aparentemente seguiu o mesmo caminho. O Homem-Animal virou um cara depressivo, bizarro. As histórias ganharam um peso que não combina em nada com o histórico da série. Fico com as 26 edições do escritor escocês. Pra mim está ótimo.

Sandman - Prelúdio vol.3. 18,5x27,5cm, papel couché, capa dura e preço "indefinido".


Depois de recorrer ao seu pai , que se recusou a ajudá-lo, Morpheus vai procurar por outro familiar. Os eventos que antecederam o arco Prelúdios e Noturnos serão esclarecidos aqui.

A Panini finalmente trouxe o último volume desta série. Ela consta no checklist de outubro, mas como a editora atrasou resolvi incluí-la neste mês. Detalhe para o "preço indefinido" que ainda aparece no site da Vertigo pela editora. Como infernos a Panini ainda não estipulou o preço de uma revista que foi programada para o mês passado? Vá à merda Panini! Todos sabemos que o "indefinido" significa: "eles estão esperando pela conclusão faz um bom tempo, vamos colocar um preço escroto. Eles não podem deixar a coleção incompleta mesmo. Vão comprar de qualquer jeito porque são otários!".

Se não por que motivo faria essa palhaçada toda?

O primeiro volume teve 64 páginas e custou R$21,90. Este também terá o mesmo padrão. Vamos ver o que a Panini vai aprontar...

Ghost In The Shell. 



Este aqui é um caso à parte. Ghost in the Shell foi anunciado, de novo, agora em novembro. Mas todos os detalhes do mangá só serão divulgados na CCXP 2016. A JBC vem dando uma bola fora atrás da outra. Formatos que encarecem desnecessariamente, papel transparente, preços impraticáveis e planejamento tosco. Podem escrever o que digo: A JBC está cavando o próprio túmulo! Essa história de trazer o Kanzenbam de Cavaleiros do Zodíaco por inacreditáveis R$64,90 é o prenúncio da derrocada!

O pior de tudo é que os imbecis da parte editorial já deram indícios de que  Akira e o próprio Ghost vão ter um padrão mais caro. Isso vai matar qualquer chance de adquirir esses mangás! Há alguns anos atrás, o agora editor da JBC Marcelo Del Greco "profetizou" que, para lançar um mangá no modelo de luxo das editoras japonesas ele teria que custar acima de R$60,00. Mas que a editora não faria isso com seus leitores. Anos passados e uma crise econômica no rastro do mercado depois e temos a realidade batendo à porta! Não sei quanto a vocês, mas eu vou dar um belo Foda-se pra JBC!!!

Eden nº9. 13,5x20,5cm, 520 páginas, papel off-set e preço de R$39,90.


Eden é o primeiro exemplo da política editorial desastrosa da JBC. Já me pronunciei inúmeras vezes sobre como foi terrível ter que deixar de comprar este mangá por causa da ideia idiota de lançá-lo em formato "especial", como é chamado pelas editores de conteúdo sem-noção da empresa.

Eden foi concluído num tempo razoável? Foi. Mas poderia ter sido mensal. Poderia ter sido feita com as especificações de um volume como Vagabond da Panini. Que entrega um produto bem acabado (com papel bom, sem transparência) e com um preço aceitável. Não sei o que merda esses caras da JBC tem na cabeça. Mas eu não vou ajudá-los a continuar com essa esculhambação! Evitem os mangás da editora sem medo! Vagabond mesmo teve um histórico terrível no Brasil e apesar disso se saiu bem. Pagar preços extorsivos simplesmente NÃO É OPÇÃO!!!

Saga vol. 3. 19x28cm, 152 páginas, capa dura e "precinho camarada" de R$65,90.


A sinopse deste volume não poderia ser mais simples: Marko e Alana vão a um planeta alienígena encontrar seu autor preferido(!?).

E já que estamos numa época em que as editoras estão assaltando os leitores, por que não falar da Devir? O volume 3 de Saga chega com 11 MESES de diferença em relação ao segundo! Onze malditos meses!!!

Pra quem acha que a editora é lerda e só assume os direitos de uma edição cultuada para deixá-los juntando poeira, saibam que além disso ela teve a pachorra de cobrar R$65,90 por 152 páginas! Mas não se desesperem! Afinal ela teve a bondade de aumentar em UM centímetro na altura e largura da edição em relação ao formato americano (17x26cm), para além de ferrar com sua coleção (fica difícil arrumar lugar numa estante para uma edição que possui "formato proprietário") "justificar" as córneas que você vai ter que vender no mercado negro pra pagar pelo livro.

Pelo visto, neste final de ano, ao invés de receber presentes você vai correr o risco de dar de cara com o Papai Noel apontando uma espingarda na sua cara exigindo que entregue a sua carteira...

Fontes: Universo HQ, Guia dos Quadrinhos, Vertigo Panini e Site Devir.

sábado, 29 de outubro de 2016

O QUE ESPERAR DE... DOUTOR ESTRANHO



Por:Hds.



Faltam somente 5 dias para a estreia de Doutor Estranho no Brasil e temos informação o suficiente. Na semana passada saíram mais quatro trailers com cenas inéditas. No Brasil, o filme estreia em 3 de novembro. Mas a estreia mundial está prevista para o dia 4.

O filme conta a história de Stephen Vincent Strange, um talentoso, porém presunçoso, cirurgião que sofre um acidente de carro que deixa sequelas em suas mãos impedindo-o de exercer sua profissão. Tendo sua carreira interrompida, vai atrás de uma cura. Uma indicação acaba levando-o até o Himalaia. Lá encontra o Ancião que enxerga potencial em Strange e resolve treiná-lo para se tornar o Mago Supremo da terra.

No elenco estão: Benedict Cumberbatch (Dr. Estranho), Rachel McAdams (Christine Palmer), Tilda Swinton (Ancião), Chiwitel Ejiofor (Mordo), Benjamin Bratt, Benedict Wong (Wong) e Mads Mikkelsen. A direção é de Scott Derrickson.

A Marvel Studios está ampliando cada vez mais seus títulos e trazendo heróis menos conhecidos do grande público. Depois dos X-men, Homem-Aranha, Quarteto Fantástico, Hulk, Homem-de-Ferro, Thor, Capitão América e Vingadores. A gigante do cinema se concentra agora em figuras como Os Guardiões da Galáxia, Homem-Formiga e finalmente o Doutor Estranho.

Criado pelo brilhante e recluso Steve Ditko e por Stan Lee em 1963, o doutor sempre foi um dos mais diferentes e pouco explorados personagens da editora. Possui poucas fases memoráveis, mas as que tem são marcantes. Como a história excelente escrita pelo veterano e talentoso Roger Stern; Triunfo e Tormento. A Graphic Marvel (como foi chamada na época) ainda conta com os desenhos espetaculares de Mike Mignola. Uma das melhores histórias que já li na vida.

O estúdio soube trabalhar os trailers de forma que não estragassem tanto as surpresas. Bem como as fotos, cartazes e sinopses. Vamos dar uma boa olhada nos trailers principais e avaliar o conteúdo:



Assim como no vídeo da Liga da Justiça, o trailer começa com notinhas de piano e cenas abertas e panorâmicas. Sério, esses caras que produzem teasers e trailers deviam parar com isso! Não passa de um clichê babaca. Strange aparece como cirurgião e logo depois vemos uma cena com o acidente. Christine Palmer aparece ao lado de Stephen no hospital com as mãos cheias de pinos. Palmer foi uma das enfermeiras da série de um título dos anos 70 da Marvel chamado Night Nurse (Enfermeira da Noite). Não sei bem o que ela vai ser, se vai ser um par romântico ou se está lá para ser inserida no universo dos filmes.

Christine Palmer originalmente foi uma enfermeira que cuidou de vários heróis da Marvel.

Strange chega ao Himalaia com uma aparência desarrumada. Temos a visão do Templo onde a anciã, dentro das dependências, mostra sua capacidade de distorção da realidade. Os dois atravessam uma "barreira de vidro" que, na prática, representa uma "transposição". Aqui vale lembrar que o personagem do Mestre Ancião é um Homem, e não uma mulher. Não é de hoje que vemos figuras sendo substituídas nas produções da Marvel, mas isso não deixa de ser uma falta de fidelidade inconveniente com a origem do personagem.

Tilda Swinton como o ancião.

 A anciã mostra seus poderes no mundo real e leva o doutor através de um portal até o templo. Até esta etapa do vídeo, me agradou muito o modo como é feita a elaboração dos poderes. A visão da realidade desfeita é mostrada como um cristal se quebrando. O portal é feito de faíscas em forma de círculo. Prédios se desdobram como papel. Tudo bem interessante. Esse fator me preocupou bastante; como os artistas conceituais fariam para transpor toda a ambientação psicodélica dos quadrinhos para o blockbuster. Se feito com cuidado e artisticamente bem trabalhado, pode surtir um bom efeito. Mas existe uma linha muito fina entre o deslumbre visual e a cafonice nesse caso. Outro detalhe; o Barão Mordo (papel de Chiwetel Ejiofor) está no templo e provavelmente vai voltar no futuro como vilão.

Os primeiros passos como Mago.

Vemos o treinamento começar. Supostamente, além dos estudos em Grimoires, Stephen também será instruído em artes marciais. O que torna a trama bastante fiel às hq's. Uma cena curiosa em que o herói vê sua famosa capa de levitação pairando no ar (cena que não consta neste trailer).

Tomara que Mads Mikkelsen não caia na "maldição dos  vilões fracos" da qual a Marvel já foi acusada.



Somos finalmente apresentados à ameaça do filme. Trata-se de um feiticeiro dissidente do clã do ancião. Tem um aspecto de oriental, com micro-rachaduras em volta dos olhos que parecem ter sido feitas por fogo. De cara, se mostra um tipo carrancudo e vilanescamente afetado. Como é de costume em filmes de ação. Este é o ponto que mais me incomoda. Desde o primeiro filme do Homem-de-Ferro, alguns inimigos não tem dado conta de antagonizar os heróis da editora nas telas. Não conheço a maior parte dos vilões do Doutor, mas caso não dê certo enfrentar um humano comum, é recomendável que os produtores considerem usar uma ameaça como Mephisto numa possível continuação. O tal feiticeiro ainda conta com uma dupla de capangas para ajudá-lo a provocar destruição em vários lugares.




Um dos ataques mostra o centro de Nova York tomado por uma luz azul estranha. Ainda na Ásia ocorre uma luta onde se vê todo um bairro ser reconstruído pelo Doutor. Logo depois mais ação em Manhattan, com prédios sendo revirados e a cidade inteira se transformando num quebra-cabeça. Neste ponto onze entre dez aficionados por ficção devem ter comparado a cena com o filme A Origem, onde algo parecido foi feito no que se refere à efeitos especiais. E falando em efeitos...

Existem cenas desnorteantes no filme e se a Marvel não foi burra em mostrar as mais impressionantes, significa que vamos poder aproveitar a vertigem anti-gravitacional que as sequências trazem por completo.

Cumberbacht e seu Olho de Agamotto digital são a visão fiel do Doutor Estranho.

Pra finalizar uma piada entre o ajudante do ancião e Strange. Só pra lembrar que é uma película da Marvel, certo? E o Doutor é confrontado, precisando se proteger por trás do Escudo de Seraphim (ou alguma nerdice desse tipo). Wong terá seu lugar como auxiliar de Strange como nas hq's.

O vídeo que analisei acima é somente um entre os tantos que foram liberados. Em muitos teasers foram mostrados elementos que fazem parte da biografia do herói como o Livro de Vishanti, A Esfera de Agamotto , o Sanctum Sanctorum com sua emblemática janela redonda ilustrada com as listras do Selo de Vishanti.

A maioria deles exibem cenas de lutas, voos, objetos ou situações entre os atores não vistas nos outros trailers, mas sem muita novidade. Separei um deles que considero mais relevante, um  Featurette (curta com bastidores e entrevistas de produção):


Nele o presidente de produção Kevin Feige nos elucida sobre as maravilhosas qualidades do filme. De como ele vai deixar maravilhada toda a humanidade. Como vai trazer a paz à terra. Ou curar aquela sua dor na coluna que te incomoda faz tempo. Piadinhas à parte, o depoimento dos envolvidos na elaboração destacam a semelhança do filme com os quadrinhos nas cenas de viagens astrais/dimensionais. Numa delas, estranho é sugado em velocidade e deixa imagens residuais. Em outra, ele é desfeito em partículas e atravessa espaços coloridos e repletos de objetos que fariam Salvador Dalí se morder de inveja.

Ser tragado por entre formas geométricas em dimensões alienígenas é rotina para o Dr. Estranho
Mais uma vez eu tenho que alertar para minha desconfiança chata.  Será  que situar o personagem em espaços totalmente gerados em CGI não vai ferrar com o senso de ambientação dos espectadores nas salas de cinema? Afinal já vimos a tragédia que foi o uso abusivo de telas verdes em filmes como o do Lanterna Verde. Eu sei, eu sei. Este é um título da Marvel (e lanterna verde sempre será usado como o pior exemplo), mas a verdade é que se não houver cuidado podemos acabar nos tornando passageiros  de uma viagem nauseante que nos fará correr de volta para os quadrinhos. Ainda assim, acredito que o diretor e os responsáveis souberam encurtar esse tipo de sequência, fazendo uso dela para contar uma breve passagem. E não para cansar o espectador com exageros e texturas plásticas.

"Por Vishanti!".

Em tempo, tenho que falar um pouco sobre a caracterização dos personagens. Ou pelo menos do personagem principal. Até porque os demais coadjuvantes não tem uniformes ou detalhes chamativos o suficiente. O Doutor Estranho está muito bem trabalhado. Sua capa não tem aquelas golas com abas pontudas como nos quadrinhos. Mas o traje está bem fiel e com cores sóbrias, sem tornar a imagem do herói ridícula ou extravagante.

Sinceramente, não tenho a menor ideia se esse filme vai vingar ou não. Os elementos que temos neste momento nos indica que tudo está no seu devido lugar. Mas é bom sempre lembrar que trailers são feitos para vender o filme e podem enganar. Não posso negar que estou curioso para saber se a Marvel conseguiu trazer uma história de misticismo ao cinema mainstream com sucesso ou se fracassou miseravelmente.

Como de costume vou fazer uma rápida pesquisa em sites de reviews para não ir aos cinemas às cegas. Levando em consideração os acertos do estúdio, espero poder sair satisfeito. Admiro o Doutor Estranho pelas situações inusitadas que enfrenta e penso que o herói merece constar entre os acertos da Marvel nas salas de exibição. Boa diversão e até o próxima!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

SALVAT COLOCA EM FASE DE TESTES A COLEÇÃO DEFINITIVA DO HOMEM-ARANHA



Por: Hds.

O Homem-Aranha prova que continua sendo o herói mais amado dos leitores da Marvel.

Sem fazer nenhum alarde, embora eu desconfie que isso seja a boa e velha falta de senso de marketing, a editora Salvat colocou em bancas o primeiro volume do que poderá ser a Coleção Definitiva do Homem-Aranha. Praticamente sem que o público em geral soubesse, a editora colocou o volume de Homem-Aranha - Caído Entre os Mortos (de Mark Millar, Frank Cho e Terry Dodson) nas bancas para teste e só liberou a notícia da iniciativa em poucos e obscuros sites.

A Salvat já possui as coleções Graphic novels da Marvel, a Clássicos e a Herói Mais Poderosos da Terra (capa vermelha). O livro um terá o preço de R$9,90. O segundo custará R$24,90 e os seguintes R$39,90. Num total de 60 edições. Detalhe que o arco do volume um (caído entre os mortos) cobrirá somente metade das doze edições originais. Até agora foram anunciados somente quatro volumes; Homem-Aranha - Caído entre os Mortos, Percepções, A Saga do Clone (a original de 1975) e O Mal no Coração dos Homens.

A lombada da coleção seria formada no caso pela seguinte litografia:


Especular sobre a inclusão de mais uma coleção no já imenso mercado nacional é pura perda de tempo. Se a editora não acreditasse que daria certo não cogitaria fazê-la. Apesar da onda de desânimo na economia, os negócios de entretenimento no Brasil só crescem. Isso é ótimo e dá exemplo da capacidade de recuperação do consumidor.

Mais uma coleção, seja de que empresa for, é bem vinda (apesar dos preços altos). Mantém o interesse do leitor. Ajuda a fornecer produtos inéditos ou escassos há muito tempo e corta pela raiz a especulação mercenária em sites de venda de usados e leilões. É uma excelente notícia para os admiradores do amigo da vizinhança. Aguardem pela divulgação da lista completa.