terça-feira, 11 de outubro de 2016

O QUE ESPERAR DE... JUSTICE LEAGUE




Por: Hds.





Através de seu Twitter o diretor Zack Snider apresentou um vídeo onde mostra cenas de bastidores do filme Justice League e aproveitou para comemorar o fim das filmagens com a equipe de produção que aconteceram na Inglaterra. O filme terá Henry Cavill (superman), Ben Affleck (batman), Gal Gadot (mulher maravilha), Jason Momoa (aquaman), Ray Fisher (ciborgue), Ezra Miller (flash) no elenco principal. E ainda conta com; Jesse Eisemberg, Willem Dafoe, Jeremy Irons e Amy Adams.

O filme tem estreia programada para 16 de novembro de 2017 com direção do próprio Snyder.

A história vai mostrar um Bruce Wayne transformado pelo ato de sacrifício do superman, que com a ajuda da princesa Diana tentará recrutar metahumanos com a finalidade de enfrentar uma poderosa ameaça antes que a terra seja destruída.

Apesar da longa distância que separa a estreia de Justice League da data deste texto, não há como negar que ele está seguindo à risca o caminho de todos os demais blockbusters de super-heróis já vistos. Desde seu anúncio, que até então não havia sido confirmado mas era passível de previsão, uma produção com o panteão de deuses/heróis da DC era esperado. Afinal de contas, quando a Marvel foi capaz de trazer Os Vingadores aos cinemas, não era nenhuma proeza imaginar que o mesmo se daria com a liga.

Sempre me deixa abismado a categoria de opiniões que leio sobre filmes antes deles saírem. Perece que em todos os lugares onde leio alguma coluna ou nota sobre eles, os redatores sofrem de um tipo crônico de amnésia. Essa gente escreve ou fala sempre como se estivessem esperando o lançamento do primeiro filme que irão ver na vida!

Em primeiro lugar, temos a pontuada e enervante liberação de "primeiras imagens". Temos as opiniões de diretores, produtores entre outros envolvidos na produção quase sempre tediosas e irrelevantes. Algumas notas são liberadas com anos de antecedência! Então surgem os tais "vazamentos". O que dizer deles?

Ao longo desse tempo somos convocados pelos sites e canais de entretenimento a assistir trailers em sequência. Cada um mais abusivamente expositivo que o outro. Quase não deixando nada para imaginar ou adivinhar sobre o filme.

E mesmo com toda esse tralha de informações se replicando em milhões de canais de informação, a atitude dos resenhistas ou simples redatores é sempre o deslumbramento primário.

Conhecer esse processo de acúmulo de expectativa pré-programada pela qual passamos em tempos de internet não é o suficiente para instigar essa gente a raciocinar antes de se render ao deslumbre e sair vomitando asneiras motivadas apenas por pura empolgação. Ou seja, ninguém procura fazer uso de sua experiência pregressa com filmes para adiantar detalhes que possam expor possíveis qualidades ou defeitos antes deles se revelarem.

Quer um exemplo? Se você fosse um crítico de cinema e um estúdio anunciasse um filme baseado numa hq escrita por Robert Crumb e desenhada por Robert Liefeld com direção de Uwe Boll (diretor de filmes podres baseados em games), você ainda pensaria que uma aberração dessas daria certo?

Sendo assim, vou fazer diferente com Justice League. Vou analisá-lo pelos que já temos em mãos e tentar antecipar detalhes que possam evidenciar méritos ou falhas que, talvez, ele vá mostrar em sua estreia. Veja o trailer abaixo:




Agora vamos observar com mais atenção:

O trailer começa com o típico toque de notas curtas somado à troca de imagens lentas ou panorâmicas. Um puta clichê "necessário" à linguagem viciada com que se vende produções de cinema hoje em dia. A narração em off de Ben Affleck nos dá características do Aquaman. Aqui é estranho notar que a Warner decidiu por inserir as mudanças "realísticas" no estilo Christopher Nolan. O que não faz o menor sentido, já que a DC deu a entender que se afastaria dessa linha. Se não, qual o motivo desse aquaman parecendo um sem-teto/alcoólatra? E essa ideia de ajudar os mendigos dando peixe? Por que um governante de um vasto reino como Atlantis perderia tempo com caridades em territórios humanos?

Jason Momoa faz um "Aquaman bad boy".

Também tenho uma queixa a fazer sobre a atuação de Jason Momoa; eu não sei quem foi que estabeleceu que o aquaman seria um sujeito carrancudo e intransigente. Não sei exatamente de quem partiu essa visão, em que quadrinho, desenhos ou seja lá de onde tenha vindo essa versão de um aquaman zangado e cabeça dura. Mas para mim, ela não cai bem ao personagem. O aspecto de um rei (não sendo um inimigo,claro.) deveria ser de imponência somada a um ar de generosidade e sabedoria. Lembram do Lanterna verde John Stewart do desenho da liga? Alguém no estúdio de animação decidiu que ele ficaria com cara de quem comeu bosta de cachorro vinte e quatro horas por dia. Sempre reclamando e bancando o negão mal-encarado do gueto. Uma das piores interpretações do herói , que nunca se mostrou dessa forma.

Depois disso, vemos um grupo de guerreiros e um sujeito usando uma coroa de rei numa floresta enterrando um objeto que parece ser uma caixa cheia de símbolos e ornamentos. Confesso que não tenho o mais vago palpite do que seja o tal objeto. Bruce Wayne continua, deixando claro que pretende reunir uma equipe de super-poderosos. Aparecem o Flash e o Ciborgue.

O Ciborgue e o Flash de Justice League ainda  precisam provar que funcionam num filme.

O aquaman tatuado e segurando uma garrafa de whisky sai de cena a vemos Mulher Maravilha brevemente segurando um escudo com inscrições de fogo que se apagam, no estilo "um anel" de Senhor dos Anéis. Wayne faz uma surpresa ao flash, que nesta versão vai ser Barry Allen, recebendo-o em seu laboratório improvisado cheio de monitores (mostrando dados vitais de Barry), livros, objetos largados e o uniforme que aparenta ter sido feito pelo próprio flash (tem esboços ao lado dele). É nessa hora que descobrimos que o flash vai ser um alívio cômico dentro da equipe. Wayne e Diana já demonstram alguma intimidade e estão trabalhando juntos na "seleção" de integrantes. Embora não tenha conseguido determinar exatamente de onde eles estão fazendo isso. Não parecia ser a bat-caverna. A recepção raivosa do aquaman à Bruce Wayne não ficou muito clara, mas deve ser esclarecida posteriormente. Ou talvez não...

Esse Batman está mais pro coruja do Watchmen
Por fim, uma liga incompleta liderada pelo Batman investiga um lugar abandonado e todo detonado em chamas. O trailer deixa muitas dúvidas que, dependendo da falta de noção da Warner, serão completamente estragadas nos vídeos que ainda virão daqui até novembro de 2017 (caso a data se confirme e caso ela resolva liberar detalhes demais).

Gal Gadot pode não ter exatamente o perfil ideal para a Mulher Maravilha, mas convence em batalhas.

Sabemos que o Exterminador fará uma aparição. Que existe um membro faltando no grupo que pode ser usado como um ás na história. Foi divulgada uma foto com armaduras estranhas e ninguém sabe quem exatamente está por traz da tal ameaça. O lex Luthor de Jesse Eisemberg (infelizmente) vai voltar e deixará claro o seu papel nessa trama, já que era ele quem possuía a ficha dos membros.

Por mais que que faltem peças no enredo para torná-lo mais visível, a maior questão está longe ser uma das que citei acima. Pois falta pontuar exatamente onde o Superman se encaixa na liga. Como sabemos, Clark Kent está sumido (pra dizer o mínimo!) e apesar de ser óbvio que ele vai retornar, fica a pergunta de como eles vão trazê-lo de volta. Vão sacrificar uma parte do filme para mostrar onde está e como vai retornar? Vai haver uma busca pelo kriptoniano? Além disso, é o batman que está reunindo e liderando o grupo, apesar de ser Bruce Wayne quem se expõe na busca por integrantes.

Vamos lá homem! Você é o Superman! Anime-se!!!

Outro problema em relação ao super está no fato de que, sim, não adianta chorar; Zack Snider não sabe dirigir atores! E aí? Vamos ter que aturar mais deste homem-de-aço rancoroso e sem expressão? Um superman que não lidera, não inspira autoridade ou confiança. E o pior: não traz um pingo da serenidade, presença e carisma que o herói apresenta nos quadrinhos. Duvido que o diretor tenha decidido pela construção da personalidade de quem quer que seja no elenco. Se não por que teremos um aquaman emburrado? Um flash cômico, sendo que Barry Allen nunca foi de piadinhas e sim Wally West? A mulher Maravilha merece um aproveitamento inteligente durante o decorrer do filme que faça jus ao peso da função que a heroína tem:  a de ser uma guerreira e trabalhar alianças entre a terra e Themyscira.

É lógico que é cedo demais para sequer começar a especular sobre a mega-produção da Warner. Serão águas demais rolando até o dia do lançamento. Com o que temos agora podemos calcular pouco e ficar preenchendo lacunas com boatos é pura perda de tempo de desocupados da net. O que devemos é esperar. Driblar a tonelada de spoilers em fotos, declarações em redes sociais, twittes, "vazamentos" de informações e os trailers nº 2,3,4,5 e por aí vai... Para podermos apreciar o a experiência no cinema de maneira completa. Uma boa espera e torçamos para que dê tudo certo.

Fiquem agora com o vídeo de bastidores do final das filmagens:


domingo, 9 de outubro de 2016

O RELANÇAMENTO DE CAVALEIROS DO ZODÍACO PELA JBC



Por:Hds


Os Cavaleiros do Zodíaco (Saint Seiya) começaram a ser publicados no Japão em 1986 na revista Weekly Shonen Jump, com os roteiros e  arte de Masami Kurumada. Duraram um total de vinte e oito volumes que se encerraram em 1990. No Brasil, os cavaleiros só estrearam em 1994 pela Rede Manchete através do anime e não do mangá. Este viria bem mais tarde, somente em 2000 quando a editora Conrad o lançou em meio-tanko.

Neste ano de 2016 os "defensores de Athena" estão completando 30 anos e a atual casa dos guerreiros, a editora JBC anunciou que publicará a versão Kanzenban do mangá. Esse formato equivale a uma edição especial no país de origem e é a primeira vez que sai no Brasil. A despeito do que vários sites pouco informados estão espalhando por aí, não é a primeira vez que esse padrão ganha as livrarias ou bancas do país. A própria Conrad já havia trazido Dragon Ball "edição definitiva" em 2005.

A JBC não deu mais detalhes sobre o preço, mas adiantou que serão 22 volumes com uma média de 240 páginas. O editor da Cassius Medauar prometeu manter os fãs atualizados em seu canal no YouTube, o Henshin Online. Além dessa notícia a editora vai pôr em bancas a nova série chamada Santia Shô que chega agora em outubro.

Curiosamente, tudo isso coincide com a volta dos cavaleiros para a TV aberta e dessa vez oficialmente. A Toei Animation vendeu os direitos para a Rede Brasil dos 114 episódios originais do anime que será exibido diariamente de segunda a sexta. A estreia deve ocorrer em outubro ainda sem horário definido.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

ATUALIZAÇÃO DE LANÇAMENTOS DO SELO VERTIGO PELA PANINI



Por: Hds


Não tenho a menor ideia de como funciona a distribuição de quadrinhos dentro do eixo Rio-São Paulo-Minas porque não vivo nesses estados. Mas acho que deve ser bem melhor que nos locais
longes das grandes editores e gráficas. Pois a disposição de revistas no estado em que moro é uma zona e em períodos como o das olimpíadas que ocorreram fica pior ainda.

Desde junho o site da Vertigo/Panini ficou paralisado e sem atualizações. Nada de checklist ou anúncios. Isso atrapalha terrivelmente quem procura por informações para passar aos leitores como faço aqui nesse blog. 

Apesar de muita coisa não ter sido noticiada de julho até setembro aqui, vou aproveitar o retorno das
"atividades normais" da Panini para colocar em ordem alguns lançamentos:

Fábulas vol. 22 - A Despedida: 17x26cm, 160 páginas, capa cartão, papel lwc e preço de R$26,90.


A Panini conseguiu humilhar todas as editoras que já se atreveram a publicar esta longa e cultuada série no Brasil. Com o volume de número vinte e dois a editora fecha com competência a rápida e memorável passagem das fábulas pelas bancas do país em apenas quatro anos. Os fans da saga que é considerada por muitos como "o sucessor espiritual de Sandman", puderam se esbaldar com a absurda pilha de volumes que o título da Vertigo gerou somado aos seus prolíficos spin-offs. Parabéns
à Panini! 

Homem-Animal - O senhor dos Lobos: 17x26cm, 188 páginas, capa cartão, papel lwc e preço de R$26,90.

Seguem os arcos de histórias posteriores à saída de Morrison. No caso, o segundo pelas mãos de Tom Veitch. Buddy Baker não controla mais seus poderes e a consequência é a morte de animais afetados pelo campo morfogênico. Problemas com sua filha e mulher se somarão à tortura em que se tornou a vida do herói.

Apesar de ter comprado o volume de Peter Milligan desisti de acompanhar os demais que saíram pelo fato das histórias não apresentarem o mesmo peso que as da fase do escritor escocês. Não li as histórias de Tom Veitch, por isso não posso afirmar se são boas ou não , mas me parece que, assim como Rick Veitch no monstro do pântano pós - Moore, Tom não conseguiu se livrar da sombra que o roteirista original deixou sobre o personagem. Pra agravar ainda mais, temos os desenhos de Steve Dylon que são fracos e não ajudam tornar a fase algo imprescindível.

Os Invisíveis vol 8 - O Reino Invisível: 17x26cm, 148 páginas, capa cartão, papel lwc e preço de R$23,90.


O fim do mundo tem data certa e as duas forças opostas já iniciam sua luta para dominar o futuro da humanidade.  Os Arcontes enfrentarão os Invisíveis onde o resultado deve ser; " Liberdade Atemporal ou Controle Eterno". 

Mais uma "profecia" quebrada pela Panini. Mais uma série famosa sendo concluída de forma ágil e 
certeira. Os Invisíveis de Grant Morrison chegam ao fim com pouco mais de dois anos de publicação.
Mesmo não se tratando do melhor trabalho do escritor, com certeza, merece constar na estante de qualquer leitor de hq's. Ponto para a Panini de novo!

Patrulha do Destino - Supermusculatura: 17x26cm, 260 páginas, capa cartão, papel pisa-brite e preço de R$29,90.




Neste encadernado da patrulha teremos: "a patrulha evitando a aniquilação do livre-arbítrio, a transformação do universo em uma declaração artística, tentativas de assassinato e uma visita à satã". 
Seja lá o que isso signifique...

O Formigatório e a Nova Irmandade do Dadá vão cruzar o caminho dos heróis mais bizarros da terra.

A Patrulha do Destino de Morrison (ele de novo...) tem me agradado e a frequência de Richard Case nos desenhos garantem uma unidade para a história que não se vê hoje em dia. Já que o artista permanece como o principal do título. Assim como os Invisíveis estão se encaminhando de maneira bastante regular. Que venham mais volumes.

Obs: R$29,90 num encadernado de papel jornal? Tá de sacanagem Panini?

John Constantine Hellblazer - Demoníaco vol. 1: 17x26cm, 164 páginas, capa cartão, papel lwc e preço de R$24,90.



A realidade como a conhecemos está ameaçada e John Constantine é um dos poucos que pode intervir. Lendas urbanas, fantasmas e a Igreja da Realidade Virtual vão dar trabalho para o mago que vai ter que viajar pela América e Austrália para resolvê-los.

Este volume é o primeiro a trazer histórias da fase de Paul Jenkins no personagem. Mas estejam avisados que primeiro ele terá quatro histórias com Eddie Campbel, depois delas é que virão as duas primeiras de Jenkins. Os desenhos são de Sean Phillips que alguns acham ótimos e outros acham preso demais à referências fotográficas. Na dúvida dê uma olhada nas páginas de Criminal (série em parceria com Ed Brubaker) para ter uma noção do que ele é capaz.

Tom Strong - Invasão: 17x26cm, 148 páginas, capa cartão, papel lwc e preço de R$23,90.



Na terceira encadernação do herói científico de Alan Moore e Chris Sprouse as aventuras de Tom Strong nos levarão de cavernas vulcânicas até o espaço para enfrentar formigas gigantes. Tom Strong teve cerca de seis volumes nos EUA e logo será finalizada por aqui. Um tratamento diferente do foi feito pela Editora Devir que não conseguiu passar nem do segundo volume!





Nota: Sandman - Edição Definitiva vol. 1 e Preacher vol. 1 foram anunciadas respectivamente em agosto e outubro. Se você tem interesse em algum desses quadrinhos deve procurar rápido em comic shops ou em promoções de mega-stores como a Amazon. Depois não vá reclamar que perdeu algum deles. Fique atento para mais notícias e checklists.

Fontes: UniversoHQ, Guia dos Quadrinhos e Blog Vertigo da Panini.

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

O NOVO "MOTORISTA FANTASMA" PELA MARVEL NOW!



Por: Hds.
Mais uma pobre vítima de sucessivas operações plásticas mal-sucedidas. Trágico!

A Marvel anunciou durante a NYCC mais títulos de sua recente fase (EUA) e dentre os mais chamativos está o novo Motoqueiro Fantasma. Escrito por Felipe Smith e desenhado por Tradd Moore, a nova encarnação do personagem esta sendo chamada de Motorista Fantasma.

Não conheço os roteiros de Smith, mas já posso adiantar que se os desenhos de Tradd Moore tem qualidade em pontos específicos, como a noção de velocidade e estilização dos caros. Também temos o problema do mesmo ter descartado a ambientação de terror necessária às tramas do motoqueiro. Além disso suas figuras humanas são infantis e caricatas.


Em primeiro lugar temos que deixar bem claro que a escolha de tradução para a nova versão é uma das mais infelizes que eu já ouvi. "Motorista Fantasma" soa ridículo e reduz o impacto junto ao visual do espírito da vingança. Apesar de ainda não ter visto nenhuma confirmação do nome por parte da Editora Panini.

Eu posso até não ter  uma opção tão boa, mas não seria melhor algo como; "Corredor Fantasma" ou algo assim? Não soa bem de verdade, mas soa melhor e mais ameaçador do que esta marmelada na tradução. Esse nome que estão usando parece tão idiota quanto: Piloto Fantasma, Condutor Fantasma, Manobrista Fantasma ou qualquer outra besteira desse tipo.

Deixando o nome do personagem de lado, temos a nova figura do motoqueiro representada por Robbie Reyes. Reyes é um rapaz de 18 anos, gosta de trabalhar em motores e é fã de música eletrônica. Talvez isso explique porque seu visual lembra o dos músicos da dupla Daft Punk:

Ninguém pensaria que o Motoqueiro Fantasma levasse a música tão à sério em sua busca por vingança. Afinal, ele trocou o visual Rock'n Roll pelo Techno/Clubber pra ficar mais "descolado".

E é justo da aparência dele que estão falando mais.

O traje tem um aspecto "limpo" demais. Deveria ser mais largado e não reto e cheio de linhas como se fosse um colante. Não tem nada nele que meta medo. Pois as histórias do herói, vale lembrar, têm uma temática de terror. Teria que ser mais rústico e com adereços na medida, para não ficar poluído demais. As botas fazem falta na indumentária de metaleiro motorizado.

O fato do motoqueiro mudar seu veículo não incomoda. Na verdade, essa é uma boa ideia, justificável dentro do contexto dos quadrinhos. O que estragou tudo foi o desenho do rosto/cabeça. O que diabo é aquele buraco na testa e fogo dos lados? O rosto parece uma máscara e não um crânio. E está com um desenho metálico esquisito com dobradiças na mandíbula. Os olhos estreitos e a boca rasgada, deixando à mostra as gengivas. Ficou uma bela bosta!

Robbie Reyes parece tão ameaçador que não faria medo a uma velhinha na fila da padaria

E quando você acha que não pode ficar pior, dá a uma boa olhada no novo "hospedeiro" do espírito da vingança e descobre que ele é um bostinha! A Marvel fazer um anúncio dentro de seu evento onde apresenta uma versão podre de algum herói não me surpreende. O que me deixa abismado é que ela não tenha piorado ainda mais. Pelo fato de estarmos falando da mesma editora que anda apelando desesperadamente para todos os públicos. Principalmente aqueles que estão cagando para os quadrinhos. Sendo assim chutar o motoqueiro machão do heavy metal, Danny Ketch, e colocar um magrelo com cara de latino-americano com mechinha branca de Vampira é o menor dos problemas.

Não é a toa que a casa das ideias furadas anda levando um nabo da DC e os seus leitores estão cada vez mais dando uma resposta a toda essa palhaçada de "repaginação". Vamos ver até onde a Marvel vai aguentar sustentar sua linha editorial degradante. Enquanto isso, fique com mais uma das típicas imagens que costumo trazer para lembrar aos leitores como eram seus heróis preferidos antes da Marvel os estragar:

Terror e ameaça na visão do verdadeiro Motoqueiro Fantasma.

quarta-feira, 14 de setembro de 2016

REVIEW Nº2: O LEGADO DE JÚPITER


Por: Hds

Brandon e Chloe são os filhos-problema em O Legado de Júpiter

Título: O Legado de Júpiter
Autores: Mark Millar (roteiros) e Frank Quitely (desenhos)
Preço: R$ 45,00
Formato: 17x26 cm, capa dura, 140 páginas, colorido e papel couché

ATENÇÃO: O REVIEW ABAIXO CONTÉM SPOILERS

Em 1932, Sheldon Sampson, um filho de empresário falido recebe um estranho chamado a uma ilha através de sonhos. Com a ajuda de seu irmão Walter e de seus amigos, ele vai até a misteriosa ilha de onde retornam com superpoderes. Munidos desses poderes, ajudam a América a enfrentar guerras e crises preservando seu país. Agora, após décadas de luta, se veem tendo que conviver com uma sociedade entregue à problemas econômicos e desiludida.

Desde o início da história Sheldon Sampson, chamado de Utópico se vê descontente com a situação dos EUA,que atravessam uma grave crise pós quebra da bolsa de 1929. Sem esperanças resolve atender ao chamado sobrenatural. Com ajuda de um capitão mercenário chega até ilha e retorna transformado no maior herói da terra. O que aconteceu na ilha só vai ser realmente explicado futuramente, já que este é apenas o primeiro encadernado da série.

A ilha visitada pelos personagens tem um formato peculiar que vai ser explicado posteriormente.
O mote do quadrinho começa realmente quando surgem os filhos desses mesmos heróis que retornaram. Sheldom e sua esposa Grace tiveram Chloe e Brandon que também nasceram com habilidades. 

Aqui também temos o real contraponto da história. Os filhos do maior guardião da terra são dois completos inúteis! Chloe é uma garota burra, mimada e complexada. Só se importa com grifes e marcas famosas às quais possa associar seu nome para ganhar dinheiro. Vive drogada em festas com seus amigos e primos superpoderosos. E igualmente bisonhos.

Brandon é um rapaz cínico que alimenta um rancor pelo fato de nunca ter recebido atenção e reconhecimento do pai. No rastro da fama e prestígio dos pais, ele se ocupa de reclamar de sua vida, encher a cara e fechar contratos com empresas pela sua imagem. Ambos os filhos do Utópico não passam de celebridades idiotizadas.

Cabe aqui um breve esclarecimento o padrão de heroísmo apresentado na revista. 

Existe uma tendência nos quadrinhos de super-heróis (mais forte na Marvel que na DC) de "repensar", questionar ou "refletir" acerca da função dos heróis nos dias de hoje. O embrião dessa ideia, até onde posso perceber, foi inserido em Watchmen pelo velho rabugento e "gênio ocultista" dos quadrinhos Alan Moore. O autor supostamente "esfregou" na cara de artistas, críticos e leitores a noção de que super-heróis nunca poderiam viver no mundo real sem interferir em sua história política. Foi aclamado e tido como visionário. Mas a verdade é que se olharmos com atenção para a proposta da série, é fácil descobrir que sua mensagem não tem utilidade alguma.

As aventuras dos quadrinhos, desde o começo, foram criadas para ambientar o leitor num mundo figurativo, cheio de iconografias e  idealismo direcionado por valores simples. O que Watchmen faz é tentar refutar o funcionamento de ideias e fatos históricos reais, dentro de uma ficção. Ou seja pura perda de tempo! Seria o mesmo que questionar o porquê do Superman não interferir no caso Watergate (caso em que o ex-presidente americano Richard Nixon foi pego cometendo um crime) ao invés de "perder tempo" perseguindo o Brainiac. A resposta é bem clara: por que aquelas eram histórias em quadrinhos, feitas para entretenimento. E não um documento do FBI! Sendo assim, Watchman se mostra uma boa história em quadrinhos. Bem desenhada e tecnicamente impecável. Mas, como já ressaltou o artista John Byrne, sem sentido. Um exercício inútil de contestação!

Atualmente temos vários artistas que fazem parte dessa "corrente" de revolucionários que revogam e condenam o papel tradicional dos combatentes da justiça. Entre eles temos: Grant Morrison (sempre ele...), Warren Ellis, Brian K. Vaughan, o próprio Mark Millar entre tantos outros. 
Esse é o motivo pelo qual vemos, com cada vez mais frequência, heróis que não lutam contra vilões, não possuem o menor conceito de valores, são depressivos, deslocados, criminosos até e se queixam mais do que praticam atos de bravura. A figura do super-herói em sua mais brilhante essência está sendo substituída por vigilantes preocupados com causas sociais. Quando não, esses personagens se mostram um bando de palhaços imprestáveis que não realizam nada, não ajudam ninguém. Em suma, não fazem nada para justificar a alcunha de Super-Heróis!

Eles não lutam com o Coringa ou o Duende Verde, mas com empresários e magnatas satânicos. Eles não vão ao espaço enfrentar os Skrulls, preferem ajudar os sem-teto nas ruas. Não patrulham a cidade como o cruzado de capa de Gotham City, e sim empreendem uma viagem de "auto-conhecimento" pelo país para "rever seus conceitos" sobre a quem devem atender de verdade. Ou seja: o que temos aqui não são super-heróis dos quadrinhos, são voluntários e assistentes sociais tediosos! Não se parecem em nada com heróis de quadrinhos. E é exatamente nesse padrão que vários dos tipos de Legado de Júpiter se encaixam.

Chloe deixando seus pais "orgulhosos" depois de uma overdose

A trama segue depois da apresentação dos filhos de vários heróis, onde muitos deles se escondem para não lutar ou se machucar, enquanto os mais velhos fazem todo o trabalho. Walter, o irmão do Utópico (Sheldon Sampson), começa uma discussão sobre a utilidade das ações de seu grupo. Afirmando que são um desvio de assunto, perto dos problemas que a américa enfrenta. 

O Utópico é usado como um espantalho para uma argumentação tendenciosa e fácil para se duvidar da crença dos leitores no heroísmo puro e simples. Tanto, que para o personagem sobra o sermão de apoio ao governo e que os dotados de poderes devem servir ao povo através da lei. Isso faz com que o Utópico seja imediatamente visto pelos leitores atuais, que não se identificam com suas ideias de moral e justiça, como um "velho teimoso e antiquado".

Enquanto seu irmão tenta fazer com que Sheldon contradiga suas ações, o Utópico é visto pelas costas, entre os outros superpoderosos, como um nacionalista caduco e sem visão da realidade. É notório que as respostas que herói dá para seu rival de sermão são propositadamente pobres de argumento. 

Millar move seus personagens como peões para efetuar seu debate de ideias.

Walter decide atropelar seus demais companheiros motivado pelo debate com seu irmão e se reúne com membros do governo para por em prática tudo que planeja para os EUA. Apresenta uma solução mágica para ajustar a economia do país e sanar o mal do desemprego e  pobreza, em apenas quatro anos. Isso é que é ficção, certo? Ele acaba levando outra bronca de Sheldon e resolve se aproximar de seu filho, Brandon, para influenciá-lo

Tenta consolar o melancólico filho do Utópico com um papo furado relativista de que: os mais velhos não tem vantagem alguma em experiência e que cometem erros idiotas assim como os jovens. Por isso eles não teriam moral para orientá-los. Vendo que consegue a atenção do rapaz, começa a envenenar sua mente para que cometa crimes que serão especificados ao longo da trama.

A arrogância e confusão de Brandon vão gerar eventos dramáticos no mundo dos heróis de Jupiter's Legacy.

Depois do levante de Walter, praticamente todos os demais combatentes se voltam contra o Utópico. Nesse ponto percebemos um típico caso de forçação de barra ao qual os leitores do roteirista já devem estar acostumados. Como é que a maioria se manifestou contra ele, se já o tinham como um exemplo de conduta durante décadas? E ao ponto de fazerem o que será mostrado mais à frente, num evento dramático da história? Somente a mera discordância não teria um resultado tão controverso. Uma bela escorregada de Millar. O motivo para Walter se mostrar um traidor genocida (depois de décadas) é raso e mal-construído. Outro ponto curioso é o fato de nenhum outro herói no mundo inteiro partir em defesa de Sheldon Sampson. Onde eles estavam?

A perseguição de Walter e seu grupo gera situações contrárias para Brandon e Chloe. O primeiro está diretamente envolvido em mortes e destruição. A segunda tem de fugir para não ser enquadrada pela nova lei marcial imposta pelo seu tio. 

O que se segue também deixa dúvidas dentro da aventura. Nove anos se passaram depois que Chloe foi obrigada a fugir junto com seu namorado, tendo em vista que sua família foi literalmente desfeita. Mas como é que eles conseguiram sumir num planeta vigiado por seres superpoderosos? Bastava que algum inimigo fizesse uma varredura em supervelocidade ou usasse visão telescópica. Sem falar nas outros inúmeras capacidades de rastreio. Isso foi um furo no roteiro ou será detalhado mais adiante?

Apesar do governo ditatorial de Walter seguir devastando o país, Brandon continua obedecendo as ordens do tio (talvez por influência dos poderes mentais) e sendo consumido pela dúvida de se aquilo que fez foi correto. A mudança de atitude de Brandon também sugere uma possível ruptura brusca, pois ele acabou passando de um cara insatisfeito para um assassino. 

Durante esse tempo Chloe, afastada de tudo, resolve levar uma vida comum para não ser detectada. Até o ponto em que, por força de um acontecimento do qual não vou falar para não estragar a surpresa, é arrancada de seu esconderijo e entre em conflito com os soldados à mando de Walter. 

Mesmo sendo tosca e inconsequente Chloe está do lado do bem e vai buscar vingança contra aqueles que a perseguiram.

O mais interessante de se perceber até esta etapa da história, é a situação em que os personagens "do bem" chegaram para ter de sobreviver sendo cassados. Os superpoderosos em massa aderiram ao governo tirânico de um semelhante e os poucos que sobraram tiveram que demonstrar uma atitude heroica tardia. Seria mais natural se eles tivessem procurado agir dessa maneira desde o começo. E não tentar remediar a podridão em que se encontram depois de tudo estar arruinado.

Como O Legado de Júpiter é uma série contínua, o arco de histórias analisado neste review cobre somente as cinco primeiras histórias. Acredito que muitos dos detalhes e mistérios dela (como os personagens que foram à ilha ganharam poderes? Ou quem é o casal de criaturas que surge na ilha?) serão mostrados adiante nos próximas sequências. Mas essas edições, é claro, já dão o tom e a ideia do que o quadrinho tem pra dizer. Por enquanto, ela não conseguiu surpreender tanto como outros trabalhos da mesma dupla criativa.

ROTEIROS: As histórias de Mark Millar, como de costume, tem um ritmo ágil e são bem equilibradas entre cenas de repouso e ação. Millar domina a técnica narrativa com que se apresenta a maioria dos quadrinhos chamados "vanguardistas" de hoje: cheios de ação, rápidos e abordando temas pesados. O ponto negativo vai para algumas extrapolações cometidas pelo autor. Pela pose forçosamente "ultra-bacana" com que seus tipos atuam, por vezes munidos de estrelismo e frases de efeito. Mas o que mais incomoda é a onipresença de temas políticos que aparecem de forma irritante nos seus quadrinhos. Muito desse discurso  é tendencioso e dispensável.
DIÁLOGOS: São bem escritos no que concerne à precisão e carga de informação, mas muitas vezes são tematicamente viciados, contém referências pop bestas e não contribuem para o discorrer da trama.
DESENHOS: Frank Quitely mostra sua capacidade de produzir desenhos cinéticos e com aquela sensação de "tensão suspensa" como só o artista consegue fazer. Algumas vezes é notória a queda de qualidade em algumas páginas, mas nada que tire a beleza de seu traço. Mesmo que as capas das edições exibam um detalhismo que não se vê no miolo da revista. Um ponto negativo pequeno (sem importância pelo fato de ser pertinente ao estilo do desenhista) é que alguns personagens ficam um pouco parecidos uns com os outros e, às vezes, suas figuras de jovens ficam com tantos traços no rosto que parecem uma casca de árvore seca de tantas rugas. No mais as ilustrações de Quitely ainda estão acima da média.
ACABAMENTO: É justamente neste ponto que a revista gera brigas e chama mais atenção. A Editora Panini vem oferecendo uma nova linha de encadernados com preços nada agradáveis. Uma inclinação que se tornou evidente quando os volumes em capa cartão e Lwc começaram a custar R$28,90. O Legado de Júpiter chega em capa dura, papel couché e preço exorbitante de R$45,00. Uma postura burra e nociva vinda da maior editora em volume de publicações no Brasil. Por que a Panini está indo deliberadamente contra a lógica de reduzir custos para o bolso do leitor, tendo em vista o precipício em que estamos hoje com a economia esfacelada? Os leitores vão opinar das mais diversas maneiras, mas a verdade é que a editora está tomando o caminho do suicídio editorial.
CUSTO-BENEFÍCIO: Precisa dizer alguma coisa? Acho que sim! Com dezenas de revistas mais baratas e eventos tomando o interesse dos leitores, não fica difícil imaginar que dar R$45,00 num título desconhecido (apesar de muito aguardado) não é nem um pouco obrigatório. Se é pra ler histórias de super-heróis temos sagas da Marvel e DC saindo agora mesmo nas bancas. Encadernados de fases novas e clássicas (como as do Batman de Lendas do Cav. das Trevas e a Coleção Histórica Marvel). Volumes de séries da Vertigo em capa cartão e Lwc baratas e com histórias excelentes. Os nomes Millar e Quitely pesam, mas o preço surreal deste livro  pesa mais ainda! E se tratando de uma série que tem de se provar, recomendo que os consumidores mais prudentes boicotem o encadernado e esperem pelas famosas promoções das mega-livrarias.

EXCELENTE     
ÓTIMO               
BOM                   
MEDIANO         
REGULAR
FRACO
RUIM
PÉSSIMO

O ALARDE EM TORNO DA "APOSENTADORIA " DE ALAN MOORE



Por:Hds


Alan Moore vai se afastar de vez dos quadrinhos.

Alan Moore deu uma entrevista coletiva ao jornal The Guardian anunciando que vai parar de fazer quadrinhos, dedicando-se aos livros e talvez aos filmes. A "aposentadoria" do ermitão carrancudo mais idolatrado da terra foi confirmada em declarações do próprio autor.

É claro que a rede mundial ficou tomada por comentários dos mais previsíveis aos mais retardados e vários leitores do mundo todo se apressaram em assumir uma postura de luto como se fossem viúvas do escritor.

Eu não preciso fazer aqui nem sequer um breve apurado da biografia ou da carreira do "Mago dos Quadrinhos". Até porque mesmo em Kuala Lumpur deve ter algum nerd que já escreveu uma matéria de revista ou post de blog discorrendo sobre as façanhas de Moore ao longo das últimas décadas.

Alan Moore foi e continua sendo um escritor talentoso, apesar de demonstrar alguns defeitos dentro de sua escrita que comumente passam despercebidos pelo olhar de leitores e admiradores convenientemente míopes. Seus quadrinhos contribuíram para melhorar e evoluir a qualidade das histórias entregues dentro da indústria americana dos Comics.

Mas também é verdade que sua postura política, sua atitude birrenta e sua boca grande disparando veneno contra o mercado e os próprios quadrinhos como entretenimento, são verdades que também ficarão gravadas em sua biografia pra sempre.

De minha parte (pelo que se pôde ser notado através de meus textos), já não nutria essa admiração histérica e vexatória pelo "gênio" dos quadrinhos há muito tempo. Não entendo até mesmo a tristeza pelo fim de suas atividades nas hq's, sendo que se muita gente é fã de Moore ao ponto de lamentar, é só continuar a acompanhá-lo em seus livros e demais projetos. Não se trata de um obituário do chato barbudo de Northampton, ele só está fazendo o que deveria ter feito há anos. Visto que há um bom tempo demonstrava descontentamento com os quadrinhos mainstream.

Se era pra continuar sendo rabugento e falar merda a torto e direito de colegas de trabalho, editoras, dos próprios leitores e até do cinema. Alan Moore já vai tarde. Aliás, bem tarde! Mas se a ideia dele é a de levar sua visão detalhada e sua capacidade narrativa cirúrgica para outros meios, boa sorte e vida longa ao escritor.

O LANÇAMENTO DE LEGADO DE JÚPITER PELA PANINI



Por:Hds.



Jupiter's Legacy começou a ser publicada em abril de 2013 nos EUA depois de problemas com os direitos de licença que seriam usados no título. Já chegou a ser chamada de Jupiter's Children e teve sua produção retardada pela lentidão de Frank Quitely nos desenhos. Mas agora finalmente a série do roteirista falastrão, Mark Millar, vai sair pela Panini.

Com formato tradicional de 17x26cm, capa dura, 140 páginas, papel couché e "precinho" de R$45,00, ela está atraindo reclamações justamente pelo detalhe no custo do título. Sendo que o quadrinho de Millar e Quitely não figuram entre os mais importantes ou principais do estilo super-heróis (Marvel e DC) fica, pra dizer o mínimo, bizarro a Panini jogar uma bomba dessas nas bancas e livrarias.

Numa época em que os preços de tudo sobem assustadoramente, a maior editora em operação no mercado resolve dar um tiro no pé do leitor e institucionalizar a facada nas costas como principal custo para seus produtos. E o pior de tudo: ir na direção totalmente contrária da viabilização de hq's dentro do, já sofrível, orçamento dos leitores.

Boa parte dos meios de comunicação reservados aos quadrinhos no Brasil dão risadinhas e preferem ficar coçando a cabeça, fingindo que não entenderam ou não viram. E mesmo que esse preço seja reduzido numa possível promoção de livrarias como Saraiva ou Amazon, o fato relevante aqui é o absurdo patamar em que chegamos com os valores de encadernados no país.

A pergunta que eu, com certeza, faria a qualquer responsável dentro da Panini é: o que diabo vocês pensam que estão fazendo? Por que a editora que mais lucra com quadrinhos em território nacional precisa aplicar uma padrão dispendioso (para nossos bolsos, claro!) como é o deste volume dentro de um dos piores períodos que a nossa economia atravessa? A resposta não virá da Panini. E se vier, não será boa o suficiente.

O tempo passa e as editoras brasileiras não mudam num aspecto de suas mentalidades mesquinhas: se puderem optar entre perder dinheiro e foder com o leitor, com certeza, vão escolher a segunda opção!

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

COMO A MARVEL ESTÁ EMPENHADA EM SUBVERTER O CONCEITO DE SUPER-HERÓIS PARA INFLUENCIAR SEUS LEITORES



Por: Hds


A Toda "Nova", Toda "Diferente" e Toda Esculhambada Marvel!

Eu tenho a nítida impressão de que a pior coisa que aconteceu na indústria americana de quadrinhos nas últimas décadas, foi o aumento da inserção de temas políticos/sociais nas histórias de super-heróis. Eles já existiam há muito tempo e estavam presentes de uma ou outra maneira, de forma que não adianta dizer que se trata de algo inédito. O problema é que estes assuntos estão encontrando nos quadrinhos o meio propício para embutir noções tendenciosas na cabeça dos leitores, seja qual for a faixa etária. Assuntos do tipo ganharam força nos quadrinhos alternativos de autores como Robert Crumb nos anos 60. E  agora, esses tópicos voltaram com força nos títulos da Marvel e DC e ameaçam fragmentar mitologia desses personagens, configurando-se numa verdadeira doença no mercado americano.

Na atual fase da Marvel: a Marvel Now!, o Gavião Arqueiro (Clint Barton ) foi responsável pela morte de um dos vingadores originais dentro de Guerra Civil 2. Julgado e considerado pelos próprios heróis um traidor, Clint foi aclamado pela opinião pública, que (convenientemente) o recebeu como um herói por ter supostamente evitado uma tragédia.

O gavião decide, assim, formar sua equipe de vingadores, chamados de Occupy Avengers.

A Marvel achou que cairia bem colocar o nome de um movimento de protesto como título dos Vingadores.

A nova série é roteirizada por David Walker e desenhada por Carlos Pacheco e Gabriel Walta. Ela não terá heróis superpoderosos, como afirmou o roteirista. Walker ressalta em sua revista que o gavião está passando por uma crise de consciência e vai atravessar o país ajudando pessoas carentes e excluídas.

Ao longo de décadas, os heróis se envolveram em todo tipo de luta por justiça, igualdade e defesa de inocentes. Mas às vezes, essas lutas não retratavam os problemas das pessoas em geral, e sim o direcionamento político que os autores queriam "sugerir" aos leitores.

A luta por igualdade do Falcão está ligada à história do Capitão América.

Na década de 70, já vimos o Falcão viajar pelos EUA com Steve Rogers tentando resolver os problemas do cidadãos comuns. O herói do gueto passava mais tempo no Harlem, um bairro pobre de Nova York, do que combatendo ameaças ao lado de outros personagens. Daquela época pra cá, fomos apresentados  ao quadrinho que eu considero o divisor de águas entre os quadrinhos "engajados" que é: The Authority.

Eles são sexys, descolados e não se importam em derrubar a sua cidade na sua cabeça para provar que estão certos!

Quando foi lançada, Authority foi como uma bomba jogada no meio do pacífico e relativamente previsível mercado de hq's americano. Tudo que você puder imaginar sobre ativismo e ideologias estão lá: minorias, ecologia, religião retratada de forma pejorativa, ações violentas, desobediência aos órgãos governamentais, invasão à territórios de outros países, entre outras "demandas" do grupo.

A equipe do escritor Warren Ellis passa por cima de governos e atropela fronteiras internacionais. Estraçalham cidades, matando milhares de civis por onde passam. Matam seus oponentes de maneira despreocupada, pondo em prática uma espécie de "banditismo socialmente aceitável" para impor suas regras de maneira arrogante, agindo como verdadeiros terroristas superpoderosos. Ou seja, agem como uma força da paz e da ordem, mas não passam de justiceiros, de assassinos cínicos e ignorantes. Apesar da qualidade técnica da série, não dá pra esconder seus valores duvidosos.

Mas é claro que, entre os leitores deslumbrados e analfabetos políticos, Authority vai soar como a coisa mais à "frente do seu tempo", "genial" e "bacana" do mundo. Aliás, não só entre os leitores, mas entre artistas da esfera editorial. Como o sempre militante escritor Grant Morrison, que não somente rasgou seda para a revista na época em que saiu, mas também escreveu o prefácio da encadernação do primeiro volume, antecipando que ela: "ditaria o futuro dos heróis" a partir dali.

O "Capitão Hydra", o sonho molhado da Marvel de ter um Steve Rogers assumidamente contrário aos Estados Unidos.

Essa é a real causa pela qual já assistimos ao Superman rejeitar sua cidadania americana. O porquê de termos um capitão envelhecido e retratado como dono de "valores ultrapassados". Ex-Machina, com o herói-prefeito Mitchell Hundred despejando sermões políticos. Ou mesmo a nova equipe dos Champions da All New-All Different Marvel, um grupelho de quinta categoria, liderado por um Ciclope adolescente e com integrantes do naipe do Hulk engomadinho; Amadeus Cho. Nova (aparentando ser uma versão jovem). Kamala Khan, a heroína mais ordinária e supervalorizada dos últimos tempos! E ainda Viv, a filha (!?) do Visão.

A ideia transmitida aqui está visível para quem quiser: a Marvel quer convencer seus leitores de que o super-heroísmo, em seu aspecto mais tradicional e consagrado, está fadado a desaparecer. Que está inválido, caduco, antiquado e desconexo da atual realidade. Uma bela mentira escrota! Vendida aos leitores numa edição com capa de luxo envernizada!

A Marvel quer convencer você a pagar caro para ler histórias de equipes lotadas de heróis medíocres.

Debaixo do pretexto da moda de que: "estes são outros tempos", tanto consumidores mais velhos, como os novatos da editora, estão sendo surpreendidos com quadrinhos que fogem do padrão de entretenimento para entregar histórias protagonizadas por figuras infames e abarrotadas de doutrinações auto-corretivas.

Um dos editores da Marvel, Tom Brevoort já havia dito que os heróis deveriam ser mais como "ativistas". O escritor de Occupy Avengers afirmou que o líder da equipe vai representar os "oprimidos e rejeitados", lutando contra as desigualdades. Para isso, os heróis não vão enfrentar vilões poderosos como o Doutor Destino, ou algo do tipo. Mas vão atacar empresários e magnatas da indústria, que "roubam" os menos privilegiados. Quer dizer, David Walker quer ver seus super-heróis bancando os justiceiros sociais e não derrotando super-vilões.

Nem levando bofetadas o Gavião Arqueiro vai acordar e perceber que está perdendo tempo com banalidades!

Na fase do Gavião Arqueiro escrita por Matt Fraction, Clint Barton não se ocupava de nada muito relevante. Preferia dispensar seus esforços em cuidar de um cachorro e fazer churrasco com moradores do seu prédio. Algo patético para um vingador! Mas a revista foi tratada como uma pérola lá fora e aqui no Brasil.

Walker ainda citou que, a exemplo da clássica passagem de Neal Adams e Dennis O'neil com a dupla lanterna/arqueiro verde, Clint vai "cair na estrada" e encarar os REAIS problemas da América. O que esse palhaço não vai dizer é que quadrinhos de super-heróis NÃO FORAM FEITOS PARA REPRESENTAR A REALIDADE! Nenhum leitor começou acompanhar as aventuras do Quarteto Fantástico para vê-los bancando os assistentes sociais, e sim para aproveitar uma aventura com ficção e embates monumentais!

Com o mapa dos EUA na mão, os Vingadores estão prontos para se tornar heróis "pé-na-estrada". E para a se tornar um pé-no-saco também 

D. Walker lembrou que no universo Marvel existem mafiosos como Wilson Fisk (Rei do Crime) e que os heróis deviam perseguir criminosos como ele que causam danos diretamente às vidas dessas vítimas. Imagine que tédio seria ver alguém como o Doutor Estranho lutando com empresários e políticos corruptos? A "grande sacada" de Walker em formar uma equipe de integrantes sem poderes, por si só, já é bocejante.

A verdade sobre a crescente onda de "comprometimento social" por parte da Marvel e das demais editoras é que esses donos de editoras, editores, escritores e desenhistas sabem que o consumidor de quadrinhos estão numa faixa etária mais alta. Mesmo com os filmes atraindo mais leitores infantis e juvenis, o público hoje, é majoritariamente adulto. E por isso, suscetível à influências de discursos considerados adultos.

Mandem esse time de reservas para o chuveiro e tragam os titulares, por favor!

A Marvel Comics quer, da maneira mais venenosa e desonesta, incutir culpa na mente dos leitores. Fazer com que se sintam envergonhados por lerem histórias de super-heróis que "somente" batalham com vilões movidos por ambições egoístas, representadas através de personagens alegórico/idílicos. Mas isso é parte da essência dos quadrinhos de super-heróis. O que essa gente perturbada quer é fazer com que o fã se sinta diminuído por gostar de vivenciar as proezas escapistas de seus ícones de infância. Querem que o leitor se curve diante de sua histeria perversa, que não admite que alguém pense em diversão, enquanto todos esses horrores e injustiças assolam o mundo! Ou seja, querem transferir suas neuroses para você!

A falsa preocupação com minorias, que dependeriam de "representatividade" e espaço nas páginas de seus títulos, garantidos à base de cotas. O uso de termos-armadilhas como: "Socialmente Conscientes". A rastejante e mesquinha atitude de fazer com que crianças e jovens duvidem da utilidade de seus personagens preferidos, questionando se eles não deveriam ser mais como agentes comunitários. A covardia de escritores e artistas em "surfar" na onda de fiscalização politicamente-correta, da qual muitos dos artistas da chamada "invasão britânica" como: Alan Moore, Peter Milligan, Warren Ellis, Grant Morrison entre outros foram pioneiros. E o pior de tudo isso: a constante degradação e corrosão do conceito de Super-heroísmo, infligido como necessário para se "revisar" a função dos heróis nos dias de hoje.

É importante que não deixemos que essa tendência hedionda mascarada de "visão de futuro" acabe com a liberdade nos quadrinhos. Histórias em quadrinhos desde sempre foram feitas para estimular a imaginação, antecipar noções de coragem, benevolência e lealdade, incentivar o hábito de leitura e, principalmente divertir.

Você, leitor de super-heróis, não deve aceitar, por quaisquer motivos que seja, sentir-se impedido de admirar seus campeões preferidos. Ser acuado por uma intimidação tacanha e repressiva, que intenta incutir culpa em quem somente busca se entreter. Tenha em mente a ideia de que esses personagens são e sempre serão a mais acessível e poderosa orientação moral que uma criança pode ter na sua infância. E não meras peças de manipulação de um proselitismo hipócrita.

Exija da editora que mantenha os personagens íntegros e conservando suas melhores características. Reclame em redes sociais e nos e-mails das editoras. Boicote revistas que promovam alterações ardilosas nos heróis, com a evidente finalidade de corromper suas biografias. É preciso mostrar que a
riqueza desses personagens, adquirida ao longo de muitas décadas de trabalho de artistas talentosos, não dependem de transições culturais forçosamente impostas a essas figuras. Vida longa aos Heróis Marvel!!! A despeito do desprezo que a própria editora anda mostrando por eles...



Pra que eles estejam sempre prontos para combater o mal, você vai ter que lutar por eles!!!

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

MAFALDA É PARA CRIANÇAS DE CABELOS BRANCOS


Por:Hds

Mafalda definitivamente não foi feita para agradar crianças

Mafalda foi criada pelo cartunista argentino Quino em 1962 para uma propaganda do jornal O Clarín, o anúncio foi cancelado e dois anos depois a personagem estreou suas tiras no semanário Primeira Plana. A partir de 1965, começou a ser publicada diariamente no Mundo de Buenos Aires, como tira regular. Isso deu ao artista a oportunidade de trabalhar com temas do cotidiano em seu país e no exterior.

A personagem do cartunista é uma menina com quase oito anos de idade que questiona a política, preconceitos raciais, a ganância financeira e preocupa-se com a paz no mundo, o meio ambiente, as desigualdades sociais e guerras. Mas apesar disso, tem traços infantis como qualquer criança de sua idade. É fã incondicional dos Beatles e detesta sopa. 

No Brasil, ela foi lançada em compilações,que traziam tiras datadas da época dos eventos destacados pelo autor.  A grande maioria já vem sendo publicada pela editora Martins Fontes desde a década de oitenta.


Álbuns pela Martins Fontes
Suas tiras foram lançadas fora da Argentina com sucesso, principalmente na América Latina e Europa. Na Espanha, chegou a ser cotada como "quadrinhos para adultos", por causa da politica vigente no país naquele período. Pressionado pelo esquema de trabalho do jornal onde produzia as tiras, Quino resolveu encerrá-la em junho de 1973.

Uma amostra do humor "ingênuo" de Mafalda. 

Apesar de ser considerada uma tira de humor, Mafalda tem piadas calcadas em temas fechados e de caráter espinhoso. Um quadrinho com uma protagonista infantil em traços infantis, mas despejando reclamações ranzinzas sobre política e costumes. Isso deve ter soado interessante para o autor, mas fez com que o público alvo, (em teoria) as crianças, se afastassem dele naturalmente. Então por que seu criador o fez dessa maneira?

O principal motivo pelo qual as tiras de Mafalda são cultuadas até hoje em boa parte da Europa e na America Latina, se deve ao fato de abordarem lutas sociais das mais previsíveis. Joaquín Salvador Lavado Tejón ou Quino, foi e continua sendo até hoje (o cartunista está vivo e com 84 anos de idade) um ferrenho defensor de causas trabalhistas e sociais. E como também sempre foi conhecido pelas suas opiniões ácidas e incisivas, trouxe tudo isso para suas tiras.

Mafalda definitivamente não foi feita para crianças, afinal, que criança você acha que entenderia piadas como essa?

Muitos artistas, incluindo o falecido escritor Umberto Eco, afirmam que Mafalda foi claramente inspirada em Peanuts (Snoopy), de Charles Schultz. É bem provável que sim, se bem que não existe nenhuma figura agourenta e neurótica semelhante à personagem do argentino nas histórias de Charlie Brown. Sendo assim, é de se supor que foi o próprio autor que escolheu, por sua conta e risco, inserir temas pesados e controversos numa tira infantil. Por isso mesmo afirmo que ela não foi feita para crianças, e sim, para adultos que concordam com as suas pregações ideológicas escancaradas!

Crianças da faixa etária de Mafalda iriam "adorar" suas historinhas cheias de temas políticos, caso elas tivessem sido feita para elas!
O senso de humor do autor nas tiras não é só insólito, mas supõe, de forma estranha, que se tenha conhecimento histórico semelhante ao dele. O resultado é: humor esquisito e sem noção de tempo para piadas.

Basta dar uma olhada em alguns dos personagens coadjuvantes, para perceber que o autor chutou a sutileza pra bem longe: Pelicarpo é o pai de Mafalda, tem um emprego dos mais pedantes e burocráticos; é vendedor de seguros. Raquel, a mãe, sofre com os sermões da filha, que não se contenta por ela ser uma dona de casa e não ter terminado os estudos. Manelito, o colega de escola, é um burguesinho impulsivo e arrogante que só pensa nos lucros do armazém do pai. Susanita é amiguinha de Mafalda. Mas tem defeitos como: ser orgulhosa, egocêntrica e fofoqueira. Sonha com em crescer e se casar com um marido rico e ter muitos filhos.

Existem também figuras para representar, literalmente, as ideias de Quino como: Libertad, que é uma menina muito pequena, e que tem costumes simples. É filha de um casal de idealistas. O pai tem um emprego medíocre e a mãe é tradutora. Ainda temos Burocracia, apresentada simplesmente na forma de uma tartaruguinha. Um dos poucos tipos comuns da tira é Guilherme, o irmão caçula e todo esperto da menina falastrona.

A Mafalda de Quino é elogiada tanto por Ziraldo quanto por Maurício de Souza, amigos do cartunista.

Algumas pessoas vão se perguntar: "se Mafalda tem propriedades tão desvantajosas para um quadrinho de humor, por que então ela é tão famosa aqui no Brasil, demais países latinos e na Europa?". A resposta é fácil: toda a cultura, política, artes e meios de informação desses lugares estão em total sintonia com as ideias mostradas nas obras de Quino!

Mafalda não é, nem de longe um produto atrativo para crianças (nem para adultos, verdade seja dita!), mas o motivo dela ser tão popular é que vem sendo forçada goela abaixo nas escolas e faculdades há décadas!

Suas histórias estão quase que obrigatoriamente em: jornais, livros de português, cartilhas escolares, apostilas de concurso público, provas aplicadas pelo Governo Federal (incluindo as do Enem) e demais veículos de informação. Assim, não é difícil imaginar o porquê de apesar de ser tão chata, e de ter tão pouco material feito pelo autor desde seu encerramento, ela seja presença constante na cabeça das mais variadas faixas etárias. Veja a página abaixo por exemplo:




Esta é uma tira de Toda Mafalda, colocada para ilustrar uma questão interpretativa do Enem. Note o teor capcioso das alternativas.

E mesmo que esses quadrinhos não estivessem forçosamente espalhados por todos os meios, dificilmente alguma criança, ou adulto desavisado, sentiria afeição por uma menina carrancuda, com aspecto de uma velha, reclamando de tudo e deslocada do universo infanto-juvenil como é Mafalda.

Até porque se é pra falar de quadrinhos para crianças, temos milhões de exemplos melhores que esse. A Turma da Mônica (com sua infindável linha de revistas), O Sítio do Pica-Pau Amarelo, Algumas revistas dos heróis da Marvel e DC, Hora de Aventura, Garfield, todo o material da Disney e vários outros baseados em desenhos animados de tv e cinema.

Cada um destes acima citados são melhores do que qualquer tirinha dessa menina que mais parece uma velha rancorosa presa no corpo de uma criança! Apesar de, ainda hoje, ser cultuada mais por entusiastas de militâncias disfarçados de estudantes e leitores, do que pelo leitor infanto-juvenil. Mafalda atinge seus 52 anos de vida fazendo, finalmente, jus à idade de sua dita "mentalidade infantil".