quinta-feira, 24 de março de 2016

REVIEW Nº1: MS MARVEL NADA NORMAL



Por:Hds




Título: Ms. Marvel-Nada Normal
Autores: G. Willow Wilson (roteiros) e Adrian Alphona (desenhos)
Preço: R$18.90 (capa cartão) e R$26,90 (capa dura)

ATENÇÃO: O REVIEW ABAIXO CONTÉM SPOILERS

Kamala Khan é uma adolescente muçulmana que tem problemas para conviver com a cultura de sua família e parentes. Motivada por atritos com seus pais, Kamala resolve fugir para uma festa dos seus amigos de escola quando é pega pela "névoa terrígena" que libera poderes latentes. Daí em diante vemos a jovem enfrentar as dificuldades de entender e conviver com seus dons.


Ms Marvel já começa iludindo os leitores pela sua capa, temos uma figura de uma garota com expressões sérias , quase adultas (embora aquele sinal no rosto a deixe mais com cara de baranga). Nela, a garota aparece com roupas de uma adolescente normal e também cheia de adereços de sua cultura nativa. Muitos leitores jovens devem ter pensado; "Putz! Que foda!". Mas a verdade é que; esta capa que foi feita propositalmente para causar impacto deixando uma impressão "legal" entre crianças e adolescentes, não passa de uma cópia de uma capa do desenhista Gary Frank para Supergirl nº1 de 1996. Vejam abaixo:






Garota com expressão fechada, enquadramento da boca para baixo, roupas descoladas e adereços (skate, gargantilha, pulseira e anel)? Confere!


Sem perder tempo somos jogados numa cena típica de "choque de culturas". Debaixo de piadinhas bestas Kamala admira um hambúrguer, mostrando que apesar de ser proibida de comer carne ela é apenas uma garota normal.






Somos então apresentados ao inútil núcleo de amigos burros e irritantes da personagem, agindo como figurantes de um seriado babaca de tv americano. Cheios de comentários banais e moldados em arquétipos baratos, os amigos da protagonista são totalmente dispensáveis para o desenrolar da história. Só estão lá para encher linguiça. Destaque para Zoe, a amiga/troll de Kamala. Ela é o mais fiel retrato de uma patricinha insuportável. Grosseira e cínica, ela faz o papel da americana loira-burra que menospreza hábitos estrangeiros por considerá-los "exóticos". Apesar disso Kamala a admira, num claro exemplo de de adolescente sem auto-estima, mas com "grande potencial para a bondade e tolerância".


Aliás, a própria Kamala não passa de mais um tijolo na construção do biotipo irritante do herói acanhado e hesitante. Até quando vamos ver personagens fracos e vacilantes em filmes, livros, séries, jogos e demais peças de entretenimento? Será que alguém ainda aguenta ver mais um Charlie Brown, Peter Parker, Shinji Ikari (Evangelion) ou qualquer outro notório perdedor depressivo? Tipos assim além de chatos são inverossímeis.

As cenas entre familiares servem somente para mostrar como seus pais são obtusos e tacanhos. Para situar o leitor dentro de um ambiente familiar previsivelmente problemático. O pai de Kamala (Abu) é imbecilmente punitivo e injusto. A mãe dela (Ammi) é um tábua sem opinião e somente concorda com tudo que o marido decide, reclamando e proibindo. Seu irmão (Aamir) é um vagabundo que se esconde atras de uma postura viciada de religioso extremamente dedicado para não ter que trabalhar. O problema aqui não são as personalidades defeituosas da família da heroína. Defeitos de personalidade, se bem trabalhados, tornam os personagens até mais interessantes. Desde que sejam vistos realmente como defeitos e sejam colocados dentro de um contexto aceitável. Em Ms. Marvel, a família de Kamala está lá para nos inserir no mundinho dos pitorescos costumes da cultura muçulmana e fazer uma falsa exposição dos seus problemas.

Outra presença constante é sua amiga Nakia, que serve como um papagaio no ombro de K.Khan balbuciando regras e dogmas da cultura/religião de seu povo, para servir de contraponto óbvio as suas escapadas. Nakia seria igual a uma beata rabugenta ou uma religiosa carola sempre criticando e reprovando tudo que sua jovem amiga faz.





Na sequência da festa vemos que os garotos e garotas são sempre superficiais e construídos de maneira preguiçosa. Adolescentes não são exatamente criaturas mentalmente prodigiosas, mas todos abaixo da família de Kamala são propositalmente estúpidos para passar a ideia de: "eles são idiotas e descuidados porque são ocidentais". Após a expansão da "névoa terrígena" (me sinto um idiota tendo que digitar isso..), não fica explicado o porquê de somente Kamala ter manifestado poderes.

No terceiro número a escritora apela para o já completamente batido esquema de "temor pela revelação da identidade secreta". Isso é tão sem criatividade como são as mortes nos quadrinhos. Mais à frente, um pouco do exemplo de como a religião islâmica pode ser gentil e graciosa com as mulheres; Kamala e Nakia vão a uma mesquita onde nem sequer podem entrar pela mesma porta que os homens. Também não podem se sentar ao lado deles para assistir um culto. Ajoelhadas na mesquita, ouvem todo tipo de baboseiras que nenhum jovem no mundo ocidental perderia tempo ouvindo: castidade, o "perigo" do álcool e das "tentações" do mundo moderno. Kamala como uma boa heroína, sempre contestadora, perturba a calma do ambiente com seus questionamentos inconvenientes. Quanta ousadia da nossa heroína, heim?





Na escola, a Ms Marvel de última hora, passa por incríveis "confusões e trapalhadas" para esconder sua identidade. Quando vai em busca de ajuda e conselhos de seu amigo Bruno acaba presenciando um assalto forjado e é baleada. Nesse momento você até poderia imaginar que a revista seguiria um caminho mais sério, mas acho que nem o leitor mais inocente seria tão tapado a ponto de acreditar nisso. Até porque Ms. Marvel é um quadrinho "teen" com humor em boas doses, o  que não significa que esse humor seja bem feito ou engraçado...




Após uma sequência de lições de moral do tipo: "seja você mesmo" descobrirmos que Bruno tem sentimentos por Kamala. O roteiro está lotado de furos e situações mal-explicadas. Por que fazer um drama com o tiro levado pela protagonista se a situação seria resolvida de forma tão escapista? Por que se dar ao trabalho de esconder a identidade para se transformar na frente de policiais? Por que sua família vive em Nova Jersey? Somente para falar mal do modo de vida americano, usar palavreado estrangeiro e citar trechos pinçados do Corão? Tirando isso ainda temos truques de antecipações narrativas velhos como fazer com que Kamala "sonhe" em ser igual a uma super-heroína e poucas páginas depois ela realmente se tornar uma. Bem conveniente, não acham?

A ultima história (ainda bem!) coloca a nossa heroína de nariz côncavo no resgate de Vick (irmão de Bruno) que foi aprisionado por uma gangue liderada por uma figura misteriosa: o inventor. Depois de fracassar na primeira tentativa, Bruno ajuda Kamala a se preparar para invadir o covil do inimigo e resgatar de vez Vick. O arco de cinco edições termina com um vilão sendo apresentado, mas não qualquer vilão e sim um com cabeça de calopsita (?!?).

Ler Ms. Marvel do número 1 ao 5 foi o suficiente para me deixar irritado. Essa revista levou diversos prêmios, incluindo o Angoulême (prêmio de melhor série). Como justificar isso? É bem simples, existe uma onda de favorecimento da cultura islâmica nos estados unidos atualmente. Ela se infiltrou nas redações de jornais, nas tvs, na internet e também nos quadrinhos. Propõe a ideia falsa de que os costumes islâmicos são ordeiros e pacíficos.

A roteirista do título é G. Willow Wilson, uma americana convertida no islamismo que não possui uma carreira pregressa nos quadrinhos. Ela somente foi convocada para escrever Ms. Marvel por entender sobre o islamismo o suficiente para entregá-lo de maneira convincente para o público de quadrinhos ocidental.

Antes de escrever este review li outros textos analisando a revista e notei opiniões como: "Ms. Marvel não é panfletária", Ms, Marvel é um quadrinho corajoso" ou Ms. Marvel é importante para derrubar os mitos sobre os muçulmanos". Em primeira instância, a afirmação de que ela não é panfletária é mesmo verdadeira. Pois Ms. Marvel não é só panfletária, é bem pior que isso!

Pare para pensar um pouco, se você quisesse fazer uma história para influenciar crianças e adolescentes como faria isso? Fácil, ao invés de empurrar goela abaixo sua agenda ideológica evidente, você teria muito mais êxito lançando um quadrinho superficial, apresentando uma heroína que de cara já se mostra deslocada, não do seu bairro ou da sua classe na escola, mas do próprio país onde vive. De cara mostrando um personagem como uma vítima oprimida pela falta de compreensão da maioria. Colocá-la para fazer piadinhas e ironias com as repressões aberrativas da sua cultura para fazer parecer que está sendo contestativa. Recitar passagens "leves" do Corão, dando a falsa noção de "religião de paz".

Ms. Marvel não é um quadrinho corajoso, é insidioso e come pelas beiradas. É mais pretensioso e perversivo do que se pensa. Justamente por ser abobalhado e inocente vai atingir um número maior de leitores fazendo com que uma geração de crianças cresçam acreditando que a maior parte da cultura e religião islâmica são admiráveis, algo bem longe da verdade! A autora da revista quer nos acomodar numa realidade que não deveria ser transposta sem a responsabilidade de conhecimento prévio de história e política para antecipar discursos e ideologias nocivas. E se sabemos que nenhum leitor jovem precisa ter essa noção prévia para gostar de super-heróis, fica mais claro ainda que assuntos como esses não deveriam constar em produtos de entretenimento. São colocados ali para manipular ideias, mesmo que sejam de crianças e adolescentes desavisados. O lugar desse encadernado de Ms. Marvel é na lata do lixo.

ROTEIROS:Tramas banais, sem criatividade. Histórias apinhadas de clichês. Situações de conflitos e subversão"teen" baseadas na velha fórmula batida de ocultar a identidade. Narrativa escapista e rasa. O clichê de: "não consigo controlar meus poderes". Estereótipo cansativo do herói tímido e inexperiente.
DIÁLOGOS: Superficiais e não ajudam a avançar na história. Repletos de ironias e piadas ruins sobre super-heroísmo. Forçado e cheios de referências inúteis aos costumes de fora dos EUA. Potencializam o caráter irritante de certos personagens.
DESENHOS: Os traços de Adrian Alphona são toscos, preguiçosos e pouco detalhados (repare nos rostos feitos com traços e pontos). Disfarçados com uma boa pintura e sombreamento digital. Figuras deformadas e desproporcionais (repare em alguns figurantes).
ACABAMENTO: A Panini lançou a edição em dois tipos: uma em capa cartão e outra em capa dura com poucas histórias e papel do miolo em LWC. Nada incomum, edição no padrão típico dos encadernados da editora.
CUSTO-BENEFÍCIO: Existem dezenas de histórias sendo publicadas no Brasil que visam o nicho infanto-juvenil com qualidade real e preço acessível. A maioria delas são os mangás da própria Panini e da JBC (fora os milhares de super-heróis nas bancas...), sendo assim, comprar esse volume é um desperdício notável de dinheiro.

EXCELENTE    
ÓTIMO                
BOM                    
MEDIANO         
REGULAR
FRACO
RUIM 
PÉSSIMO

sexta-feira, 11 de março de 2016

HOMEM-ARANHA APARECE EM TRAILER DE CAPITÃO AMÉRICA: GUERRA CIVIL



Por:Hds



Finalmente saiu o trailer final de Capitão América Guerra Civil,não que eu estivesse esperando ansioso,mas se existe uma razão para levar em conta um trailer ela está fato de que o último deles é também o mais completo.Aquele que antecede a estréia do filme.

Comentários a vídeos promocionais de filmes existem aos milhões na internet.Somente no YouTube temos centenas de vídeos irrelevantes de "reação"(o troço mais patético e vergonhoso que você vai encontrar sob quadrinhos!).Eles são feitos com a intensão dos estúdios de deixar os fans de quadrinhos ou dos filmes da Marvel(são duas coisas diferentes)tendo chiliquinhos nervosos e gerar uma expectativa que livre a produção,geralmente cara,de fracassar sem toda a tensão pela espera do filme.É pura e simplesmente uma antecipação calculada para construir um interesse crescente e colher as centenas(ou bilhão)de milhões de dólares depois.Não há nada de mal em fazer propaganda de uma peça de entretenimento.O ruim é quando o estúdio usa uma ferramenta barata e com divulgação gratuita(multiplicada bilhões de vezes através de sites,vídeos e blogs,como estou fazendo agora,por exemplo)e de amplo alcance como são os teasers e trailers,para enganar e fazer o espectador de idiota.O que acho,não é o caso desta aqui.

As pré-vendas do novo blockbuster da Marvel já estão disponíveis,então vamos dar uma olhada no que foi mostrado no vídeo:


 

Já com o novo grupo de Vingadores formado o Capitão América vai enfrentar a pressão do governo americano para conter e regulamentar os heróis,depois do ataque descontrolado do Hulk,que resultou em destruição e mortes(que não foram mostradas no filme dos Vingadores).Isso virá com a ideia de um registro posto em vigor por uma agência do governo.Então temos o grupo do Capitão,contrário à regulamentação e o grupo de Tony Stark apoiando o governo.

Logo no início do vídeo temos a típica abertura em plano aberto que virou clichê em filmes atuais.O melodrama é tão grande que poderia escorrer pela tela do seu computador e depois temos exemplos apresentados do porquê o governo não confiar nos heróis agindo de maneira autônoma.

Vemos que um prisão no meio do oceano construída(logicamente)para conter os rebeldes à medida do governo.O amigo de Tony,Rhodes é abatido(morto?) e com certeza podemos concluir que isso será usado para justificar as atitudes do Homem de Ferro,o mesmo que aparece perdendo a paciência com Steve Rogers e dando um soco no cara de bebezão(culpem o Chris Evans por isso!).

Aparecem no trailer personagens já vistos em outros filmes como;o Homem Formiga,Visão,Feiticeira Escarlate e outros que não haviam sido mostrados no cinema como o Pantera Negra,muito bem representado diga-se de passagem.Eu tinha uma dúvida de como ele ficaria no uniforme criado para sua versão cinematográfica,mas tanto nas cenas paradas,como nas de luta e ação o Pantera está convincente.Parabéns para os designers dos estúdio da Marvel por não fazê-lo ficar podre como o Apocalipse do novo X-men.

Mas o melhor do vídeo foi a presença do Homem-Aranha no final,o que deve ter feito com que entusiastas(sempre eles!)passassem mal de empolgação.É claro que não há novidade alguma em vermos o sempre espetacular Homem-Aranha num filme.Afinal foram 5 produções com o personagem.

O destaque da aparição do aranha ficou pelas mudanças no uniforme.O novo padrão de animação em computação gráfica vindo de Dead Pool faz com que os "olhos" do aranha se estreitem,dando um aspecto mais próximo do visual original de Steve Ditko.Os detalhes na altura das costelas,os punhos com braceletes,a aranha no peito(menor,tenho a impressão)as linhas do calcanhar e o tom de cores mais fosco do novo uniforme,no geral,me agradaram.Pelo menos  à primeira vista.De qualquer maneira vai ser bom ver o Homem-Aranha lutando ao lado de outros personagens famosos.Isso é realmente inédito!

No geral temos um trailer que não foge nem por um segundo do que se espera dos filmes atuais de super-heróis.Ainda tenho a sensação de que não conseguiram diminuir a aparência de vazio pela falta de heróis em grande número.A cena aberta dos heróis avançando uns contra os outros deixa evidente.Mas é obvio que não deixo de levar em consideração que seria necessário um bilhão para reproduzir num filme a quantidade de figuras vistas na série Guerras Secretas.O longa sairá adaptado nas condições de mercado atuais para se levar uma produção deste porte para as telas.

Lembrando que este post não foi escrito para fazer eco ao alvoroço besta que vem geralmente acompanhado dos lançamentos de arrasa-quarteirões da Marvel.Se levarmos em conta o tom mais sério(piadas em filmes são bem vindas,desde que não estraguem o clima!)do filme anterior do capitão,talvez tenhamos uma ótima filmagem vindo por aí.Mas sugiro que procure se informar em sites e vídeos de resenha.Seja cuidadoso com seu dinheiro antes de sair de casa para assistir um filme que depois pode acabar sendo detonado em críticas internet afora.Levando em consideração,é claro, que existem sites e vlogs comprados(alô,Metacritic?)pelos estúdios para falar bem de tranqueiras como por exemplo;o último filme do Quarteto Fantástico.Sugiro o canal de youtube do cineasta Tiago Belotti.Isso pode ajudar a desenvolver um censo crítico mais apurado.Fica o vídeo de Capitão América Soldado Invernal.



quarta-feira, 9 de março de 2016

VAMOS ANALISAR O QUE ACONTECEU NO 43º FESTIVAL ANGOULÊME?

Vamos analisar o que aconteceu no  43º Festival Angoulême?


Por:Hds.

Este texto é um comentário sobre o boicote à 43º edição do Festival Angoulême noticiado no site Universo HQ através de uma postagens recorrentes sobre o fato ocorrido.

O Festival Angoulême existe desde 1974 e premia quadrinhos de dentro e fora da Europa há 42 anos.
Desde o ano de sua estréia a premiação nunca enfrentou problemas iguais aos que enfrenta hoje, independente de quem tenha escolhido ou das obras agraciadas. Na 43º edição dezenas de artistas, editoras e profissionais ligados ao evento decidiram boicotá-lo. Por que isso aconteceu? E por que somente agora?

Em primeiro lugar é preciso entender que atualmente todos os meios de arte e informação estão sendo alvos de uma onda de "limpeza" onde profissionais assumem posturas inflamadas e revoltosas. Acusando, reclamando, exigindo (sempre sem autoridade alguma para isso) e armando escândalos vexatórios em busca de apoio popular e atenção dos meios de comunicação. Tendo dito isso, fica claro que a intensão deste texto é expor as ideias por trás destes "manifestos corretivos" que andam se tornando cada vez mais constantes e tendem somente a se espalhar.

Tudo começou quando Riad Sattouf (O Árabe do Futuro) postou em 5 de janeiro uma declaração se dizendo "feliz por ser indicado,mas triste por não haver nenhuma mulher" entre os 30 artistas da lista de indicados. Disse ainda que preferia ceder sua vaga para artistas como; Rumiko Takahashi, Julie DoucesAnouk RicardMarjanie Satrapi ou Catherine Meurisse.

Riad Sattouf viu "problemas" no Festival Angoulême que nem as mulheres conseguiram enxergar.
Em primeiro lugar, por que Sattouf se diz feliz e depois triste pelo fato? Se ele não concorda com a lista de premiados e ficou ofendido pela falta de presenças femininas, então não deveria ficar feliz em momento algum. Ao menos seria coerente com sua própria atitude, por mais hipócrita que ela seja. Outro detalhe é que o autor desrespeita o prêmio ao falar que preferia "ceder" seu lugar às mulheres, pois a escolha foi feita pela organização do evento. Se eles julgaram que Riad merecia receber um prêmio, no mínimo é uma completa falta de vergonha e educação entregar sua vaga para outro artista. Tirando isso, temos o detalhe mais ridículo de tudo: se nem as mulheres indicadas anteriormente se manifestaram sobre a ausência feminina no evento, por que Riad (um homem) resolveu dar fazer carinha feia e dispensar a premiação?

É certo que em épocas de policiamento politicamente correto em alta,acender uma fagulha de um protesto fútil e alarmista como esse não é nada difícil. O que incomoda nessa história é ter que ver um marmanjo se portando como uma feminista histérica.

A ideia de Sattouf foi seguida por vários outros indicados como: Milo Manara, Daniel Clowes, Charles Burns e Chris Ware. É bastante curioso ver alguém como Milo Manara apoiando um papelão como esse, sendo que algum dia essa caça às bruxas vai acabar se voltando contra ele mesmo quando alguma artista decidir que seus quadrinhos eróticos são "ofensivos às mulheres".

O escritor e desenhista Joann Sfar (O Gato do Rabino) disse que "nunca se sentiu representado pelo festival por milhares de razões" e chamou-a de "feudal e improdutiva". Certo. Agora vamos deixar uma coisa bem clara para essa gente birrenta: premiações de quadrinhos não foram feitas para "representar" ninguém! Se qualquer artista se sente chateado por não fazer parte de uma lista ou não ter recebido o devido reconhecimento deste ou daquele evento ignore e vá cuidar de sua vida. E não fique se lamuriando querendo forçá-los a premiá-lo! Isso é mimado, covarde e digno de pena!

A repercussão do boicote foi tão grande que a ministra da cultura da frança, Fleur Pellerin, disse que; "A cultura tem que ser exemplar em termos de paridade e no respeito à diversidade e não é isso que foi visto. É surpreendente, mesmo que as mulheres estejam em minoria entre os quadrinhistas, que numa lista de 30 nomes não conseguiram achar uma mulher para homenagear. É uma situação anormal".

Por mais complacente que a ministra esteja dos injustiçados no festival (os ministros na frança não devem ter lá muita coisa para fazer...), a verdade é que não é ela quem decide pelo evento sobre quem ou em que quantidade deve-se receber homenagens e sim os responsáveis pelo Angoulême. Mulheres estão em minoria no mercado internacional de hq's porque não tem interesse nessa área o suficiente para fazer número como os homens fazem. É por isso que elas não devem ser "achadas" para ganhar. Só devem ganhar se fizerem por merecer, com talento e qualidade superior aos quadrinhos feitos por homens.

O site Collectif des créatrices de bande dessinée contre le sexisme (coletivo dos criadores de quadrinhos contra o sexismo) da forma mais infantil, uma arma usada com frequência por tipos como esses, fez um trocadilho com a sigla do evento. Festival Internacional de la Bande Dessinée (FIBD).Virou; Femmes Interdites de Bande Dessinée (ou: mulheres barradas dos quadrinhos).

Percebe o alarde cínico? Mulheres ao longo de décadas foram premiadas pelo festival, mas somente por não haver mulheres este ano temos essa revoada de gralhas abanando os braços, atacando e xingando um evento antigo e importante da Europa de sexista e preconceituoso. Pura canalhice!
Mesmo que o Angoulême seja tendencioso e opte por premiar artistas "engajados", algo que eu não tenho ideia. O mínimo que pode ser dito é que essa gente está cuspindo no prato que comeu, já que muitos deles se tornaram famosos sendo finalistas da mesma premiação.

A ilustradora Coco em entrevista à uma rádio exclamou:"Foi de propósito? Não podemos esquecer que também existem mulheres!"

Outra opinião torta. Outra ideia exagerada típica de mulheres cuja única orientação política vem através do feminismo demente. É tão fácil refutar baboseiras como essa que basta somente inverter os papéis e teremos a real clareza da falsidade por trás delas. Quer um exemplo? Temos um setor da indústria completamente dominado por mulheres como é o caso da moda.Você alguma vez já viu homens se exaltando a promovendo marchas exigindo por mais espaço nas grifes e desfiles pelo mundo afora? Não, e nem vai ver! Pois é claro que a maioria absoluta dos homens estão se lixando para o mercado da moda mundial.

Penélope Bagieu falou que a lista era "uma discriminação evidente", o que não passa de uma mentira nojenta e sem sustentação. Já que o festival sempre premiou mulheres em toda a sua história. E continuou: "uma total negação da representatividade". Não é realmente repulsivo quando esse pessoal inventa um termo estúpido e "convoca" a sociedade a aceitá-lo como se fosse algo natural?
A mesma Bagieu ainda afirmou que; "Nós pedimos apenas uma consideração da realidade de nossa existência e valor". Depois dessa fica difícil não correr para a pia do banheiro para vomitar...
Vejam só quem está falando de consideração, alguém que boicota, reprova e condena sem vergonha nenhuma! E se existisse alguém capaz de dar aulas de noção de realidade, com certeza não seria uma anta que milita em prol de ideologias escrotas como ela faz!

Outra desenhista, Marion Malle, citou mulheres que fizeram história nas hq's como: Alison Bechdel, Catel, Barbara Canepa, Debbie Dreschler, Julie Doucet, Chantal Montellier, Trina Robbins e Jeanne Puchol. Depois disso usou o exemplo de Zep (Titeuf) como artista que teve carreira curta, gerou apenas um grande sucesso e mesmo assim ganhou o Grand Prix de 2004 do Angoulême.

Todas essas mulheres, assim como as que se pronunciaram a favor do boicote, não tem e nunca vão ter o direito de escolher pelo evento quem deve ser premiado. Se boa parte dessas mulheres estivessem preocupadas em escrever e desenhar seus melhores trabalhos ao invés de mendigar vagas em premiações, estariam mais perto de receber reconhecimento verdadeiro. E não teriam coragem de partir para a baixaria de tentar reduzir o trabalho de outros artistas como Malle fez com Zep. É desse jeito que se conquista respeito? Rebaixando as obras de outras pessoas?

Franck Bondoux, diretor do evento, tentou reagir aos protestos comunicando que: "O festival não pode distorcer a realidade, mesmo concedendo o fato de que a lista realmente poderia ter incluído o nome de uma ou duas mulheres". Disse também que não iria incluir um sistema de cotas e questionar a obrigatoriedade da inclusão de mulheres no critério de seleção do prêmio, que deveria refletir os méritos da carreira dos artistas, sejam eles homens ou mulheres. Embora o diretor esteja certo em alguns pontos, de nada vai adiantar ser comedido com artistas cegos pela própria conveniência. É exatamente das "cotas e direitos" que essa cambada está atrás.

Apesar do bombardeio vindo dos artistas envolvidos, a organização lembrou que o Grand Prix é somente uma categoria do festival, que possui títulos para todos os demais quadrinhistas. Não que essa declaração vá surtir efeito, afinal de contas os próprios responsáveis já se preocuparam em garantir que as próximas edições do evento incluam mulheres, com medo de represálias vindas da turba de bebês chorões.

O que se pode concluir de todo esse espalhafato infantil?

Temos um evento de décadas de existência sendo apedrejado de todos os lados por artistas mesquinhos e arrogantes, mulheres hipócritas munidas de pura sanha vingativa contra algo que jugam
ser machista e não "representativo", entidades como o Sindicato Nacional de Editoras da França (um dos países mais insuportavelmente ranhentos e "ativistas" da Europa) metendo o nariz onde não deveria, profissionais dos quadrinhos de vários lugares do mundo como Brian Bendis defendendo essa marmelada patética por pura covardia e condescendência barata e a própria organização do festival dando pra trás quando acuada por vigaristas intelectuais.

A tendência é vermos tudo isso se agravar. Veja o que aconteceu na CCXP de 2015, lá estavam a turma dos caga regras de boina verde "militando" por suas causas medíocres. Virou regra em diversos eventos. A diversão deu lugar a panfletagem descarada e conceitos auto-piedosos que são forçadamente empurrados goela abaixo do público leitor. Cabe a nós frear essa onda de infiltração vitimista dentro do mercado de quadrinhos. Antes que não sobre mais nada além de neurose e culpa auto-infligida.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

CHECKLIST COMENTADO: FEVEREIRO DE 2016




Por:Hds

Tradicionalmente a distribuição em bancas e comic shops nos meses de fevereiro de cada ano são completamente ferradas.Os leitores no país ficam sem saber se a culpa disso é da desordem provocada pelo período de carnaval que afeta as distribuidoras ou se é inabilidade das editoras.
Este mês além da normalização(entenda-se:ao menos os atrasos e reprogramações "comuns" com os quais estamos acostumados)do cronograma mensal,teremos o retorno da Marvel no checklist.
Fevereiro trouxe revistas interessantes,dê uma boa olhada na relação do blog:

DC Comics Coleção de Graphic Novels-Liga da Justiça Ano Um vol.1-formato 17x26cm,capa dura,154 páginas e preço de R$34,99.




 DC Comics Coleção de Graphic Novels-Liga da Justiça Ano Um vol.2-formato 17x26cm,capa dura,184 páginas e preço de R$34,99.


Liga da Justiça Ano Um foi publicada pela primeira vez em julho de 1999 na revista Melhores do Mundo nº21 da editora Abril.Nela Mark Waid reconta a origem da liga conduzindo os personagens por situações que os forçam a encarar seus defeitos,qualidades e ideias contrarias.Essa é uma abordagem interessante para os heróis da DC,já que todos eles normalmente são mostrados como sendo perfeitinhos e organizados demais.

Aqui temos uma briga de egos e a necessidade de se unir para resolver os problemas antes que os vilões causem mortes e danos à população.Mark Waid não decepciona com roteiros bem apresentados,mesmo que ilustrados pelo traço estranho de Barry Kitson.

Esse arco da liga merecia realmente uma republicação faz um bom tempo.O problema é que,com pouco mais de dez encadernados(de uma coleção de 60)a Eaglemoss já aumentou o preço do volume 11 de R$34,99 para R$39,99.Os dois volumes saem por R$70,00 e a partir do próximo duas revistas sairão por R$80,00.Nem preciso dizer que o valor está extremamente abusivo.

Blade A Lâmina do Imortal nº2-formato 13,5x20,5cm,448 páginas e preço de R$39,90.


Até o momento em que escrevi este texto a JBC não havia mostrado a sinopse do segundo volume.Se eu pudesse me fazer ouvir pelas editoras,entre outras coisas,diria para que sempre colocassem uma sinopse de cada edição em seus sites.Isso é algo básico que boa parte delas não fazem por pura preguiça e gera uma dor de cabeça para quem escreve sobre lançamentos.

A ideia de lançar duas edições num só volume é boa para adiantar a publicação.O problema é que tanto no caso de Death Note e Éden como no de Blade,o preço acaba ficando insuportável para quem já tem revistas demais ou encadernados em sua lista de compras.

Blade tem qualidade de roteiros e desenhos o suficiente para confirmar sua compra,que não deveria ser feita por esse preço estúpido!Confesso que suei frio até que a Panini oficializasse o formato de Vagabond como sendo o mesmo de Berserk.A JBC deveria ter feito algo similar.

Hellsing nº9-formato 13,5x20,5cm,176 páginas e preço de R$16,50.


A cidade de Londres se apresenta como o cenário para a última batalha e será revelado um traidor entre o grupo de caçadores.

Hellsing chega a sua penúltima edição.O mangá de Kouta Hirano está listado na JBC como para maiores de 18 pelo seu conteúdo violento e situações grotescas.Some a isso a ação expostas em traços escuros e sujos e você tem uma ambientação digna do tema de terror abordado pela história.Mangás de terror são raros e este talvez seja uma boa opção.Mas antes sugiro uma pesquisa sobre a qualidade do roteiro para evitar decepções.O fato de ter uma duração curta também ajuda bastante.

Rurouni Kenshin Especial Versão do Autor nº1-formato 13,5x20,5cm,200 páginas e preço de R$16,50.


Se você já conhece a história do mangá original não vai estranhar esta versão refeita do Battousai.Nobuhiro Watsuki lançou esta história na mesma época do live-action que saiu no Japão.
Vários os personagens conhecidos estão aqui neste primeiro número e esta é uma boa oportunidade de conhecer os trabalhos do autorSe você já leu a série original pode deixar passar.Ela conta somente a origem do samurai.

Morcego Negro-formato 17x26cm,340 páginas e,capa dura e preço de R$79,90(putz!).


Mesmo com canais de vídeo das principais editoras operando e editores,de forma inédita,esclarecendo dúvidas.Eu juro que ainda não consigo imaginar o que faz com que uma revista desconhecida chegue em bancas e shops com um preço de R$79,90!

Mas a explicação para meu espanto e inocência juvenil reside numa simples e graciosa palavra:Mythos.

Antes desta edição a editora preferida do Tio Patinhas já havia trazido O Aranha,O Sombra,Besouro Verde e Máscaras.A história gira em torno de Tony Quinn,um advogado da máfia inescrupuloso que se recusou a participar de um assassinato encomendado por criminosos.Depois disso é torturado e fica cego.Ao ter contato com uma organização secreta passa a agir sob a identidade de Morcego Negro para compensar seus crimes passados.Roteiros de Brian Bucellatto e desenhos de Ronan Cliquet.

Eu não sei se existe alguma noção mínima de realidade dentro da redação da editora Mythos que a faça perceber que trazer um quadrinho obscuro como este custando tão caro não é uma boa ideia.Como ela espera que o leitor demonstre o menor interesse nela?Talvez ela imagine que o leitor vai passar em frente a uma banca e pensar:"nossa!um herói totalmente desconhecido e diferente da Marvel e DC que costumo comprar!nunca ouvi falar disso aqui,mas só pelo fato de estar à venda vou tirar minha nota de 100,00 paus do bolso e agarrá-la agora mesmo!!!

Para que público a editora Mythos lançou esta revista?Por que ela não tem um preço baixo e convidativo como os encadernados das outra editoras?Como esperar boas vendas de um quadrinho cuja expectativa inicial dos leitores era igual à zero?Sugiro a você que leu este texto que pergunte diretamente à equipe de extra-terrestres que comandam as redações da editora Mythos...

Arquivo X Clássicos vol.1-formato 17x26cm,226 páginas,capa dura e preço de R$54,90.


A geração atual de consumidores de entretenimento não tem a mínima ideia do que foi a série Arquivos X.Trata-se de um programa extremamente popular dos anos 90(o que hoje não significa muita coisa...)estrelado pela dupla de agentes do FBI Fox Mulder e Dana Sculy,que resolviam casos paranormais e se viam sempre às voltas com tramoias governamentais misteriosas.A série de nove temporadas fez um sucesso gigante e se estendeu para outras mídias até se tornar uma peça de cultura pop.

A proposta era boa,atrativa o suficiente e elevou o nível das produções televisivas(se hoje existem séries com produções de filme como Game of Thrones agradeça à Arquivos X).Mas as fórmulas batidas do "monstro da semana",a manutenção forçada dos mistérios que se prolongavam até irritar os espectadores e a velha(e ainda hoje condenável)prática de esticar-se por longos anos(Lost é um bom exemplo disso)somente para diluir e vulgarizar os roteiros acabou por esgotar sua qualidade.

A editora New Order,da qual ainda não tinha ouvido falar,arriscou lançar os quadrinhos originais da década de 90 esperando atrair leitores antigos.Não sem o devido escoro no retorno da série que foi anunciado para 24 de janeiro nos EUA.

A falta de identificação com o público de hoje.A tentativa de chamar a atenção do leitor com saudosismo.O estranhamento em ler algo velho e fora dos padrões estéticos das hq´s atuais e os preço alto(custando 54,90 nem o brinde do poster de Mulder agrada) não ajudam a tornar a revista vendável.

"A verdade ainda está lá fora",mas talvez os leitores já não se importem tanto com ela.

Convergência nº0-formato 17x26cm,52 páginas e preço de R$6,90.


Convergência nº1-formato 17x26cm,120 páginas e preço de R$15,90.


Não é irônico que uma das poucas revistas que não são afetadas pela saga Convergence,que bem como outras sagas da DC foram feitas para esculachar com a cronologia,seja Multiversity?Além dela ter se passado em outra fase da editora,numa realidade paralela.Ela consegue ser tão desmiolada quanto qualquer história temporal da editora não servindo de alternativa às mesmas.

Convergence tem uma trama básica que não sustentaria nem uma edição da década de 70 do Superman.Pelo menos é a impressão que tenho,vai que estamos errados e Convergence se revele um novo clássico das histórias em quadrinhos.Embora eu duvide muito!

Sagas como essa tem uma linha principal de edições,que é onde as coisas importantes de verdade acontecem.E contam com todos os títulos periféricos participando dela de maneira quase sempre insípida.É chato ter que dizer uma frase tão batida,mas no caso dos eventos de hoje é puramente verdade;não se fazem mais mega-sagas como antes.

FBP:Departamento de Física da Polícia vol.1 Mudança de Paradigma-formato 17x26cm,164 páginas e preço de R$24,90.


Escrita por Simon Oliver e desenhada por Robbi Rodriguez.A série conta a história de Adan Hardy em seu trabalho dentro da agência federal de física,que possui tecnologia avançada para resolver problemas de distorção nas leis da física.Após entrar em um universo atacado por criminosos que geram distúrbios,Hardy precisa ainda encontrar seu ai desaparecido.

Quadrinhos de caráter autoral com temas diferentes na linha Vertigo são raros.Geralmente o que vemos são revistas decalcadas,que foram feitas para "emular" o estilo do selo.FBP parece inovadora,mas seria precipitado afirmar que se trata de um novo divisor de águas.

Robbi Rodriguez tem traço que combina com a atmosfera proposta.Quanto aos roteiros de Oliver não posso afirmar nada sem ter lido,mas é possível que esta série cresça e ganhe peso entre os demais da Vertigo.

Homem-Animal vol2 Origem das espécies-formato 17x26cm,248 páginas e preço de R$26,90.


Neste segundo encadernado dos três que completarão a saga,Buddy Baker começa a ser envolto por eventos que afetam a sua vida e a própria realidade a sua volta.Fatos relacionados à origem do herói trarão revelações bizarras postas(pelo menos naquela época)de maneira habilidosa e sutil pelo roteirista Grant Morrison.O Homem-Animal do escocês durou apenas 26 edições,mas deixou sua marca nos quadrinhos até hoje.Além de Morrison temos também desenhistas como;Chaz Truog,Doug Hazlewood,Tom Grummett,Steve Montano e Mark Mckenna.Só não compre essa revista se não puder mesmo.Boa leitura!

Hellblazer Infernal vol.7 Um Sacana nos Portões do Inferno-formato 17x26cm,216 páginas e preço de R$24,90.


Neste último encadernado da fase de Garth Ennis o próprio diabo vai ao encontro de John Constantine para resolver assuntos pendentes.Entre eles ter sido sacaneado duas vezes!Foram dezenas de edições com mortes,terrores,ocultismo,sacrifícios,conversas entre amigos e até mesmo momentos engraçados.A passagem de Ennis pelo título Hellblazer foi memorável.Apesar de ainda acreditar que os desenhos poderiam ter saído melhores nas mãos de Will Simpson que,como já cheguei a dizer antes,tem um traço mais adequado e menos repetitivo que o do desenhista Steve Dylon.Ponto pra Panini por ter concluído mais uma fase famosa com sucesso.

Mad nº86-formato 20,5x27,5cm,44 páginas e preço de R$7,20.

Procure saber sobre a origem da revista Mad de Harvey Kurtzman e descubra uma das histórias mais fantásticas da indústria do entretenimento.Uma revista pioneira num tipo de humor que somente poderia sair de uma cultura livre como a americana.

Eu já li algumas edições da versão brasileira da Mad,o suficiente para constatar uma verdade que poucos artistas e pessoas envolvidas na produção dela não terão coragem de admitir:a Mad brasileira não tem metade da graça que a original.

É uma revista de humor,eu sei disso,mas existe uma diferença brutal entre a qualidade do humor feito nos EUA e o feito aqui.Diferença essa que nunca é admitida pelos profissionais dessa área.é claro que existem bons comediantes no país(essa categoria envolve também desenhistas e escritores)mas o tipo de esquetes,piadas e paródias feitas por quadrinhistas nacionais são pouco sofisticadas.Um exemplo claro disso é a falta de noção de "tempo"de piadas nas tirinhas de jornais.A habilidade para enxergar detalhes sutis na construção do clímax humorístico,isso faz uma boa obra de humor.

A Mad tem bons materiais para mostrar(afinal são décadas de publicação)mas acaba realmente ficando sempre atrás da edição americana.

Gavião Arqueiro Minha Vida como uma Arma-formato 17x26cm,152 páginas,capa dura e preço de R$26,90.


Matt Fraction colocou o vingador Clint Barton para proteger moradores vizinhos,salvar cachorros e comer churrasco na coberturas de seu prédio na companhia de Kate Bishop.

Eu sempre achei ótimas as histórias de heróis suburbanos desde o demolidor de Frank Miller.Mas não
vou com a cara dessa visão "sujeito comum fazendo coisas comuns".Considerar o lado humano dos personagens é algo que tem sido feito na Marvel desde Stan Lee.O problema está em fazer um uso pouco útil de personagens com características super-humanas ocupando-os com atividades banais
como enfrentar a "gangue do agasalho de ginástica".

Li poucas edições do arqueiro de Fraction para perceber que elas funcionariam melhor com Clint Barton atuando como agente em casos de espionagem ou operações táticas.Os desenhos de David Aja são excelentes e cheios de um trabalho de design que lembram "curiosamente" os da fase do arqueiro verde de Andrea Sorrentino e Jeff Lemire.Não é coincidência.De resto a Panini fez bem em encadernar essa fase.

Vagabond nº1-formato 13,7x20cm,256 páginas e preço de R$17,90.


Quando vejo a capa do número um da nova edição de Vagabond pela Panini tenho uma sensação de
alívio.O mangá de Takehiko Inoue sofreu bastante para chegar até aqui.

Miyamoto Musashi vai começar sua jornada saindo de sua vila natal para ganhar o japão com a intensão de se tornar o samurai mais forte da história.Os roteiros vão nos colocar em situações de contemplação,de tensão,de morte e beleza jamais vistas num quadrinho japonês.

Os desenhos de Inoue nos deixarão hipnotizados com seu detalhismo,imersão,elegância e paisagismo embasbacantes.Acompanhar este mangá não é só uma oportunidade espetacular,é uma obrigação!!!

Parabéns à Panini por não nos fazer esperar anos para ler esta maravilha.Desde a nota de cancelamento da editora Sampa até esta nova edição se passaram somente alguns meses.A Panini acertou na escolha do formato,que será acessível e mensal.Agora é só correr para as bancas.Não perca esta saga de maneira alguma!

Vinland Saga nº13-formato 13,7x20cm,192 páginas e preço de R$13,90.


A paz de Thorfinn foi completamente abalada no último volume por ataques e mortes na fazenda onde trabalhava como escravo.Knut se consagra cada vez mais como um tirano e seus exércitos acabarão por chegar cada vez mais próximo.

A fase como escravo de Thorfinn já dura bastante dentro do mangá, mas dá indícios de terminar. O descanso das batalhas e chacinas acabou e existe um prenúncio de guerra iminente.

Depois de um período um tanto lento Vinland Saga volta a ficar empolgante. Mal posso esperar para ver todos esses confrontos com cabeças, braços voando na arte detalhada e fantástica de Makoto Yukimura.

E esse foi mais checklist.Fica o recado de que a Panini cometeu uma marmelada no mês anterior e deixou de mostrar os títulos da Marvel.Miracleman foi omitida na lista de janeiro e simplesmente pularam para o n]15.Fora alguns atrasos(basta dizer que é a Panini...)o mês de fevereiro teve excelentes lançamentos.Até o próximo checklist!

Fontes:UniversoHQ,Guia dos Quadrinhos e Comix Book Shop.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

OS PLANOS DA PANINI PARA 2016



Por:Hds




Nos dias 30 e 31 de janeiro aconteceu a Expo Geek 2016 e a Panini,através de seu editor chefe Levi Trindade,aproveitou para mostrar seu calendário de lançamentos do ano.

É óbvio que revistas que sairão em 2016 não se limitarão(somente)aos títulos mostrados aqui.Mas este ano promete uma boa leva de quadrinhos dignos de atenção.Cada uma das linhas publicadas pela editora teve uma lista de títulos que seguem adiante:

Marvel
  • Fabulosos X-men
  • Homem-Aranha Superior
  • Gavião Arqueiro
  • Miss Marvel
  • Demolidor
  • Novos Vingadores
  • Cavaleiro da Lua
  • Electra 
  • Viúva Negra
  • O Imortal Punho de Ferro(sairá em formato de luxo matando suas chances de comprá-la.)
  • Coleção Histórica Marvel-Vilões Unidos
  • Miracleman(seguem as migalhas da Panini com Alan Moore nos roteiros,Grant Morrison e depois Neil Gaiman)
  • Dead Pool(primeiras histórias da década de 90)
  • Mais volumes da fase John Byrne/Chris Claremont
  • Guerras Secretas 2015
DC Comics
  • Convergência chega ao Brasil e modifica(de novo!)as mensais da DC.
  • Arlequina
  • Esquadrão Suicida
  • A Liga da Justiça da America com Brian Hitch
  • Bizarro de Gustavo Duarte
  • Gotham Academy
  • Meia Noite (Authority)
  • Constantine:The Hellblazer(que nome imbecil!)
  • Batman Morte da Família
  • Flash(mais um encadernado)
  • Mulher Maravilha de Brian Azzarello
  • Liga da Justiça Trono da Atlântida
  • Cavaleiro das Trevas 3
Vertigo e Wildstorn
  • Tom Strong-Não chega a ser uma história realmente fraca ou ruim,mas este título nunca vai figurar entre os melhores de Alan Moore.É algo que foi feito para suavizar a fama de espizinhar super-heróis que o autor tinha.Já estava mais do que na hora de voltar às bancas.
  • Sandman Prelúdio-A conclusão da minissérie
  • Shade-O Homem Mutável(só tive que esperar "míseros" 18 ANOS para ver essa história retornar,mas tudo bem...)
  • FBP-Departamento de Polícia da Física(nunca ouvi falar...)
  • O Monstro do Pântano de Rick Veitch
  • O Homem-Animal terminará a fase de Morrison e começará a de Milligan
Mark Millar

O escritor escocês vai figurar em séries novas trazidas pela Panini em 2016.São elas:
  • Supercrooks
  • Starlight
  • Jupiter's Legacy
Alan Moore
  • Providence(o senhor "não escrevo mais quadrinhos" vai ter mais uma história em quadrinhos publicada neste ano)
Star Wars
  • Último volume da série clássica e a nova Star Wars Infinities
(Os anúncios de quadrinhos feitos aqui foram baseados na nota de lançamentos da Panini divulgada pelo site UniversoHQ.)

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

POR QUE LEITORES EXPERIENTES E NOVATOS NÃO DEVEM COMPRAR A SAGA CONVERGÊNCIA DA DC COMICS



Por:Hds


A DC deve achar que juntar heróis numa trama furada ainda impressiona os leitores.


Em fevereiro do ano passado a DC liberou notícias sobre sua nova saga Convergence. Um novo evento com um nome que mais parece o de uma série modinha de livros para adolescentes.

Como qualquer saga envolvendo todo o universo, a série será produzida em 8 edições principais mais 40 títulos que mostrarão eventos separados de cada herói.

A história terá Brainiac capturando cidades de vários mundos, épocas e até realidades diferentes. Até mesmo de lugares que não existem mais! A graça do evento, teoricamente, está em descobrir como os personagens coexistirão (dica: sairão na porrada previsivelmente) e como eles vão resolver o problema gerado pelo vilão.

Como Brainiac conseguiu poder para fazer algo assim? Se ele tinha tanto poder por que não conseguia vencer nem o Superman? Depois de coletar todas as cidades o vilão pôs os heróis para lutarem entre si para que dali saísse o vencedor. A história não passa de uma cópia barata de Guerras Secretas, a recente saga de 2015. Temos até um mundo feito com retalhos de várias terras.

O roteiro básico de Convergence é furado e joga a lógica na lata do lixo. Dizer o quanto da história saiu da cabeça de Jeff King (roteirista de séries de tv que notoriamente não devia estar metido nisso) e o quanto saiu dos diretores da DC é difícil. Afinal, por mais que escritores jurem que não sofrem intervenções dos editores, todos sabemos que são os donos da Warner que decidem a fórmula com que a história será feita.

Seres como Telos tem capacidades que extrapolam o escapismo como manipular quantidades impossíveis de energia.







Temos todos os elementos batidos alí: Telos é o Beyonder/Extemporâneo/Rabum Alal/Antimonitor da vez. Personagens de cada fase da editora (sabe como é,sempre se pode espremer velhas marcas registradas para que rendam mais dinheiro). Mortes reversíveis e acontecimentos sem nenhum impacto real. Já que tudo pode ser convenientemente apagado quando convier à DC. Se matar e trazer figuras do próprio universo já se mostra um recurso desgastado e podre. Imaginem então fazer isso com "realidades" inteiras?

No fim, o grande motivo para agrupar todos esses personagens é fazer com que todos lutem entre si. Exatamente como no ridículo "Battleworld" da Marvel.

Ótimo, então vamos fazer uma pequena recapitulação do que aconteceu desde o início dos Novos 52 até aqui:

Em 2011 a DC resolveu, por pura ganância, jogar num fosso de merda sua cronologia de mais de 70 anos de histórias. Puseram no lugar os Novos 52, um novo começo para o universo que deveria servir para apresentar seus heróis a uma nova geração. O que aconteceu na verdade foi que a maioria das histórias que saíram são um lixo retardado e superficial. Demoliram a linha Vertigo, uma das coisas que nunca deveriam ser tocadas na DC e demitiram a competente Karen Berger. Seus principais heróis ganharam encarnações adolescentes e imbecis. Uma confusão entre editores e roteiristas se estabeleceu nos corredores da editora e ninguém mais se entendia (alguém se lembra da "dupla morte" de Ajax?). As revistas lançadas eram tão ruins que dezenas delas foram canceladas no meio do caminho.

Embora os sites americanos e brasileiros não deem destaque para esse fato, o trio acima anda causando mais estragos na DC do que você imagina. Da esq. para dir: Dan Didio (editor executivo), Diane Nelson (presidente) e Jim Lee( co-editor).


E se você acha que o pior se passou nas páginas das hqs é porque anda acessando os sites de quadrinhos errados (o Omelete é o melhor exemplo...). Uma enorme leva de artistas insatisfeitos com a até então recente (de 2011 pra cá) política draconiana da DC pularam fora da empresa. Sob a direção da arrogante Diane Nelson, a DC deu um belo foda-se para escritores e desenhistas que não gostaram de seu novo estilo e esfregou nas suas caras que: se quisessem fazer cara feia seriam chutados e substituídos com a facilidade de quem toma um copo d'água. Desrespeito com os leitores e artistas e práticas nojentas de negócio. A Warner decididamente resolveu espremer até a última gota suas marcas registradas para lucrar o máximo. Nem que pra isso tivesse que desgraçar anos de trabalhos profissionais de centenas de autores que passaram pela editora à décadas atras. A soma disso tudo é igual à: desespero e desonestidade.

A morte de Wolverine foi mostrada com melodrama e eventismo forçado que no final não surtiu efeito algum entre os leitores.


Quem olha a cultura americana de fora não pode imaginar o que se passa na cabeça de seus leitores, mas chega a ser aberrativa a facilidade com que esses golpes mercadológicos da DC e Marvel fazem sucesso nos EUA. Será que os americanos são realmente tão idiotas? As notícias de sites de lá apontam para um crescimento nas vendas da DC. Ou seja, por pior que sejam estas sagas estúpidas elas vendem! Os leitores de quadrinhos devem ser os consumidores de entretenimento que mais toleram repetição e recursos narrativos abusivos. Vejam a indústria de jogos, eles podem contar histórias extremamente elaboradas e convincentes. Os seriados estão no topo da qualidade nos roteiros mostrados nos canais de tv. Enquanto isso ainda existem fans de hqs que aceitam algo claramente feito para arrancar grana de babacas como a "morte de Wolverine".

Mais importante que criticar sagas irrelevantes como Convergence é expor a tática barata usadas para chamar atenção dos consumidores. Pois é nela que a empresa vai depositar toda a sua capacidade de iludir. Tudo começa com um marketing agressivo. O marketing é crucial, afinal sem uma boa campanha as editoras correm o risco de investirem pesado e amargar prejuízo. De que outra forma se poderia vender algo podre se não fazendo com que ela brilhe atraentemente aos olhos do comprador?

1-Divulgação de Imagens e Teasers.


O que? "Dead no more? "Eu não sei do que diabo isso se trata, mas vou correndo comprar!
Em primeiro lugar a editora (seja Marvel, DC, Dark Horse, Image ou qualquer outra) libera (ou surge através de um "vazamento") uma imagem "virótica". Pode ser um cartaz ou um teaser. No caso do cartaz, ele mostrará somente uma palavra ou frase curta deixando o leitor imaginando do que se trata aquilo. O peixe foi fisgado! O teaser deixa você igualmente curioso com figuras e ações aparentemente desconexas. As vezes apenas silhuetas são mostradas. Engraçado que muitas pessoas achem isso uma coisa excitante, pois para mim, não mostrar nada de um produto pelo qual se vai pagar só gera dificuldade de avaliar a qualidade daquilo e camufla uma intensão de enganar.

2-A Coleta de Reações.


Nada traduz melhor a geração atual de leitores do que os patéticos vídeos de reação no youtube.


O maior erro que um consumidor pode cometer é não tentar enxergar o ponto de vista das empresas. Veja o caso das editoras: elas dão uma pista confusa de algum evento e jogam na internet. Os usuários com suas próprias conexões pagas leem, comentam, espalham a notícia, escrevem sobre ela em blogs (exatamente como eu faço agora) e analisam tudo promovendo um anúncio comercial em escala global. E sabe o quanto as editoras gastam com essa repercussão multiplicada bilhões de vezes (sem que elas movam um único dedo!) em todos os países. Absolutamente nada!


Como eu já disse em textos anteriores, a rede é usada por conglomerados para propagandear e popularizar seus produtos à custa da conexão paga do seu bolso. Algumas delas são tão caras de pau que querem repartir o lucro dessa publicidade como no caso dos Youtubers e a Nintendo. Essas pessoas estão sendo adestradas pelo mercado de entretenimento para reagir a estímulos e não para consumir. Basta ver o que a Disney fez com Star Wars-O despertar da força. Uma massiva campanha mundial e a reação robótica dos espectadores indo ao cinema para ver uma história requentada.

Muitos que seguem consumindo marcas de empresas de diversões explodem em entusiasmo descontrolado sem nem saber se aquilo que se vende é satisfatório ou não. Um exemplo disso é a salva de palmas e os gritos estéricos vistos em conferências da E3 (evento de jogos). Como se os espectadores estivessem num show de uma banda famosa. Muitos dos jogos mostrados se revelam bombas desastrosas.

3-A Revelação Oficial da Trama.


Guerra Civil 2. Criar histórias novas pra quê? A DC e a Marvel sabem que os leitores precisam ter suas cotas de tramas fáceis e saudosismo barato bem estimuladas!


Apesar das proporções que os comerciais tomam e da expectativa artificial que eles provocam, a empolgação infantil acaba em segundos quando é mostrado o plot da saga. Eles costumam ser pobres e repletos de furos de roteiro. A forçação de barra em cima de ações incompatíveis dos heróis e as tramas mal-encaixadas dão lugar ao tradicional debate crítico em fóruns.


Poderia se pensar que com isso o leitor ficasse com o pé atras. Afinal quando uma história é recebida com desconfiança, cinismo, críticas raivosas e memes engraçadinhos no Facebook, a chance dela se dar mal é grande certo? Com os leitores de quadrinhos não funciona bem assim.

As ideias batidas e caça-niqueis estão todas na mesa:"mistério", "alguém vai morrer", "o Capitão América e o Superman vão liderar a resistência", "um vilão poderoso que ninguém sabe de onde saiu surge ameaçando a existência da terra", "heróis vão se arrebentar sem motivo algum, já que estão no mesmo lado", "a cronologia será afetada irreversivelmente" e "depois disto tudo nada será o mesmo".
Mas nem assim a série vai afundar e dar uma lição aos editores imbecis. A teimosia e falta de apreço pelo esforço em conseguir dinheiro trabalhando vão fazer com que os fans adotem mais um golpe editorial.

Sempre deixo evidente que leitores pequenos e adolescentes não são críticos chatos de cinema. Eles jogam, leem, ouvem e assistem o que bem entenderem. E devem fazer isso. Mas esse argumento não é completo o bastante para justificar estupidez. As sagas que li quando criança eram tão bestas e mercenárias quanto as atuais. Só que não eram tão dispendiosas, com dezenas de títulos. Eu mesmo nunca comprei nenhuma completa. Então alguém pode dizer: "não é obrigado comprar todos as revistas". Sei disso perfeitamente, mas veja a qualidade das sagas atuais com roteiros rasos cheios de torneios e batalhas tão banais quanto as de Dragon Ball.

O editor chefe, Dan Didio afirmou que a série Convergence terá títulos para todos os gostos, idades e níveis de experiência de leitura. Mas tentar agradar os fans ao invés de trazer uma história bem elaborada só evidencia a pretensão burra de aumentar vendas atirando para todos os lados. Esmagando a cronologia e tentando colar a pecha da "diversificação" de revistas para todos os leitores (até aqueles que não dão a mínima para quadrinhos e só querem se ver "representados") não passa de uma fração da iniciativa da Warner de moer suas franquias até que não sobre nada além de restos. Tudo em nome da corrida pelas bilheterias com a Marvel. Corrida ela está perdendo há um bom tempo.

Entendo que leitores de hqs novos leem por diversão, para ver seus personagens preferidos lutando. E que os mais velhos tenham curiosidade, mesmo que saibam pesar a qualidade de um bom roteiro. Mas as editoras não pensam assim, elas entendem que se algo vende bem é porque "eles querem mais". Quando você paga para ler porcarias está mandando um recado que será entendido como um "joinha" para que se despeje mais lixo na sua cabeça!

Quando se expõe a questão dessa maneira, o comum é recebermos respostas das mais variadas rebatendo-a. Mas é evidente que algo nisso tudo está errado. Pare pra pensar: por que nunca dentro das listas de grandes quadrinhos de todos os tempos as mega-sagas nunca entram? Se elas são tão boas por que ninguém lembra delas na hora de escolher seu top 10 de melhores quadrinhos? É sempre Cavaleiro das TrevasWatchmen, V de Vingança, Sandman e nada de Crise, Guerras Secretas ou Zero Hora.

Certa vez o escritor Mark Millar disse que "um evento não é um evento se acontece o tempo todo". É a mais pura verdade. Mega-sagas em linha de montagem dão no saco em vez de divertir. A Marvel e a DC não vão parar com elas enquanto o próprio leitor não meter o pé no freio. A melhor arma para isso é o puro e simples boicote. Façam a coisa mais certa nessa ocasião e não assinem embaixo dessa marmelada indigesta! As editoras terão que parar com essas estratégias mesquinhas de publicação e o leitor mandará um recado diferente dessa vez: "trabalhem direito seus vagabundos!".

domingo, 31 de janeiro de 2016

CHECKLIST COMENTADO: JANEIRO DE 2016

Checklist Comentado:Janeiro de 2016

Por:Hds

Se você está de férias agora, sorte a sua!

O ano de 2016 começou com a Panini no topo das editoras que mais anunciaram revistas e logo atras dela temos a JBC.Apesar de boa parte dessas edições terem atrasado de dezembro até agora,os títulos mostrados são ótimos e se somarmos aos que já foram prometidos para este ano temos motivos para acreditar que o ano vai ser cheio.

Sem mais conversa,vamos à lista de quadrinhos para janeiro!

DC Comics Coleção de Graphic Novels:Batman O Longo dia das Bruxas(parte 2)formato 17x26cm,154 páginas,capa dura e preço de R$34,99.


Minissérie muito elogiada de Jeff Loeb e Tim Sale publicada pela Panini em 2008.De lá pra cá uma legião de leitores do batman vinham pedindo para que fosse relançada.Jeff Loeb já escreveu coisas boas,mas muito do seu material é fraco ou passável.O longo dia das bruxas é um dos seus pontos altos e merece ser lida,só não sei se vale a pena pagar no total R$70,00 pelo acabamento dos dois volumes.

A revista conta a história do assassino serial que ameaça as principais facções de mafiosos de Gotham e que ataca programando suas ações baseadas em feriados.Se não houver algo mais urgente e essencial do homem-morcego para considerar comprar e se couber no seu orçamento,vale a compra.

DC Comics Coleção de Graphic Novels Superman O Homem de Aço-formato 17x26cm,184 páginas,capa dura e preço de R$34,99.


Ao final de Crise nas Infinitas Terras ninguém menos que John Byrne foi chamado para reformular o Super-Homem e o resultado disso é mostrado aqui nessa encadernação que trás as primeiras histórias da fase.Com desenhos e roteiros de Byrne o herói foi remodelado para o futuro e boa parte do que foi estabelecido nela perdura até hoje.O mundo de Krypton(história aclamada) está entre os arcos escritos por Byrne e talvez a Eaglemoss resolva lançá-la,mesmo não estando na lista de encadernações.

Eden It´s an Endless World 4-formato 13,5x20,5cm,450 páginas e preço de R$39,90.


Até o momento deste texto a JBC não havia divulgado a sinopse de Eden nº 4.Este título chamou a atenção quando foi lançado pela Panini,mesmo num formato ruim e leitura ocidental.E algo que chama a atenção também são as críticas ao estilo estranho de escrever de Hiroki Endou,que não dá pistas de onde o autor quer chegar e se mostra um tanto disperso.Mas Eden tem qualidade e merece uma boa olhada.Isso só não vai acontecer pelo mesmo motivo que não vou poder ler várias outras séries;o custo não encaixa na minha pobre renda mensal.

Hellsing Especial 8-formato 13,5x20,5cm,176 páginas e preço de R$16,50.


Nesta edição Hellsing enfrenta Iscariot.A revista entra na sua reta final.A história gira em torno da família do caçador de vampiros que fundou uma ordem protestante e combate criaturas sobrenaturais.Hellsing é um dos poucos mangás de terror em bancas atualmente.E sua violência e ação o tornam interessante,pelo menos para uma boa olhada.

Parasyte 5-formato 13,5x20,5cm,232 páginas e preço de R$16,90.


Parasyte é uma série de mangás curta de apenas 10 volumes.Conta a história de Shinicho Uzumi um rapaz comum que acaba hospedando uma criatura alienígena que modifica seu corpo numa bizarra
simbiose.O simbionte obriga suas vítimas a comer carne humana para sobreviver,o que leva Uzumi a reconsiderar suas convicções humanas.A impressão que tenho é que os japoneses não tem lá muita noção do que é cabível ou não de se por numa hq acabam criando tramas grotescas desse tipo.Parasyte é visualmente escroto.Não posso dizer nada sobre a qualidade dos roteiros,mas com um plot desses talvez seja melhor ler algo menos anormal.

Terra Formars 7-formato 13,5x20,5cm,210 páginas e preço de R$14,90.


Outro mangá com um conceito estranho.Em 2599 Marte já se encontra em fase de colonização e quando uma equipe de astronautas é enviada para sua superfície encontra lá uma raça de humanoides modificados com aparência e capacidades de baratas.Uma nova equipe de humanos com poderes de insetos é enviada para marte para combatê-los.Disputa de poderes entre humanos com poderes de insetos e baratas mutantes?Acho que se acabaram as boas ideias!De qualquer modo a história tem ação e lutas o suficiente para manter os fans de mangá entretidos.Eu prefiro garimpar algo mais pé no chão.

B.P.DP Origens 1946-1947 vol.1-formato 17x26cm,316 páginas e preço R$79,90.


Com roteiros do criador,Mike Mignola e Joshua Dysard e desenhos Aul Azaceta,Patric Raynolds,Fábio Moon e Gabriel Bá.Durante a segunda guerra mundial Adolf Hitler,prevendo a derrota alemã,usa de meios ocultistas para desenvolver um projeto de criação de um exército de vampiros conservados numa câmara secreta.

Hellboy é um dos personagens que mais gosto fora dos grandes universos de DC e Marvel,mesmo que às vezes as histórias mostrem uma boa dose de escapismo que lembra  as antigas histórias em quadrinhos.O próprio Hellboy não é um dos tipos mais inteligentes que você vai ver por aí.Ele costuma resolver os problemas mais com os punhos do que com pesquisa e treinamento,mas em algumas passagens é exatamente esse defeito dele que o torna engraçado e espontâneo.

Esse quadrinho merecia ser lançado cronologicamente e num formato barato para que os novos leitores pudessem aproveitá-lo.Revistas de terror são raras dentro do mainstream e o clima pesado e escuro dos desenhos de Mike Mignola fazem falta.A Mythos não está interessada em popularizar e agilizar sua presença nas bancas,o que acaba sendo um belo desperdício.

Ah!E antes que eu me esqueça;o preço da encadernação é uma verdadeira punhalada(ou machadada...)no bolso do leitor brasileiro.Como de costume na Mythos.

Juiz Dredd Guerra Total-formato 20,5x27,5cm,76 páginas e preço de R$10,90.


Esta edição foi citada num post anterior em que dei minha opinião sobre a linha editorial da Mythos e reforcei a crítica a sua total falta de vergonha em publicar quadrinhos dessa maneira.Talvez a recepção baixa que o título teve tenha ensinado uma pequena(mas não definitiva)lição à Mythos;os leitores devem ler seus quadrinhos editados do modo que bem quiserem e não do jeito que ela quer.O Juiz Dredd deveria sair desde o começo com histórias clássicas de John Wagner e Carlos Ezquerra e depois a fase de Alan Grant ENCADERNADAS!E não jogadas à esmo dentro de uma edição mix feita para "economizar" fazes boas.

Mas no entanto a editora insiste em encarecer todos os seus quadrinhos.
A última coisa que uma editora como essa pode afirmar é que tem em mente ampliar sua margem no mercado nacional,pois é óbvio que numa crise descomunal em que o país se encontra,vender um produto não-essencial ao consumidor com preços estratosféricos é um verdadeiro tiro pela   culatra.Sendo assim,tomara que a Mythos acabe se matando com os próprios tiros!

Multiverso DC nº8-formato 17x26cm136 páginas e preço de R$16,40.


O novo Superman e o velho Batman continuam enfrentando apokolipse,mas devido ao avanço do inimigo devem apelar agora para um ataque suicida contra Darkside.Além disso uma história com Vandal Savage e a origem da Caçadora.

Multiverso DC continua com sua trama tão complicada quanto montar um quebra-cabeça de 500 peças com os olhos vendados.Como nem todas elas são escritas por Grant Morrison é possível que os leitores entendam boa parte delas.Mas ainda é irritante o modo como as sagas da DC deixam uma impressão de confusão e progressão narrativa bagunçada.Eu desisti de fingir que consigo entender e aguentar toda essa salada temporal e preferi comprar revistas com histórias mais coerentes.

V de Vingança Edição Especial-formato 17x26cm,capa dura,308 páginas e preço de R$69,00.


Após sofrer abusos num campo de concentração de uma inglaterra totalitária,um desconhecido arma um plano para destruir o governo e instaurar uma anarquia.Fazendo uso da figura de Guy Fawkes,esconde sua identidade para promover ataques contra o mesmo regime que destruiu a sua liberdade

Você consegue adivinhar o que a Bíblia e V de Vingança tem em comum?Ambas serão publicadas até o infinito!Então temos mais uma reedição da saga do terrorista(não sei se você sabe,mas explodir as casas do parlamento e matar pessoas não é o mesmo que sair pra tomar um sorvete na rua.Isso é crime!)mais popular do mundo.Uma história emocionante que nos fez pensar sobre a liberdade humana e também fez com que milhões de babacas espalhados pelo mundo comprassem a mesma máscara achando que estavam sendo muito criativos.Só que não...

Eight:Forasteiro-formato 17x26cm,128 páginas e preço de R$26,90


Eight é um quadrinho feito por Rafael Albuquerque e Mike Johnson em parceria com a Panini e o Stout Club.Conta a história de um "crononauta" chamado Joshua que se está perdido numa dimensão estranha.

Pra saber sobre a qualidade da revista só lendo,mas é difícil saber quando uma edição feita por brasileiros é boa ou está somente sendo recoberta de elogios rasgados por adulação.Sabe como é,para alguns artistas nacionais bajulação é tão necessária quanto o oxigênio que respiram.Como disse não posso avaliá-la,mas admito que escolher um tema de ficção espacial foi um acerto logo de cara.

Hora de Aventura Edição Matemática-formato 17x26cm,140 páginas e preço de R$23,90.


Com o fim da década de 90 os estúdios aparentemente se esqueceram como fazer desenhos engraçados para crianças e puseram verdadeiras porcarias para exibir nas tvs.Desenhos esquisitos com diálogos saídos da boca de crianças que mais pareciam velhos chatos reclamando. Histórias controladinhas e pedantes.Qual não foi a minha surpresa ao dar chance a um desenho com estilo simples e colorido do qual ouvia falar o tempo todo,mas nunca tinha visto sequer um episódio:Hora de Aventura.

Humor absurdamente nonsense,tramas rápidas cheias de lutas e aventuras,personagens carismáticos(o rei gelado é a melhor figura de tarado desde o mestre Kame!),total desprendimento do politicamente correto e piadas sobre flatulência.Isso tudo me fez crer que há salvação para as crianças que vão crescer vendo essa pérola em meio a tantas animações certinhas e enfadonhas.Finn e Jake são a melhor dupla dos cartoons em mais de uma década!

A Panini vem lançando várias dessas histórias no Brasil e esta é uma boa oportunidade para os pais apresentarem a leitura de quadrinhos para seus filhos.O único problema é o preço que poderia ser mais baixo,do jeito que está vai acabar afastando o público infantil.

20th Century Boys nº20-formato 13,7x20cm,208 páginas e preço de R$12,90.


O mangá de Naoki Urasawa conta a história de um grupo de garotos que se reuniam para se divertir durante a infância.Depois de muito tempo um dos integrantes se torna um líder de culto religioso que
prega a morte da população da terra.Os garotos,hoje já adultos e vivendo suas vidas comuns,reconhecem algo de familiar no "Amigo",o fanático recrutador e resolvem se unir para detê-lo.

Urasawa tem fama de ser um bom mangaká e já produziu obras premiadas como Monster(iniciada pela Conrad e interrompida.Depois iniciada pela Panini e concluída)e não seria novidade se esta história me agradasse pelo seu apelo ficcional.Os desenhos do autor são mais contidos,sem tantos exageros e caricaturizações típicas dos japoneses.Infelizmente ainda não li nenhum de seus mangás,mas acredito que este quadrinho se destaque entre outros.20th Century Boys está perto de terminar e não poderia deixar de citá-la.Tomara que o fato de ter duas de suas obras finalizadas no Brasil faça com que Urasawa permita que mais material de sua autoria chegue aqui.

Como havia dito acima a Panini atrasou diversos títulos de dezembro até aqui e a Marvel ficou de fora do checklist deste mês.Caso a editora venha atualizar sua lista de lançamentos eu os incluirei no post.O checklist comentado deste mês acabou ficando curto,mas ainda assim obrigado a quem leu.Até o próximo!

Fontes:Universohq,Hotsite Panini e Guia dos Quadrinhos.